sábado, 30 de maio de 2026

Comissão conclui que JK foi assassinado pela ditadura militar

Relatório mostra inconsistências na versão apresentada pelo governo brasileiro em 1976 e atribui óbito de Juscelino Kubitschek ao Estado


Brasil, Resende, RJ. 24/08/1976. Automóvel acidentado de Juscelino Kubitschek, nas proximidades de Resende no Rio de Janeiro. Pasta: 48701 - Crédito:ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Codigo imagem:18470  • ARQUIVO

A CEMDP (Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos) finalizou nesta sexta-feira (29) a votação sobre a revisão da morte de Juscelino Kubitschek e concluiu que o presidente foi morto pela ditadura militar em 1976.

O texto apresentado pela relatora Maria Cecília Adão foi aprovado por seis votos e uma abstenção e passa a substituir oficialmente a versão de que JK não foi morto em um acidente de carro, como apontava a versão oficial à época.

Durante entrevista coletiva realizada na tarde desta sexta no Ministério Público Federal, em São Paulo, a Comissão informou ainda que o registro de óbito do político  vai ser alterado para incluir "morte responsável pelo Estado" como causa oficial.

Apesar de o inquérito sobre a morte de JK ter avançado nos últimos meses, a família do ex-presidente mineiro informou que não deseja mais seguir com as investigações. 

O relatório de mais de mil páginas fala que "Juscelino Kubitschek foi cassado e perseguido pela ditadura militar". Além disso, o texto também aponta que a percepção e os discursos dos militares da época eram de que o ex-presidente seria um "inimigo" com grandes chances de vencer as eleições de 1965.

"A percepção ou o discurso público dos militares e dos órgãos de comunicação a eles ligados era a de que Kubitschek seria um inimigo, discursivamente tratado como agente da 'infiltração comunista', 'varguista', 'aliado de Jango'. Além disso, para os militares, Juscelino Kubitschek era candidato fortíssimo à próxima campanha presidencial, que ocorreria em 1965. Juscelino Kubitschek venceria as eleições: era necessário que o golpismo o removesse da frente", destaca o documento.

O documento conclui que houve fraude na perícia realizada à época, que sofreu alterações na cena da morte e nos laudos médicos, e que JK sofreu várias ameação de morte e tentativas de neutralização antes do crime.

Confira as principais conclusões da investigação:

  • Assassinato desenvolvido por meio de ameaças de "acidentes", o impedimento de pouso com avião em pane, a execução de planos para eliminação de adversários políticos, como o Plano Parasar e as operações "Condor" e "Código 12", além de uma tentativa de atropelamento no Leblon (RJ);
  • O assassinato foi avisado por Armando Falcão e Roberto Marinho em fevereiro de 1976;
  • A notícia "JK morto na Dutra" foi veiculada duas semanas antes da morte;
  • Assassinato concretizado no dia 22 de agosto de 1976;
  • A morte foi ocultada pela perícia fraudulenta da ditadura;
  • Ao todo, o relatório identificou 37 fraudes nas investigações originais.

Entenda o caso

Uma nova investigação feita pela CEMDP retomou a discussão sobre as circunstâncias da morte de JK e de Geraldo Ribeiro ao apontar que os dois foram assassinados pela ditadura militar. O documento contraria a versão oficial, defendida pela Comissão Nacional da Verdade em 2014, de que o ex-presidente e o motorista morreram em um acidente de carro.

Detalhes da nova investigação, da relatora Maria Cecília Adão, não foram revelados. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, o estudo está em processo de avaliação.

"As decisões sobre o reconhecimento ou não de desaparecidos políticos são votadas em reuniões da CEMDP e aprovadas por maioria simples, conforme previsto em seu regimento. Ressalta-se que o relatório em questão está em análise pelos membros e não foi votado até o momento", diz nota da equipe do ministério dos Direitos Humanos enviada à CNN Brasil.

O ex-presidente brasileiro Juscelino Kubitschek (1902 - 1976) • Divulgação/GOV
O ex-presidente brasileiro Juscelino Kubitschek (1902 - 1976) • Divulgação/GOV

O contexto brasileiro da ditadura militar levou Juscelino a ser considerado perseguido pelo regime. Na época, Castello Branco cassou seus direitos políticos por cerca de dez anos.

Um dos motivos apontados se dava pela popularidade do ex-presidente, que era o favorito a assumir a chefia do Executivo em 1965 — aproximadamente, um ano depois do golpe.

