Ex-ministro Joaquim Barbosa se filia ao Democracia Cristã e se torna aposta do partido para disputar presidência da República
Foto: Ed Ferreira/Estadão Conteúdo
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, se filiou ao Democracia Cristão (DC)
e o partido pretende lhe lançar como candidato à presidência da
República. A informação foi revelada pelo Painel, da Folha de São Paulo.
O DC, presidido pelo ex-deputado federal João Caldas, apresentou no início do ano a pré-candidatura presidencial do ex-ministro Aldo Rebelo, que não cresceu nas pesquisas. Por isso, de acordo com Caldas, a troca foi necessária.
Joaquim Barbosa integrou a corte
entre 2003 e 2014. O ministro se aposentou antecipadamente em 31 de
julho, antecipando sua permanência no tribunal em dez anos e dois meses.
Caso permanecesse no cargo, poderia, por lei, seguir no STF até 2029,
quando completaria 75 anos.
Em 2018, ele foi cotado como um dos nomes da disputa presidencial, mas acabou desistindo.
“Ele se
filiou ao partido para concorrer. Atualmente, vivemos no Brasil uma
crise institucional entre os três poderes. Não existe ninguém melhor do
que Joaquim Barbosa para resolver isso. Ele será o mensageiro que nos
resgatará desse cenário”, afirmou Caldas.
A disputa presidencial de 2026 avança com a consolidação de candidaturas conhecidas do eleitorado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
é pré-candidato à reeleição e deve apostar na defesa de programas
sociais, no crescimento econômico e na comparação com o governo anterior
como pilares de campanha.
No campo da direita, o senador Flávio Bolsonaro
(PL) desponta como um dos nomes ligados ao bolsonarismo para disputar o
Palácio do Planalto. Também buscam espaço na disputa o ex-governador de
Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Eleições 2026: confira calendário completo das principais etapas até a posse dos candidatos eleitos
O primeiro turno das eleições 2026 está agendado para o dia 04 de outubro. Porém, em maio, o calendário eleitoral já entrou nas fases de definições internas dos partidos e preparação técnica da Justiça Eleitoral. O prazo para regularização dos títulos de eleitor encerrou no último dia 06
e também acabou o prazo para os eleitores que desejavam requerer
transferência de local de votação e revisão de informação do cadastro
eleitoral. Desde o dia 07 de maio, o cadastro está fechado para novos
pedidos e agora que os cidadãos já solicitaram o título de eleitor para
participar da “festa da democracia”, o foco muda para as divulgações
sobre quem vai de fato concorrer no pleito deste ano.
O calendário de 2026 foi aprovado através da Resolução nº 23.760 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em sessão extraordinária administrativa realizada em 02 de março. Assim, o Polêmica Paraíba apresenta a seguir um guia com as principais datas a serem observadas por partidos políticos, coligações, federações partidárias, candidatose eleitores ao longo do processo eleitoral até a posse dos eleitos. Além das datas, trouxemos as atividades previstas e o significado de cada fase nesta linha do tempo.
Financiamento coletivo (15 de maio)
O dia 15 de maio marca o início da arrecadação coletiva, período no qual os pré-candidatos poderão começar a campanha de arrecadação prévia de recursos na modalidade de financiamento coletivo,
conhecida como “vaquinha virtual” ou “vaquinha eleitoral”. Este sistema
é feito pela internet para receber doações de forma legalizada pelo TSE
e foi autorizado pela legislação eleitoral de 2017.
A
modalidade permite que os apoiadores façam doações pela internet para
auxiliar no custeio das campanhas e assim participem diretamente do
financiamento. Porém, as arrecadações só podem ser realizadas por empresas previamente cadastradas e aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Até o momento, quatro empresas foram habilitadas
pelo órgão para operar o financiamento coletivo deste ano: AppCívico
Consultoria Ltda., Elegis Gestão Estratégica, GMT Tecnologia e
QueroApoiar.com.br Ltda.
Lembrando que mesmo que os pré-candidatos já possam arrecadar recursos via financiamento coletivo, eles ainda não estão autorizados a pedir votos e também devem obedecer às demais regras relativas à propaganda eleitoral na internet.
Fundo eleitoral ( 16 de junho)
O dia 16 de junho
é a data-limite para o TSE divulgar o montante de recursos disponíveis
no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como
Fundo Eleitoral, observado o recebimento, pelo Tribunal, até 1º de
junho de 2026, da descentralização da dotação orçamentária da União.
Saída dos apresentadores na TV e Rádio (30 de junho)
Em 30 de Junho, encerra o prazo para afastamento de comunicadores.
A partir desta data, é vedado às emissoras de rádio e de televisão
transmitir programa apresentado ou comentado por pré-candidata ou
pré-candidato.
Nos bastidores da
televisão e rádio da Paraíba, as mudanças já aconteceram antes deste
prazo. Entre os comunicadores que se se afastaram de seus programas e
pretendem participar das eleições estão Nilvan Ferreira e Samuka Duarte. Ambos não integram mais a equipe da Sistema Arapuan de Comunicação, grupo que reúne a TV e a Rádio Arapuan, em João Pessoa. A saída desses nomes altera a audiência e a dinâmica dos programas locais.
Fim das nomeações e da Propaganda Institucional
A partir do dia 04 de julho (três meses antes do 1º turno) até a posse dos eleitos,ficam vedadas algumas condutas por parte de agentes públicos, tais como nomeações, exonerações e contratações, além de participação em inauguração de obras públicas. As restrições legais incluem ainda demissão, remoção ou exoneração de servidores na circunscrição do pleito; a realização de transferências voluntárias de recursos entre
entes federativos ( salvo nas hipóteses de obrigação formal
preexistente ou situação de emergência e calamidade pública) ; autorização de publicidade institucional de órgãos públicos (exceto nos casos de grave e urgente necessidade pública reconhecida pela Justiça Eleitoral) e pronunciamentos em cadeia de rádio e televisão.
