Relatório da Polícia Federal apontou indícios de que
a saída de Lulinha do Brasil para a Europa poderia configurar uma
tentativa de fuga
Agência O Globo
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| Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Em meio à apreensão no governo sobre um eventual pedido de
prisão, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ligou para o pai, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada para falar,
segundo aliados do petista, sobre a sua situação e a permanência na
Espanha, onde vive. Relatório da Polícia Federal (PF) apontou indícios
de que a saída de Lulinha do Brasil para a Europa poderia configurar uma
tentativa de fuga.
Em meio à tensão do Palácio do Planalto com o
caso e a revelação da proximidade de Lulinha com Antônio Carlos Antunes,
o Careca do INSS e um dos protagonistas do escândalo, a defesa de Fabio
Luís o colocou à disposição para prestar depoimento.
Interlocutores
de Lulinha dizem que o filho do presidente estava procurando imóveis em
Madri para morar desde 2023, quando chegou a viajar ao país para ver
casas para morar.
Segundo a defesa de Fábio, ele estava com pré-matricula dos
filhos encaminhada em 2024, quando se mudou para a Espanha com a
família, cerca de um ano antes da operação contra o fraudes do INSS ser
deflagrada.
Em relatório da PF enviado ao gabinete do ministro
André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF aponta a
possibilidade de evasão do país. Fabio Luís já teve o seu sigilo
quebrado após ordem de Mendonça.
“Do ponto de vista investigativo,
asseveramos que Lulinha viajou para o exterior, sem previsão de volta, o
que denota possível evasão do País, considerando estar associado aos
fatos associados ao principal operador das fraudes bilionárias (Careca
do INSS) a milhões de aposentados do Brasil”, diz trecho do relatório da
PF.
De acordo com interlocutores de Fábio Luis, Lulinha teve a
iniciativa de telefonar para o pai com o objetivo de falar sobre as
circunstâncias do planejamento da sua mudança e da permanência na
Espanha.
Lula tinha conhecimento da mudança de Fábio Luis, sua
esposa e os filhos para o Espanha, em meados de 2024, e tratava do
assunto de forma reservada até entre pessoas próximas.
Em ligações
anteriores, segundo aliados, Lula teria dito a Fábio Luís que desse
todas as explicações para as autoridades e que tratasse de se defender.
— A tese de que ele teria morar ido morar em Madri para fugir
da investigação é pirotécnica, fantasiosa e indecente. Ele estabeleceu
tratativas com Madri a partir de 2023, em 2024 já tinha procurado
imóveis, estava com pré-matrícula praticamente encaminhada. Se há
departamento de inteligência em algum órgão, não funcionou, porque não
detectou esse movimento — argumenta o advogado de lulinha, Marco Aurélio
de Carvalho.
Como mostrou O GLOBO, aliados de Lula tem defendido
que o filho do presidente retorne ao Brasil antes de ser chamado pela
Polícia Federal para depor, com o argumento de que Lulinha deveria se
antecipar à ordem e retornar ao Brasil para evitar que a oposição use
como arma política durante a corrida eleitoral o fato de filho
investigado de Lula morar no exterior.
A apuração de suspeitas de
ligações do Lulinha com personagens das fraudes no INSS é uma das
principais apostas da oposição para desgastar o presidente.
A defesa de Lulinha já admitiu ao STF que o filho do presidente que
fez uma viagem a Portugal ao lado “careca do INSS”. A viagem teria sido
custeada por Antônio Carlos Antunes, segundo relatos já reunidos no
inquérito e a própria defesa de Lulinha.
A defesa de Lulinha
afirma que o deslocamento teve caráter pontual e sem relação com o
esquema investigado. Segundo a defesa, a viagem a Portugal teria
ocorrido em novembro de 2024 com a intenção de que o empresário
conhecesse uma fábrica de produtos com base em canabidiol, mas não gerou
vínculos comerciais ou negociações.
A defesa de Lulinha também
alega que ele ofereceu mostrar suas contas antes mesmo do pedido de
quebra de sigilo do INSS e aponta que sua movimentação financeira não
tem qualquer relação com a fraude no instituto.
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