Anna Christina Kubitschek, neta do ex-presidente, disse em comunicado que a hipótese de assassinato do avô não pode ser ignorada. "A reabertura do debate sobre a morte de meu avô Juscelino representa um passo importante para a verdade histórica no Brasil", pontuou.

A CNN Brasil pediu um posicionamento da Sesp (Secretaria de Estado de Segurança Pública) e da Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre o parecer de 2017 e aguarda retorno.

Blog JURU EM DESTAQUE com CNN Brasil - Gabriela Piva, da CNN Brasil, Filipe Pereira, da CNN Brasil

Governador garante pagamento antecipado do 13º dos servidores

Lucas Ribeiro nega crise financeira no Governo da Paraíba, chama rumores de “fake news” e garante pagamento antecipado do décimo terceiro dos servidores estaduais

Lucas Ribeiro (PP), governador da Paraíba
O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), negou nesta quarta-feira (27) os rumores de que o Governo do Estado enfrentaria dificuldades financeiras para realizar o pagamento do décimo terceiro salário dos servidores estaduais. Em entrevista à imprensa durante agenda em São João do Cariri, ele classificou as informações como “fake news” e garantiu que o benefício será pago de forma antecipada, assim como ocorreu nos últimos anos da atual gestão.

Os rumores ganharam força após a Prefeitura de João Pessoa anunciar a data de pagamento do salário do mês, do décimo terceiro salário e também da folha de junho, enquanto o Governo da Paraíba divulgou apenas o calendário referente ao pagamento de maio. A previsão é que o anúncio oficial do pagamento do décimo terceiro seja feito na próxima segunda-feira (1º), durante o programa “Conversa com o Governador”.

Ao ser questionado sobre uma suposta dificuldade financeira do Estado para efetuar o pagamento, Lucas Ribeiro afirmou que a informação não procede. “É mais uma fake news daqueles que querem ver a Paraíba andando para trás. Isso tem sido constante, infelizmente, principalmente nesse ano eleitoral que nós temos”, declarou.

O governador também reforçou que o pagamento seguirá o mesmo padrão adotado pela gestão estadual nos últimos anos, com antecipação do benefício aos servidores públicos.

“Nós vamos fazer como temos feito sempre. Vamos anunciar na próxima segunda-feira, no programa Conversa com o Governador, essa data que, da mesma forma que aconteceu nos anos anteriores, um pagamento antecipado vai acontecer esse ano. As pessoas podem ficar tranquilas”, afirmou.

Apesar de confirmar que o calendário já está definido, Lucas evitou antecipar detalhes sobre as datas. “A data específica vou deixar para a gente falar no programa. Isso já está definido e, infelizmente, ainda temos que lidar com informações falsas. Mas faz parte. A verdade sempre aparece”, completou.

Blog JURU EM DESTAQUE com Fonte 83

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Reação de Lula a interferência dos Estados Unidos

Lula cobra respeito e rejeita interferência dos Estados Unidos; o presidente diz que PCC e CV são terroristas no Brasil, e não fora

Brasília (DF) 20/05/2026 - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado da primeira-dama, Janja Lula da Silva, do presidente do STF, Edson Fachin, e do presidente da Câmara, Hugo Motta, participa da cerimônia de 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Versão em áudio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou respeito à soberania brasileira e criticou as manifestações de autoridades dos Estados Unidos, ao comentar a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas pelo governo daquele país.

Segundo Lula, organizações como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) são, de fato, terroristas, mas não para os EUA, e sim para as comunidades brasileiras.

Nesse sentido, não há, segundo o presidente brasileiro, qualquer justificativa para uma eventual intervenção estrangeira. A declaração foi feita nesta sexta-feira (29) em Sergipe, onde o presidente visitou a  Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE) no município de Laranjeiras.

Lula se disse “muito triste” com a classificação feita pelo secretário Marco Rubio, dos EUA.

“Comando Vermelho e PCC são terroristas, mas para as comunidades brasileiras. Para a sociedade brasileira e para o povo da periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. São terroristas e vamos combatê-los aqui dentro. [Para isso,] aprovamos uma lei antifacção e a lei de combate ao crime organizado”, argumentou Lula.

O presidente ressaltou que a facções brasileiras não têm o perfil de terroristas que os EUA costumam procurar, e citou Osama Bin Ladem como exemplo. Lula ainda apontou que boa parte do tráfico de armas no Brasil tem origem nos Estados Unidos.

Na sequência, cobrou respeito das autoridades estadunidenses. “Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Isso aqui [o Brasil] não é um país qualquer. É um país muito grande”, afirmou.