Com isso, os agentes públicos serão obrigados a retirar
nomes, slogans ou imagens de autoridades em sites oficiais e também não
poderão promover shows artísticos pagos com recursos públicos em
inaugurações. Os candidatos também estarão proibidos de participar de
inaugurações de obras públicas.
Está proibida também a revisão geral de remuneração que ultrapasse a recomposição inflacionária, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública e execução de programas sociais por entidade vinculada a candidato ou por esse mantida.
A fiscalização dessas atividades é realizada pelo Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral)
e se baseia na Lei nº 9.504/1997, norma que estabelece o regime
jurídico para impedir o uso da administração pública em benefício de
candidaturas. Esta Lei compreende que o uso da máquina pública afeta a normalidade do processo,
promovendo desequilíbrio na disputa eleitoral e comprometendo a
igualdade de oportunidades dos candidatos. O descumprimento das normas
pode acarretar sanções como multas, a cassação do registro ou do diploma do candidato beneficiado e a inelegibilidade dos envolvidos. As condutas também podem ser caracterizadas como atos de improbidade administrativa.
Convenções Partidárias ( 20 de julho a 05 de agosto)
Entre os dias 20 de julho e 05 de agosto estão previstas a realização das convenções partidárias,
eventos nos quais os partidos e federações se reunem para deliberar
sobre coligações e definir oficialmente os nomes dos candidatos que
concorrerão aos cargos de presidente e vice-presidente da República,
governador e vice-governador, senador e respectivos suplentes, bem como
aos cargos de deputado federal, estadual e distrital.
É neste momento que as pré-candidaturas se tornam candidaturas de fato.
Atualmente, os partidos na Paraíba realizam articulações para fechar as
chapas de deputados (Estaduais e Federais) e as composições para
governador e senador. E as federações partidárias estão lidando com os
interesses locais para alinhá-los aos interesses nacionais.
Ainda no mês de julho, o TSE publicará, na internet, o número oficial de eleitores aptos a votar. Esse número servirá de base para fins de cálculo do limite de gastos dos partidos e candidatos nas respectivas campanhas.
A partir do dia 20 de julho, partidos e candidatos estarão obrigados a informar os recursos financeiros recebidos nas campanhas. Neste período começa também o prazo para firmar contratos de preparação de campanha e instalação de comitês. Ainda neste mesmo dia, os partidos, candidatos e coligações passam a ter garantia do direito de resposta por conteúdo ofensivo ou falso.
Restrições às emissoras de rádio e TV (04 de agosto)
A partir de 04 de agosto, as emissoras de rádio e de televisão não podem, em sua programação normal e em seu noticiário, ainda que sob a forma de entrevista jornalística:
– Transmitir imagens de pesquisa ou qualquer tipo de consulta popular de natureza eleitoral em que seja possível identificar o entrevistado ou em que haja manipulação de dados;
– Veicular propaganda política;
– Dar tratamento privilegiado a qualquer candidato, partido político, federação ou coligação, inclusive sob a forma de retransmissão de live eleitoral;
– Veicular ou divulgar
filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou
crítica voltada especificamente a candidato, partido, federação ou
coligação, exceto programas jornalísticos ou debates políticos;
– Divulgar nome de programa que se refira a candidato escolhido em convenção.
Registro de Candidaturas (15 de Agosto)
O dia 15 de Agosto é o prazo final para os pedidos de registro das candidaturas à Justiça Eleitoral.
Início da Propaganda Eleitoral (16 de Agosto)
A partir de 16 de agosto,
começa oficialmente a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Com
isso, candidatos podem pedir votos e distribuir santinhos e suas lives
passam a ser consideradas atos de campanha. Os partidos, coligações,
federações e candidatos poderão usar alto-falantes e amplificadores em campanha (até 03 de outubro) e também realizar comícios (até 1º de outubro), carreatas, caminhadas e distribuição de material de campanha (até 03 de outubro).
Na mesma data inicia a propaganda eleitoral paga em jornais (até 02 de outubro) e o impulsionamento pago de propaganda eleitoral na internet (até 1º de outubro).
Prisões
A partir de 19 de setembro (15 dias antes do 1º turno), os candidatos não poderão ser presos, salvo no caso de flagrante delito. Já os eleitores não poderão ser presos a partir de 29 de setembro até 06 de outubro,
a não ser em caso de flagrante delito, em cumprimento de sentença
judicial por crime inafiançável ou desrespeito a salvo-conduto (ordem
judicial preventiva ou documento que garante o direito de ir e vir sem o
risco de ser preso ou detido).
Em caso de segundo turno de votação, a partir do dia 10 de outubro
nenhum candidato que participe desta etapa pode ser detido ou preso,
salvo no caso de flagrante delito. Já o eleitor não poderá ser preso ou
detido a partir do dia 19, salvo em flagrante delito, ou sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou desrespeito a salvo-conduto.
Transporte de armas e munições
Entre os dias 03 e 05 de outubro (um dia antes e até um dia depois do 1º turno), fica proibido a colecionadores, atiradores e caçadores transportar armas e munições em todo o território nacional. Devido a possibilidade de um 2º turno, também não podem circular armas e munições no período de 24 a 26 de outubro no Brasil.
04 de Outubro ( 1º turno)
No dia 04 de outubro de 2026
(primeiro domingo do mês), os eleitores vão às urnas para eleger os
ocupantes dos cargos de presidente da República, governadores, senadores
e deputados federais, estaduais e distritais, no caso do Distrito
Federal. A votação começa às 8h e termina às 17h, de acordo com o
horário de Brasília.
