Teerã
classifica ultimato do presidente Donald Trump como "infundado" e
adverte sobre resposta mais forte se alvos civis do país forem atingidos
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| O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em 24 de março • Chip Somodevilla/Getty Images |
O
prazo final estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, para que o Irã feche um acordo e abra o Estreito de Ormuz — ou
será fortemente bombardeado e enfrentará o “inferno” — está se
esgotando.
Trump
definiu as 20h (horário do leste dos EUA), 21h em Brasília, desta
terça-feira (07) (3h30 da manhã de quarta-feira (08), horário de Teerã)
como o prazo final para um acordo.
No entanto,
ele já fez ultimatos semelhantes em diversas ocasiões nas últimas
semanas, adiando o prazo a cada vez. E a ameaça é altamente controversa,
com muitos apontando que atacar infraestrutura civil configura crime de
guerra.
Entenda o cenário atual.
Relembre o que Trump disse
O presidente
estabeleceu o prazo em uma publicação na rede Truth Social no domingo
(5), após divulgar uma mensagem repleta de palavrões, renovando as
ameaças de bombardear infraestruturas iranianas importantes caso Teerã
não abra o Estreito de Ormuz – um ponto de estrangulamento crucial no comércio global de energia.
Falando novamente na segunda-feira (06), Trump afirmou que os EUA têm um plano segundo o qual todas as pontes e usinas de energia do Irã
poderiam ser destruídas até a meia-noite desta terça-feira. "Quero
dizer, demolição completa até meia-noite", disse o líder americano.
Ele já havia ameaçado atingir outras infraestruturas iranianas, incluindo poços de petróleo e usinas de dessalinização de água.
Resposta do Irã
Até o momento, Teerã respondeu publicamente com desafio, com um comandante militar classificando as ameaças de Trump como “infundadas” e “delirantes” nesta terça-feira.
“Se os
ataques contra alvos não civis se repetirem, nossa resposta retaliatória
será muito mais enérgica e em uma escala muito maior”, alertou Ebrahim
Zolfaqari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya,
utilizado pelas forças armadas iranianas.
Na
segunda-feira, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã
instou os americanos a responsabilizarem seu governo pelo que descreveu
como uma "guerra injusta e agressiva" contra o Irã.
Ameaça de Trump seria um crime de guerra?
Atacar
infraestruturas civis críticas pode ser considerado um crime de guerra.
Objetos indispensáveis à sobrevivência de uma população – incluindo
estações de tratamento de água – são proibidos como alvos militares
pelas Convenções de Genebra.
A
infraestrutura poderia ser considerada um alvo válido se tivesse dupla
utilização pelas forças armadas do Irã. Mas Trump ameaçou não apenas
explodir algumas usinas de energia do Irã; ele ameaçou explodir todas
elas.
“Há muitos
ex-advogados militares e juristas que têm hesitado em afirmar que
qualquer bombardeio contra infraestrutura civil constitui um crime de
guerra, porque existem casos em que isso é permitido. Mas a retórica do
presidente neste fim de semana, para mim e acredito que para muitos
outros, mudou nossa opinião sobre isso”, disse Margaret Donovan,
ex-advogada do Corpo Jurídico do Exército dos EUA.
“Estamos testemunhando basicamente uma ameaça direta a algo que sabemos que será catastrófico para os civis.”
Diversos
países entraram em contato com o governo Trump em caráter privado para
alertá-los sobre tais ataques, mas a maioria até agora evitou repreender
publicamente o presidente americano.
Entre eles,
estão algumas nações do Golfo que agora temem que o Irã possa atacar sua
infraestrutura civil em retaliação, segundo fontes regionais.
O governo
Trump minimizou essas preocupações, com a Casa Branca afirmando na
semana passada que os EUA "sempre" seguiriam o direito internacional.
Questionado
sobre o assunto na segunda-feira (06), Trump disse que não estava
preocupado e que o verdadeiro crime de guerra era "permitir que o Irã
tivesse uma arma nuclear".
Teerã já
acusou os Estados Unidos e Israel de atacarem infraestrutura civil, com o
bombardeio da importante ponte B1, nos arredores da capital iraniana,
na sexta-feira (3), e a usina nuclear de Bushehr, no Irã, sendo atingida por projéteis diversas vezes nas últimas semanas.
Como estão as negociações?
Trump afirmou na segunda-feira que o Irã é um "participante ativo e disposto" nas negociações para um possível fim da guerra e que as conversas com os intermediários estão "indo bem".
A CNN
noticiou anteriormente, também na segunda-feira, que Paquistão, Egito e
Turquia têm atuado como mediadores entre os EUA e o Irã, mas que as
negociações indiretas foram interrompidas na semana passada e que os
esforços para um encontro presencial parecem ter chegado ao fim.
Mas os
esforços diplomáticos encontraram um grande obstáculo na segunda-feira,
depois que nenhum dos lados concordou com uma proposta de última hora
para um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz,
elaborada por países que trabalham para pôr fim à guerra.
Trump chamou
a proposta de um “passo significativo”, mas disse que “não é
suficiente”, acrescentando que ele é a única pessoa que pode determinar
se haverá um cessar-fogo.
Enquanto isso, o Irã rejeitou a proposta, afirmando que uma pausa nos combates permitiria que os adversários se preparassem para a continuação do conflito.
Segundo a
mídia estatal iraniana, Teerã enviou uma resposta de dez pontos, pedindo
o fim permanente da guerra “de acordo com as considerações do Irã”.
Blog JURU EM DESTAQUE com CNN Brasil - Jessie Yeung, da CNN