Preocupação e respeito

Lula levantou suspeitas de que o interesse estadunidense estaria, na verdade, relacionado à cobiça pelas riquezas minerais do Brasil.

“Tenho preocupação porque nós temos muitos minerais críticos, terras raras, minérios. Ainda temos muito ouro e diamante, além da maior floresta tropical do mundo e água doce. Daqui a pouco vão dizer que a Amazônia é deles. Não é”, enfatizou o presidente.

Lula lembrou que, na conversa que teve com Donald Trump, disse que os dois precisam passar respeito à comunidade internacional e a sociedade, valorizando a democracia, o multilateralismo e defendendo a integridade territorial das nações

“Eu trato um país pequeno com o mesmo respeito que eu trato a China, a Rússia e os EUA. Eu não falo grosso com a Bolívia e fino com os EUA. Eu falo educadamente com os dois porque eu quero respeito. Preciso ter respeito para respeitar. Então não brinquem com a soberania desse país, nem com nossa democracia”, disse.

Lula reiterou que o Brasil tem feito muito para o combate às organizações criminosas, e que a aprovação da PEC da Segurança Pública reforçará esse combate.

Assista no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, a fala do presidente sobre a decisão dos Estados Unidos

Colaboração

Segundo o presidente, caso os EUA realmente queiram colaborar serão muito bem-vindos, mas que esse combate precisa ser feito também em território estadunidense.

“Entreguei um documento para o Trump [dizendo que] o Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado. Vamos começar pelo seu estado de Delaware, onde há lavagem de dinheiro de brasileiros”, disse.

“Vamos começar por entregar o [Carlos] Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido por lá. Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustível desse país, que é o Ricardo Magro. Entreguei para o Trump o nome e a foto da casa dele. Quer combater o crime organizado? Entreguem os nossos [criminosos] que estão lá nos EUA”, complementou.

Aniversariante do Dia

Os parabéns especiais do Blog JURU EM DESTAQUE desta sexta-feira, 29 de maio, são para a minha primogênita, Geórgea Karina

Parabéns, Georgea!
Que a felicidade acompanhe sempre você, não só hoje, mas todos os dias da sua vida.
Feliz aniversário!

Lula empata com Flávio, Barbosa, Caiado e Zema no 2º turno

Pesquisa PoderData/AYA, realizada entre 25 e 28 de maio, ouve 2.400 pessoas em todo o território nacional; margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos

A pesquisa PoderData/AYA divulgada nesta sexta-feira (29) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria empate técnico em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, e os ex-governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).

Em uma simulação entre Lula e Flávio, o presidente aparece com 46% das intenções de voto, contra 42% do senador. A diferença de 4 pontos percentuais está dentro da margem de erro. Brancos e nulos somam 9%, e indecisos, 3%.

Made with Flourish •Create a hierarchy graph

No cenário contra Joaquim Barbosa, Lula tem 43%, enquanto o ex-ministro soma 41%. Brancos e nulos chegam a 13%, e indecisos 3%.

Made with Flourish •Create a hierarchy graph

Contra Ronaldo Caiado, Lula marca 45%, e o ex-governador goiano aparece com 41%. Brancos e nulos são 12%, e indecisos 2%.

Made with Flourish •Create a hierarchy graph

Já em uma disputa com Romeu Zema, Lula tem 45% contra 41% do ex-governador mineiro. Brancos e nulos somaram 12%, e indecisos 3%.

Made with Flourish •Create a hierarchy graph

Em uma simulação com o líder do MBL (Movimento Brasil Livre) Renan Santos (Missão), Lula aparece com 45% das intenções de voto contra 36%. Brancos e nulos somaram 16%, enquanto indecisos totalizaram 3%.

Made with Flourish •Create a hierarchy graph

Metodologia

Foram ouvidas 2.400 pessoas entre os dias 25 a 28 de maio de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04882/2026.

Blog JURU EM DESTAQUE com CNN Brasil - Poliana Santos, da CNN Brasil, São Paulo

EUA determinam que CV e PCC são organizações terroristas

Decisão foi divulgada pelo Departamento do Estado e ignora tentativa do Brasil de barrar rotulação; o Governo Lula buscava negociar um pacote com Trump para combater o crime organizado

EUA determinam que CV e PCC são organizações terroristas
© Reuters

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos decidiram determinar que o CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) são organizações terroristas, nessa quinta-feira (28). 

A decisão acontece após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ao presidente Donald Trump, além de outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do Departamento do Estado, e JD Vance, vice-presidente dos EUA.