Neste dia, já serão
definidos os nomes dos eleitos para o poder legislativo. Para o poder
executivo, será o 1º Turno das Eleições para os governadores dos Estados
e o(a) presidente da República. Caso aconteça, o 2º turno está previsto para 25 de outubro. A divulgação oficial dos resultados acontece a partir das 17h.
Propaganda eleitoral para 2º turno
A Constituição Federal prevê disputa em segundo turno apenas para presidente da República e governadores .
Em caso de 2º turno das eleições, será veiculada propaganda eleitoral
gratuita nas emissoras de rádio e televisão entre os dias 9 e 23 de outubro.
Justificativa eleitoral
Os eleitores que não votaram no 1º turno e não justificaram a falta no dia das eleições devem apresentar justificativa, até 03 de dezembro de 2026, em qualquer cartório eleitoral, pelo e-Título ou pelos portais do TSE e dos TREs na internet. Já a ausência no 2º turno deve ser justificada até 6 de janeiro de 2027.
Diplomação
Os candidatos eleitos serão diplomados pela Justiça Eleitoral até 18 de dezembro.
A diplomação é o ato de entrega dos diplomas assinados às pessoas
eleitas e aos suplentes. Isso só acontece após a totalização dos votos e
a verificação das pessoas eleitas e passados os prazos de
questionamento e processamento do resultado das eleições.
A partir da diplomação, os candidatos eleitos estão aptos a tomar posse
nos cargos para os quais foram eleitos. No caso das eleições
presidenciais, a assinatura do diploma e a diplomação são feitas pelo
TSE. Já o respectivo tribunal regional eleitoral (TRE) promove a
assinatura dos diplomas e a diplomação dos cargos de governador,
senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital (DF).
Posses
Pela primeira vez, o candidato eleito para o cargo de presidente da República tomará posse em 05 de janeiro de 2027. Os governadores tomam posse no dia seguinte. Já os senadores, deputados estaduais e deputados federais tomam posse no dia 1º de fevereiro de 2027.
A partir de 2027,
a posse do presidente da República e de governadores não acontece no
dia primeiro de janeiro. A mudança foi definida por emenda
constitucional promulgada no ano de 2021 (EC 111/21).
Blog JURU EN DESTAQUE com Polêmica Paraíba - Juliana Cavalcanti
Lula lidera primeiro turno e tem empate técnico com Flávio no segundo, revela pesquisa de intenção de votos para presidente
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (13), mostra o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 39% das intenções de
voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 33%.
“No cenário estimulado de 1º turno, Lula chega a 39% (+2) e Flávio a
33% (+1). Ou seja, a polarização consome 72% das intenções de voto neste
momento”, declarou o diretor da Quaest, Felipe Nunes, ao analisar o
levantamento.
A pesquisa também mostrou que o governo Lula é desaprovado por 49%
dos brasileiros, enquanto tem a aprovação de 46% da população. Outros 5%
dos entrevistados não souberam responder.
Veja os números para o primeiro turno:
Lula (PT): 39%
Flávio Bolsonaro (PL): 33%
Ronaldo Caiado (PSD): 4%
Romeu Zema (Novo): 4%
Renan Santos (Missão): 2%
Augusto Cury (Avante): 1%
Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%
Samara Martins (UP): 1%
Aldo Rebelo (DC): 0%
Hertz Dias (PSTU): 0%
Indecisos: 5%
Branco/nulo/não vai votar: 10%
Segundo turno
No segundo turno, a Genial/Quaest mostra Lula numericamente à frente
de Flávio Bolsonaro: o petista tem 42%, enquanto o senador do PL aparece
com 41%.
Os números mostram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro,
dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para
menos. Além disso, o petista também lidera os três cenários elaborados
pela pesquisa.
Veja os cenários de segundo turno:
Cenário 1
Lula (PT): 42%
Flávio Bolsonaro (PL): 41%
Indecisos: 3%
Brancos/nulos: 14%
Cenário 2
Lula (PT): 44%
Romeu Zema (Novo): 37%
Indecisos: 4%
Brancos/nulos: 15%
Cenário 3
Lula (PT): 44%
Ronaldo Caiado (PSD): 35%
Indecisos: 4%
Brancos/nulos: 17%
Cenário 4
Lula (PT): 45%
Renan Santos (Missão): 28%
Indecisos: 5%
Brancos/nulos: 22%
Pesquisa Genial/Quaest
O levantamento da Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou
mais entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de 2 pontos
percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Justiça Eleitoral cassa prefeita e vice do município de Pitimbu, na Paraíba, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024
A
Justiça Eleitoral da Comarca de Alhandra determinou, nesta quarta-feira
(13), a cassação dos mandatos da prefeita de Pitimbu, Adelma Cristovam,
e do vice-prefeito José Cláudio da Silva por suposto abuso de poder
político e econômico nas eleições municipais de 2024.
A decisão
foi tomada no julgamento de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral
(AIJE) apresentada pelo diretório municipal do Republicanos. Na
sentença, o magistrado entendeu que houve uso da estrutura
administrativa do município para beneficiar eleitoralmente a chapa
vencedora.
De acordo com o processo, a gestão municipal teria
ampliado de forma significativa os gastos com ações assistenciais em
período próximo à eleição, incluindo distribuição de benefícios,
auxílios financeiros e serviços à população.
Os números anexados à
ação apontam que as despesas nessa área cresceram progressivamente nos
últimos anos, saindo de cerca de R$ 147 mil em 2021 para mais de R$ 1
milhão entre 2023 e 2024.
Outro ponto citado na decisão foi a
aprovação, no início de 2024, de um conjunto de leis voltadas à
concessão de benefícios sociais, medida que, segundo o entendimento
judicial, teria influenciado diretamente o cenário eleitoral no
município.
Apesar da cassação, Adelma Cristovam e José Cláudio
ainda podem recorrer da decisão junto ao Tribunal Regional Eleitoral da
Paraíba (TRE-PB).
