Na mesa dos brasileiros, especialmente durante a Semana Santa, o bacalhau
é presença quase obrigatória. Mas você já parou para se perguntar como
esse peixe, que nem é nativo do Brasil, se tornou o símbolo culinário da
Sexta-feira Santa?
Tradição religiosa sem carne
Desde
criança você deve escutar da sua mãe que na Sexta-feira Santa não se
come carne. Um dos dias mais importantes para os cristãos, a Sexta-feira
Santa marca a crucificação de Jesus Cristo.
Segundo
a tradição católica, é um dia de jejum, oração e reflexão. Durante esse
período, a Igreja orienta que os fieis se abstenham de comer carnes
vermelhas, consideradas um símbolo de festa e celebração —algo
inadequado para uma data de luto.
Nesse contexto, os frutos do mar se tornaram uma alternativa, e o bacalhau, especialmente, ganhou destaque.
Influência portuguesa
O bacalhau chegou ao Brasil com os portugueses,
que já tinham o hábito de consumir o peixe salgado e seco desde a Idade
Média. Por ser fácil de conservar e transportar, tornou-se um alimento
prático para longas viagens marítimas, o que inclui, claro, o período
das grandes navegações e a colonização do Brasil.
Com
o tempo, o bacalhau se incorporou à cultura alimentar brasileira,
principalmente nas datas religiosas herdadas da tradição católica
portuguesa, como a Páscoa e a Sexta-feira Santa.
Embora seja tradicionalmente associado a pratos mais elaborados, o peixe também ganhou novas versões no Brasil.
Cada
família tem sua receita favorita, passada de geração em geração.
Algumas com azeitonas, outras com ovos, batatas, maionese ou até leite
de coco, dependendo da influência cultural de cada região.
Memória afetiva
Mais
do que uma exigência religiosa, o bacalhau virou símbolo de união
familiar, de comida de casa cheia, de lembranças de infância. Mesmo quem
não segue os ensinamentos da Igreja Católica costuma manter a tradição
por carinho, costume ou pelo simples prazer de reunir a família em torno
da mesa.
Seja por devoção, tradição ou simplesmente pelo sabor único, o bacalhau
conquistou seu lugar na culinária brasileira. E a cada Sexta-feira
Santa, ele segue reunindo pessoas, contando histórias e mantendo viva
uma herança cultural que atravessa séculos.
Blog JURU EM DESTAQUE com viva.com.br - Por Beatriz Duranzi