Pelas redes sociais, Rubio afirmou que as organizações criminosas "são as mais perigosas do Brasil". "Seu alcance se etende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas."

Em entrevista a jornalistas na quarta-feira, Flávio tinha dito que Rubio pareceu ser favorável à designação. "Ele me pareceu mais favorável a isso", disse o pré-candidato que afirmou ter passado cerca de 30 minutos com o secretário.

A decisão já era esperada e, uma reportagem do UOL no início de março mostrou que o martelo já estava batido sobre esta definição. Segundo o The New York Times, em reportagem publicada também em março, os EUA avaliavam a designação após lobby de dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre eles Flávio e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Apesar disso, o governo Lula tentava evitar que esta designação fosse imposta pelos EUA, pelo receio de influenciar nas eleições e interferência americana no Brasil. Lula afirmou que, durante a conversa de mais de três horas que teve com Trump há cerca de 20 dias, o assunto não foi tratado, mas foi entregue a proposta de uma cooperação entre os dois países.

Chefe da assessoria especial de Lula, Celso Amorim, comentou sobre a designação nesta quinta-feira antes do anúncio. "O crime organizado deve ser combatido com a máxima energia e determinação. Equiparar o crime organizado ao terrorismo, contudo, não é útil. Compreender as motivações é essencial para a eficácia do combate a todas as formas de criminalidade."

Em março, em evento em Dallas, no estado dos Texas, Flávio chegou a falar que, se encontrasse com o presidente Donald Trump, não pediria que o PCC e CV fossem considerados terroristas, pois ele mesmo faria isso.

"Não vou pedir para o Trump designar ninguém, eu vou designar PCC e CV como terroristas. Já que o Lula não teve coragem de fazer", disse.

A classificação do que é terrorismo varia em cada país. A versão mais aceita é a que o classifica como uma ação violenta deliberada contra civis que têm por objetivo intimidar a população ou o governo, normalmente em associação a uma causa política e/ou religiosa.

Segundo o Departamento de Defesa, os EUA classificam grupos terroristas quando eles integram alguns critérios, como a violência e a ameaça ao território americano –as organizações, claro, tem que ser estrangeiras. Antes do anúncio, a pasta já havia manifestado que considerava ambas as organizações como um "perigo" para a região.

A partir desta designação é criminalizado qualquer tipo de apoio, bloqueio de recursos e isolamento destas organizações. De acordo com o departamento, integrantes destas organizações não podem entrar nos EUA e podem ser expulsos se já estiverem no país.

Além disso, bancos americanos com contas destes membros devem bloquear fundos ligados ao grupo e reportar ao governo. O Brasil, porém, discorda da denominação, uma vez que no território brasileiro a designação de terrorismo é aplicada para atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito para provocar terror social generalizado.

As conversas sobre a possibilidade de designar facções criminosas brasileiras como terroristas acontecem desde o ano passado.

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, que participou de um dos encontros com integrantes do governo Trump, afirmou que os americanos não deram espaço para o Brasil apresentar qual a sua interpretação em relação ao terrorismo e apenas solicitaram informações a respeito do funcionamento das facções.

Ele defende que, apesar dos perigos de crimes praticados pelas organizações, elas não são terroristas, já que o termo só seria aplicado para grupos que praticam atos de terror com objetivo político ou ideológico.

Apesar dos esforços do governo federal, no ano passado, parlamentares e governadores da direita brasileiros solicitaram ao governo Trump a classificação do Comando Vermelho como grupo terrorista. O governo Cláudio Castro (PL) chegou a enviar um documento para Washington com o pedido. A facção tem origem no Rio de Janeiro.

Por outro lado, o governo Lula trabalhava para tentar evitar essa classificação e encaminhou, no fim do ano passado, uma proposta para que os países firmassem um acordo para combate ao crime organizado.

Porém, o governo dos EUA considerou a proposta inadaquada e sugeriu, como mostrou uma reportagem da Folha de S.Paulo, que o Brasil recebesse estrangeiros capturados nos EUA e exigiu um plano para acabar com o PCC e CV.

Na visão do governo Lula, a designação abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política do tema pelos bolsonaristas durante a campanha eleitoral.

Oura preocupação é que as leis antiterrorismo dos EUA preveem punições não apenas para as facções, mas também para pessoas e instituições financeiras que possuam ou tenham conhecimento de fundos relacionados a essas organizações.