Após o caso ganhar repercussão, a Prefeitura de
Pitimbu informou, em nota divulgada anteriormente, que recebeu a
investigação com tranquilidade e afirmou que todas as ações da gestão
foram realizadas dentro da legalidade.
Blog JURU EM DESTAQUE com Polêmica Paraíba - Por Gutember Cardoso
Governo Federal anuncia nesta sexta-feira (15) pacote
de investimentos para o São João da Paraíba; o ministro do Turismo promete
valor recorde
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, anuncia na próxima sexta-feira (15) o pacote de investimentos do Governo Federal
para o São João da Paraíba em 2026. O evento está marcado para as 9h30,
na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, localizada no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa.
Antes mesmo do anúncio oficial,
Gustavo Feliciano já antecipou que o volume de recursos destinados aos
festejos juninos será recorde.
A expectativa é que o aporte federal contemple o tradicional São João de Campina Grande,
conhecido nacionalmente como “O Maior São João do Mundo”, além de
outras cidades paraibanas que realizam festividades juninas, incluindo
João Pessoa.
O ministro já havia sinalizado o
investimento durante agenda cumprida na Paraíba no último dia 23 de
abril, quando destacou a intenção do Governo Federal de ampliar o apoio aos eventos culturais e turísticos do estado.
Segundo Gustavo Feliciano, o
objetivo é fortalecer o turismo, movimentar a economia regional e
ampliar a geração de emprego e renda durante o período junino.
Matéria do programa Fantástico, da TV Globo, mostra o controle do crime organizado na cidade de Cabedelo, na Paraíba
Foto: Petrúcio Carlo/PMC
A cidade de Cabedelo, no litoral da Paraíba, está sendo considerada
um “paraíso do Nordeste com câmeras por toda parte”, o que aparentemente
sugere segurança redobrada, mas em reportagem especial levada ao ar na
edição de domingo (10), o programa Fantástico, da TV Globo, mostrou que “o
que parece sinal de segurança significa perigo”. Cabedelo é um destino
turístico da Paraíba que passou a ser monitorado por criminosos a mais
de 2 mil quilômetros de distância.
Segundo a reportagem, a Polícia Federal e o Ministério Público já
realizaram na cidade mais de dez operações para combater a corrupção e o
crime organizado na cidade de mais de 60 mil habitantes, identificando
que o Comando Vermelho se infiltrou em pontos estratégicos da prefeitura
do município.
Ainda conforme a reportagem criminosos ditam regras e interferem na
rotina dos moradores. Cabedelo cresceu entre o mar e o rio, e tudo é
muito perto. A praia colorida é uma atração para os turistas, mas quem
mergulha dentro da cidade encontra uma outra Cabedelo, cheia de
ausências. Há falta de coleta de lixo, falta de asfalto e vielas vazias
onde o silêncio não é de paz.
Nesse cenário, as pessoas têm medo de gravar entrevistas ou falar
sobre o assunto. João Marcos Gomes Cruz Silva, delegado regional de
Polícia Judiciária da PF na Paraíba, afirma que “a cidade de Cabedelo,
infelizmente, ela vive um colapso institucional”. Leonardo Quintans,
procurador-geral de Justiça do MP-PB, complementa: “A sociedade fica
refém, a sociedade perde sua liberdade, a sociedade passa a ser
comandada por esse poder paralelo”.
Segundo as investigações, integrantes do Comando Vermelho monitoram a
rotina de Cabedelo a partir do Rio de Janeiro. De lá, alguém vê tudo.
Áudios obtidos mostram a organização do monitoramento: “ Tem 30 câmeras
geral ”. Um integrante, ao mostrar o monitoramento de câmeras por vídeo,
diz: “Oi, família. Minha visão de cria aqui. Só paz e tranquilidade”.
Para a polícia, trata-se de um “home office do crime organizado”.
O Complexo do Alemão reúne 13 favelas na Zona Norte do Rio e, nas
investigações, um nome aparece com frequência: Flávio de Lima Monteiro, o
Fatoka. Aos 43 anos, ele começou na facção Nova Okaida, na Paraíba, e
depois fundou a Tropa do Amigão, um dos braços do Comando Vermelho no
Nordeste. Contra ele, há 13 mandados de prisão por tráfico, homicídios e
organização criminosa. Fatoka chegou a ficar preso no Presídio de
Segurança Máxima da Paraíba, mas fugiu em setembro de 2018 em uma fuga
em massa de 92 detentos que usaram explosivos. Capturado novamente,
conseguiu uma medida judicial para liberdade com tornozeleira eletrônica
em 2022. No mesmo dia em que o dispositivo foi instalado, ele o rompeu e
fugiu para o Rio de Janeiro.
Mesmo longe, Fatoka continua ditando ordens. Áudios revelam planos de
expansão para o bairro do Bessa, em João Pessoa: “O que está faltando
de nós é ponteamento no Bessa. Aquele quadrado todinho”. O termo
“ponteamento” significa mapear território e eliminar rivais. Com isso,
ele consegue operar as práticas criminosas com tranquilidade e
segurança, diz Quintans.
Nas ruas de Cabedelo, pichações com a abreviatura do nome de Fatoka e
do Comando Vermelho marcam o domínio territorial. Moradores vivem
reféns; imagens mostram grupos de 13 homens armados atravessando ruas e
efetuando disparos para o alto em áreas residenciais. Um criminoso
afirma em vídeo: “Tropa do amigão tá na pista, viu? A minha aqui tá tão
pesada que não consigo levantar a mão direito”.
As câmeras clandestinas, chamadas de “besouros”, são os olhos do
chefe sobre o território. Quando um rival aparece, a ordem é direta:
“Aço nele, demorou”. Em setembro de 2024, um morador gravou um vídeo
após o carro de sua esposa ser atingido por tiros: “Tá aqui ó, marca da
bala, tá vendo? A gente nunca passou por isso. Só peço, pelo amor de
Deus, cara, tem cuidado com os inocentes”. O apelo chegou a Fatoka, que
respondeu por áudio: “Os caras sabem que a gente tá numa guerra, um
carro igual ao dos ‘alemão’, aí, fica andando pra lá e pra cá, uma hora
daquela. Deixar de ser otário”.
A Polícia Militar realiza operações para localizar esses
equipamentos. O tenente-coronel Luiz Antônio, comandante de batalhão da
PM-PB, explica que os criminosos disfarçam as câmeras com fita isolante
em meio aos fios dos postes ou até dentro de canos metálicos pintados.
Maurício Ferraz, ao acompanhar a operação, relatou que as câmeras ficam
em postes, árvores e casas: “Neste momento, em algum lugar, algum
criminoso tá vendo essa movimentação nossa aqui”.
Chico Pinheiro contou que cirurgia teve complicações após diagnóstico descoberto no
início; o ex-apresentador da TV Globo falou sobre internação durante
entrevista
SÃO
PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Chico Pinheiro surpreendeu o público ao
revelar que enfrentou um câncer no intestino e passou semanas internado
após complicações médicas.
O relato foi
feito durante uma conversa com Zeca Baleiro para o programa "Chico
Pinheiro Entrevista", exibido nessa segunda-feira (11).
Ao longo da
entrevista, o jornalista contou que inicialmente não pretendia falar
publicamente sobre o assunto, mas acabou compartilhando a experiência ao
comentar o impacto emocional que a música teve durante o período de
recuperação.
Segundo ele, o
diagnóstico aconteceu ainda em estágio inicial, o que trouxe esperança
de um tratamento menos complicado. A expectativa era de que a cirurgia
fosse rápida, utilizando técnica robótica, com poucos dias de
internação.
"O câncer estava no começo e parecia algo relativamente simples", explicou.
No entanto,
após o procedimento, surgiram complicações inesperadas. Chico relatou
que desenvolveu uma aderência intestinal, precisando passar por uma nova
operação. A situação levou o jornalista à UTI, onde permaneceu
internado por vários dias.
"Passei uns
belos dias na UTI", afirmou durante a conversa. O ex-apresentador do Bom
Dia Brasil também contou que viveu um período de forte reflexão durante
a recuperação. Segundo ele, ouvir músicas de Zeca Baleiro se tornou uma
espécie de conforto emocional enquanto enfrentava o tratamento.
"A música
dele ficou muito presente na minha cabeça naquele momento", relatou.
Chico explicou ainda que a experiência mudou sua percepção sobre
paciência e vulnerabilidade. "Você entra no hospital como doente. Para
virar paciente, precisa aprender a ter paciência para os médicos
trabalharem", disse.
Chico
Pinheiro deixou a TV Globo em 2022, após mais de três décadas na
emissora. Ao longo da carreira, se tornou um dos rostos mais conhecidos
do jornalismo brasileiro, especialmente no comando do Bom Dia Brasil,
além de passagens pelo SPTV e pelo Jornal da Globo.
O jornalista
ficou marcado também pelos bordões que costumava repetir no encerramento
dos telejornais, como "Graças a Deus é sexta-feira" e "Coragem, porque é
segunda-feira".
Excluindo a teoria do acidente de automóvel sofrido há 50 anos, relatório da Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado
BBC News
Juscelino Kubitschek recebeu Fidel Castro no Palácio da Alvorada em 1959 - (crédito: Arquivo Nacional) - X
Às vésperas do cinquentenário da morte de Juscelino Kubitschek (1902-1976), um documento pode finalmente dar destino aos mistérios que sempre rondaram a morte do ex-presidente.
Um relatório elaborado pela Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) chegou a uma conclusão com potencial para se tornar "a mais importante ação ilegal perpetrada pela ditadura".
Com 5 mil páginas, o documento deve confirmar que o acidente sofrido por Kubitschek a bordo de um Opala na rodovia Presidente Dutra teria sido, na verdade, um assassinato, planejado e executado por agentes do regime ditatorial que comandava o país desde o golpe de 1964.
A revelação é a principal conclusão do documento elaborado pela CEMDP, instituição vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos, após análises realizadas nos últimos dois anos. E foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo na sexta-feira (8/5) e confirmada pela BBC News Brasil.
O teor do relatório, que ainda precisa ser aprovado em uma reunião a ser agendada em breve pela CEMDP, dá uma nova dimensão à violência com que o regime de exceção tratava seus opositores no período.
"Um ex-presidente assassinado não é pouca coisa. Ele se tornaria a vítima mais célebre da ditadura", diz o historiador Rodrigo Patto Sá Motta, professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ex-presidente da Associação Nacional de História (ANPUH) e autor de, entre outros livros, Passados Presentes: O Golpe de 1964 e a Ditadura Militar (Zahar). "Não há precedente nem paralelo na História do Brasil."
Conforme a reportagem apurou, caso o relatório da CEMDP seja aprovado, o passo seguinte deve ser a retificação da certidão de óbito do ex-presidente, a exemplo do que já ocorreu com outras figuras notáveis que, nos últimos anos, tiveram suas mortes confirmadas como execuções causadas pelo Estado brasileiro, casos da estilista Zuzu Angel (1921-1976) e do engenheiro e político Rubens Paiva (1928-1971).
Figura popular
Além do peso simbólico e institucional representado pelo assassinato de um ex-chefe de Estado, historiadores avaliam que há duas características a serem observadas sobre o provável assassinato de Kubitschek. Em primeiro lugar, o fato de que ele não era um militante de esquerda, muito menos um extremista — contrariando, portanto, a narrativa de que a ditadura só teria sido letal contra seus mais violentos detratores.
"Ele não era radical, não era comunista. Isso amplia o leque de uma visão sobre o passado que, no momento atual, ganha outra dimensão", afirma o historiador Victor Missiato, pesquisador no Instituto Presbiteriano Mackenzie — o pesquisador estudou as relações civis-militares no governo e a atuação de movimentos comunistas em seu mestrado e em seu doutorado, ambos defendidos na Universidade Estadual Paulista (Unesp).
O outro ponto seria o papel que Kubitschek desempenhava na época — e por que o ex-presidente era visto como um inimigo a ser combatido pela ditadura.
Presidente do Brasil de 1956 a 1961, ele ocupava uma cadeira no Senado e era visto como um nome forte para voltar a ocupar a presidência da República quando o golpe de 1964 alçou os militares ao poder. Naquele momento, foi um dos que apoiou o processo.
Logo em seguida, contudo, passou a ser acusado pelos militares de corrupção e de ter ligação com comunistas. Teve seus direitos políticos cassados. Voluntariamente exilou-se e, por dois anos, percorreu Estados Unidos e Europa. No retorno ao Brasil, em 1967, tornou-se uma voz pública contra o regime autoritário que comandava o país.
Juscelino Kubitschek recebeu Fidel Castro no Palácio da Alvorada em 1959 - Arquivo Nacional
"Por ser uma figura de apelo popular, [os militares entendiam que ele] poderia atrair apoio de parte da população contra a própria ditadura", explica o cientista político Paulo Nicolli Ramirez, professor na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
Ramirez acrescenta que, "caso o Brasil retornasse à democracia", o ex-presidente seria "um nome muito forte".
"Tratou-se primeiro de cassar seus direitos políticos e depois, matar. Porque a ditadura estava de olho em figura que pudessem representar qualquer ameaça ao regime, seja durante a vigência desse, seja após o seu fim", avalia o cientista político.
"Matá-lo seria uma forma de afastá-lo desse processo [de futura redemocratização]", explica Sá Motta.
Um acidente mal-explicado
Kubitschek morreu em acidente automobilístico em 22 de agosto de 1976 quando o Opala conduzido por seu motorista, Geraldo Ribeiro, se desgovernou, atravessou o canteiro central da Rodovia Presidente Dutra, na altura do quilômetro 165, e, na contramão, se chocou com uma carreta. O motorista também morreu.
Na ocasião, as investigações apontaram para um acidente normal de trânsito, em que Ribeiro teria perdido o controle do carro depois de tentar ultrapassar um ônibus. Em 2014, quando a Comissão Nacional da Verdade analisou o episódio, a conclusão foi semelhante.
O caso foi reaberto depois que o Ministério Público Federal (MPF) decidiu investigar novamente a história. Entre 2013 e 2019, documentos, imagens e laudos foram analisados mais uma vez. O motorista do tal ônibus prestou depoimento e relevou ter recebido uma oferta em dinheiro na época para assumir a culpa pelo acidente — ele foi processado por homicídio culposo (em que não há a intenção de matar) e absolvido.
Esse novo inquérito contou com um minucioso laudo preparado pelo engenheiro Sergio Ejzenberg, perito e especialista em transportes. O documento, ao qual a BBC News Brasil teve acesso integral, foi conclusivo: o ônibus não trafegava em excesso de velocidade e não teve qualquer participação causal nos fatos.
"Excluída a participação do ônibus […] no evento, restou inexplicada pelos laudos […] a causa da passagem do automóvel Opala para a pista oposta, e também restou inexplicada a rota de colisão do automóvel, sem frenagem, apontada pelos peritos criminais […]. Isso tudo ocorreu em trecho retilíneo, após o Opala ter trafegado sem problema por duas curvas fechadas imediatamente precedentes", diz o texto de Ejzenberg. "Essa questão central foi ignorada nos laudos […] de 1976 e 1996".
O perito concluiu que a investigação sobre possível sabotagem no automóvel acabou sendo "inviabilizada", já que o veículo foi desmantelado "enquanto estava guardado no pátio da Delegacia de Polícia de Resende", para onde foi levado após o acidente -- isso implicou em "perda das provas relevantes para o estudo dessa questão", pontua.
Juscelino Kubitschek morreu em acidente automobilístico em 22 de agosto de 1976 na rodovia Presidente Dutra - Getty Images
A Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) decidiu reabrir a investigação da morte de Kubitschek por causa disso. O pedido foi feito pelo ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, o político Gilberto Natalini.
Relatora do novo documento, a professora no Centro Universitário Claretiano, a historiadora Maria Cecília Adão foi procurada pela reportagem e disse que não poderia fazer comentários porque o texto "está em fase de liberação", sem prazo para ser aprovado pelos pares. A CEMDP é um órgão de Estado criado em 1995 para lidar com os legados da ditadura.
Em nota, datada de 8 de maio, a comissão informou que o trabalho conduzido por Adão é resultado de estudo feito "de forma articulada com pesquisadores do tema" e que o texto foi apresentado aos demais integrantes da CEMDP no dia 1º de abril. A votação ainda não tem data marcada para ocorrer.
"A CEMDP reforça seu compromisso com o diálogo permanente com as famílias de vítimas de violência de Estado, que têm sido e serão sempre protagonistas na busca por memória, verdade e justiça", destaca o texto.
Revisão jurídica
Professor na Universidade de São Paulo (USP), o jurista Gilberto Bercovici elaborou um parecer em 2014 sobre uma possível reviravolta no caso envolvendo a morte de Kubitschek. Segundo seu entendimento, em casos de graves violações de direitos humanos praticados pelo Estado deve haver uma inversão do ônus da prova em favor das vítimas.
No juridiquês, isso significa que diante de assimetria de poder e da destruição ou ocultação de provas pelo próprio Estado, não é razoável exigir que as vítimas ou seus familiares comprovem plenamente os crimes.
Esse parecer é um dos documentos considerados na avaliação do caso. À reportagem, o jurista afirmou que soube que seus pontos "foram acolhidos" pela comissão.
Membro da comissão de direito eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e diretor do Instituto Luiz Gama, o jurista Renato Ribeiro analisa a importância do trabalho da CEMDP como de "forte peso institucional, histórico e político".
"Caso o relatório seja aprovado formalmente, haverá uma mudança significativa na narrativa oficial do Estado brasileiro sobre a morte de Kubitschek", ressalta. "Isso pode gerar desdobramentos como revisão de registros oficiais, reabertura de procedimentos administrativos e históricos, ampliação de políticas de reparação e novos pedidos de acesso a arquivos militares."
Ribeiro atenta para o fato de que essa interpretação, se oficializada, pode "reforçar a responsabilidade civil e histórica do Estado brasileiro", não envolvendo apenas "eventual indenização financeira, mas também dever de memória, preservação documental, reconhecimento público e reparação moral coletiva".
O caso de JK entra no escopo do que convencionou se chamar "justiça de transição" - Arquivo Nacional
"No plano institucional, o impacto é ainda maior porque envolve a figura de um ex-presidente da República morto em circunstâncias historicamente controversas", diz o jurista, lembrando que "em tese, crimes contra a humanidade são imprescritíveis segundo a jurisprudência internacional de direitos humanos" e esse foi o entendimento adotado pela Comissão Nacional da Verdade.
No entanto, Ribeiro lembra que, em casos correlatos, o Supremo Tribunal Federal (STF) mantém "posição relevante" favorável à validade da Lei da Anistia de 1979, que perdoou crimes políticos cometidos entre 1961 e 1979, permitindo o retorno de exilados mas também protegendo agentes que praticaram tortura.
Isto, na visão do especialista, "cria tensão entre a jurisprudência internacional e o entendimento interno brasileiro".
Mas punir os envolvidos não seria tarefa fácil. "Há uma dificuldade prática evidente: quase cinquenta anos se passaram desde a morte do ex-presidente e muitos dos eventuais envolvidos já faleceram", pontua. "Isso reduz a possibilidade concreta de responsabilização penal individual. Ainda assim, investigações históricas, reconhecimento oficial de autoria institucional e identificação de estruturas repressivas eventualmente envolvidas continuam juridicamente possíveis."
O caso entra no escopo do que convencionou se chamar "justiça de transição". Neste caso, como explica o jurista, a reparação não é apenas patrimonial. "Muitas vezes, o principal efeito jurídico é simbólico e institucional, como retificação oficial da causa da morte, reconhecimento público da responsabilidade estatal e revisão histórica promovida pelo próprio Estado brasileiro", afirma.
Repercussões
Um dos maiores especialistas no período ditatorial, o historiador Daniel Aarão Reis, professor na Universidade Federal Fluminense e autor de, entre outros Ditadura Militar, Esquerdas e Sociedade (Zahar), comenta que ainda tem "dúvidas a respeito da confirmação do suposto assassinato" de Kubitschek, pois o relatório, em princípio, faz uma "recuperação" de pareceres "já formulados" — e não "uma nova investigação".
Por outro lado, ele concorda que, caso a morte do ex-presidente seja "definitivamente estabelecida como assassinato", esta seria, ao lado da execução do ex-guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969), "a mais importante ação ilegal perpetrada pela ditadura".
Reis argumenta que Kubitschek, assim como o ex-presidente João Goulart (1919-1976) e o jornalista e político Carlos Lacerda (1914-1977) — também mortos em situações mal-explicadas —, era um homem que "a rigor não representava perigo nenhum para a ordem social e política do país".
"Entretanto, este não era o ponto de vista dos órgãos de segurança", acrescenta ele, citando o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), que chama de "sinistro sistema organizado".
"Para esses órgãos, os três políticos citados, por serem contrários à permanência indefinida da ditadura, teriam de sair do caminho. Em outras palavras, deveriam ser eliminados", aponta o historiador.
Para Reis, se o assassinato de Kubitschek for comprovado, o passo seguinte seria descobrir se "houve ordens de cima para baixo" ou se agentes conduziram a trama de forma autônoma.
Ainda que seja confirmado o relatório com a tese do assassinato, punir os envolvidos não será tarefa fácil - Arquivo Nacional
"Caso isso tudo seja comprovado, certamente estaremos diante de um fato gravíssimo e inédito na história do país", sentencia. "E uma lição a respeito de que situações podem ser criadas quando o Estado cria instituições desse tipo."
O historiador Missiato acredita que essa revisão da historiografia, se confirmada, "teria um impacto gigantesco", pois a suposta vítima seria uma das principais lideranças políticas do país no século 20.
Mas ele é cauteloso porque acredita que seriam necessários depoimentos de envolvidos para confirmar se houve ou não um assassinato. Do contrário, argumenta Missiato, o que o relatório trará é uma "reinterpretação baseada na conjuntura atual", na forma como hoje se olha para esse passado. "De qualquer forma, passaremos a ver o regime militar de outra forma", diz.
A provável aprovação do relatório nas próximas semanas será desses episódios com força para reescrever um capítulo importante da história do país. Para o cientista político Ramirez, é o que faltava para "comprovar a capacidade das ditaduras de produzir atos terroristas de Estado contra figuras que pudessem colocar em risco suas existências".
"E a descoberta desse assassinato mancha a imagem dos militares brasileiros mais uma vez", ressalta ele. "É o auge de onde eles chegaram: matar ex-autoridades públicas, sem nenhum escrúpulo."
Sá Motta lembra que tal confirmação coloca a ditadura brasileira em posição semelhante a regimes como o chileno — com a morte do presidente Salvador Allende (1908-1973) — e o boliviano — com o assassinato do ex-presidente Juan José Torres Gonzáles (1920-1976).
"Mas é difícil provar [que houve assassinato]", comenta o historiador. "O que se prova é que não foi uma trombada contra um ônibus. Mas não se prova que teria sido uma ação [provocada para causar a morte do ex-presidente brasileiro]."
"O que não tenho dúvida é que ele poderia ser assassinado a mando da ditadura, porque eles faziam muito isso. Em vários casos simularam acidentes para não configurar assassinato", acrescenta Sá Motta.
Para o historiador, mesmo após esse relatório, "vale a pena tentar investigar mais" o caso, em busca de outras evidências. "A única maneira de esclarecer seria com depoimentos [de potenciais envolvidos]", salienta. "Mas até hoje não apareceram."
Em relatório que reúne mais de 5 mil páginas, Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos diz que Juscelino Kubistchek pode ter sido assassinado
O veículo Opala que conduzia JK ficou destruído após invadir a faixa contrária e colidir frontalmente com um caminhão.
A menos de quatro meses dos 50 anos da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, um novo relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos aponta que ele pode ter sido assassinado pela ditadura militar, contrariando a versão oficial de acidente de trânsito sustentada por décadas. O documento reúne mais de 5 mil páginas e será analisado pelos conselheiros do colegiado nas próximas semanas.
Segundo integrantes da investigação, os indícios considerados no relatório incluem suspeitas de sabotagem no veículo, possíveis falhas nas perícias realizadas durante o regime militar e relatos de perseguição política contra JK nos anos finais da ditadura. Pesquisadores ligados ao caso afirmam que os elementos reunidos são “avassaladores” e reforçam a tese de crime de Estado.
A conclusão representa uma reviravolta em um dos episódios mais controversos da história política brasileira. Até hoje, investigações oficiais anteriores, incluindo a Comissão Nacional da Verdade, haviam mantido o entendimento de que a morte ocorreu em um acidente automobilístico na Via Dutra, em 1976.
Blog JURU EM DESTAQUE com Diário do Poder - Rodrigo Vilela
Governo Federal diz ter recebido decisão do bloco europeu com surpresa e marcará reunião com autoridades europeias para tentar reverter a medida
A medida europeia deve entrar em vigor em 03 de setembro de 2026 - (crédito: Freepik)
O governo brasileiro afirmou nesta terça-feira (12/05) que vai tentar reverter a decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para o bloco europeu. A medida europeia deve entrar em vigor em 03 de setembro de 2026.
Em nota conjunta, o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disseram ter recebido a decisão “com surpresa” e afirmaram que o país adotará “todas as medidas necessárias” para assegurar a continuidade das exportações brasileiras ao mercado europeu.
Segundo o comunicado, o chefe da delegação brasileira junto à União Europeia já tem uma reunião agendada para esta quarta-feira (13/05) com autoridades sanitárias do bloco europeu. O objetivo do encontro será buscar esclarecimentos sobre os motivos da exclusão do Brasil da lista de exportadores autorizados.
A decisão da
União Europeia foi tomada após votação no Comitê Permanente para
Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia. O bloco
justificou a medida com base em regras relacionadas ao controle do uso
de supostos antimicrobianos na pecuária.
Apesar da decisão, o governo ressaltou que as
exportações brasileiras seguem ocorrendo normalmente e que as restrições
só passam a valer a partir de setembro.
Na nota oficial, o governo também defendeu o sistema
sanitário nacional e destacou o histórico das exportações agropecuárias
brasileiras. Segundo o comunicado, o Brasil possui um sistema sanitário
“robusto e de qualidade internacional reconhecida” e fornece produtos
agrícolas ao mercado europeu há cerca de 40 anos.
Os parabéns especiais do Blog JURU EM DESTAQUE desta terça-feira, 12 de maio, são para a professora Sineide Araújo e sua linda netinha, Letícia, filha de Oto e Janaina
Parabéns, Letícia e Sineide! Quando o amor é incondicional, ele vem em dose dupla: dupla alegria, dupla esperança e bênçãos dobradas. Que Deus as ilumine com muita saúde e venturosos anos de vida. Feliz aniversário!
O
cantor Leonardo revelou detalhes do acidente que sofreu durante uma
pescaria no Pantanal e explicou o motivo de ter aparecido com o rosto
machucado nas últimas semanas. O sertanejo contou que sofreu uma queda
dentro de uma canoa após escorregar enquanto estava alcoolizado.
A situação
havia sido exposta anteriormente por Poliana Rocha, esposa do artista,
que mostrou nas redes sociais o cantor com os olhos inchados e
arroxeados. Na época, ela afirmou apenas que Leonardo havia caído e
batido o rosto.
Agora, em entrevista ao programa Melhor da Tarde, exibido nesta segunda-feira (11), o cantor explicou o que realmente aconteceu.
“Caí com a
cara no chão, na canoa. Estava no Pantanal pescando. Escorreguei em uma
garrafa. Estava bêbado. Vou mentir para quê?”, afirmou Leonardo durante a
conversa.
Segundo o
sertanejo, o impacto foi tão forte que ele sofreu uma fratura na região
acima dos olhos. Ele contou que percebeu a gravidade do ferimento já no
dia seguinte ao acidente.
“No outro dia amanheceu do tamanho de uma jaca. Fraturei em cima do olho. Fui cedo ao médico”, disse.
Leonardo
relatou que realizou uma tomografia e descobriu que havia trincado um
osso do rosto. Apesar da suspeita inicial de uma possível cirurgia, o
tratamento acabou sendo apenas conservador.
O cantor
afirmou que já está recuperado, embora ainda apresente um leve inchaço
em um dos olhos. Durante a recuperação, ele precisou ficar cerca de 15
dias sem consumir bebida alcoólica e também sem praticar futevôlei.