Como a Folha de S.Paulo mostrou em uma série de reportagens, o CV e o PCC já estão presentes em todos os estados brasileiros e exercem hegemonia em ao menos 13 deles. As facções também expandiram sua atuação para além das fronteiras: o CV mantém negócios com ao menos oito países da América Latina, enquanto o PCC tem presença em ao menos 16 nações.

FACÇÕES NA MIRA DO GOVERNO TRUMP

O PCC foi incluído em 2021 na lista de organizações designadas do Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA), o que resulta no confisco de todas as propriedades e ativos nos EUA ligadas a seus membros e proibição de instituições e cidadãos americanos de manterem qualquer relacionamento comercial com a facção. Mas o grupo criminoso não foi classificado como organização terrorista.

Em visita a Brasília em maio do ano passado, o responsável pelo setor de sanções do Departamento de Estado, David Gamble, pediu formalmente que o Brasil adotasse a designação de organizações terroristas para o PCC e CV. Representantes do Ministério da Justiça rejeitaram o pedido.

A Lei Antiterrorismo brasileira, de 2016, define como atos terroristas aqueles motivados por "xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública".

A definição do que é terrorismo varia em cada país. A versão mais aceita interacionalmente é a que o classifica como uma ação violenta deliberada contra civis que têm por objetivo intimidar a população ou o governo, normalmente em associação a uma causa política e/ou religiosa.

Governadores de direita e parlamentares da oposição pressionam pela votação de um projeto de lei de autoria do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) que equipara facções criminosas brasileiras a organizações terroristas.

Blog JURU E, DESTAQUE com Notícias ao Minuto

PCC e CV serão designadas como organizações terroristas

Estados Unidos passam a designar Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas; a medida terá validade a partir de 05 de junho

U.S. President Donald Trump speaks next to Secretary of State Marco Rubio during a cabinet meeting in the Cabinet Room at the White House, in Washington, D.C., U.S., May 27, 2026. REUTERS/Evan Vucci
© Evan Vucci
Versão em áudio

O governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou nessa quinta-feira (28), em comunicado do Departamento de Estado, que vai designar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

Segundo o comunicado, a decisão terá validade a partir do dia 05 de junho e as medidas são adotadas com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act) e em uma ordem executiva do presidente Donald Trump. As designações como FTO entram em vigor após publicação no Federal Register.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ressaltou no comunicado que o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil.

"Juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e também o nosso país", disse Rubio.

O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Risco

Na avaliação de especialistas, esta designação representa um potencial risco à soberania brasileira e pode prejudicar até mesmo esforços de cooperação investigativa entre os países, já que alteraria o nível de sigilo das informações compartilhadas entre os órgãos de segurança dos dois países, centralizando-as na CIA [Central de Inteligência dos EUA] ou em órgãos militares

Esta mudança poderia, segundo esses especialistas, atrapalhar investigações conjuntas em curso e inviabilizar futuras cooperações.

"Narcoterrorismo"

Neste novo mandato, o governo de Donald Trump vem reorientando a política externa de Washington em relação à América Latina, direcionando sua máquina de guerra para a região sob a justificativa de combater o que chama de "narcoterrorismo".

Ao longo dos últimos meses, forças mlitares dos EUA bombardearam diretamente diversas embarcações no Caribe, fora da jurisdição norte-americana, sob alegação de combate ao terrorismo.

A própria invasão do território veneuelano, no início do ano, que resultou na deposição e captura do então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Glores, também foi justificada com base no combate ao narcoterrorismo.

O alcance de ações semelhantes em território brasileiro, com base nesta nova designação, apesar de incerto, torna-se um risco real.

No início deste mês, em visita aos EUA , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu com Donald Trump, na Casa Branca, a adoção de frentes de trabalho entre os dois governos para asfixiar financeiramente as organizações criminosas transnacionais que atuam no Brasil e nos EUA. Na ocasião, segundo Lula, eles não trataram especificamente sobre facções criminosas que atuam no Brasil, como CV e PCC.

O anúncio de Rubio também coincide com um encontro entre ele e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, ocorrido nesta quarta-feira (28), em Washington. Um dia antes, o senador havia se reunido com Trump na Casa Branca, em companhia do irmão, o autoexilado ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, ambos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda 2026

Volume esperado é de 44 milhões de documentos; o prazo de entrega termina nesta sexta-feira, 29 de maio

Prazo para entregar o IR 2026 termina nesta sexta-feira
© Agência Brasil

SÃO PAULO, SP, E CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O prazo para entregar a declaração do Imposto de Renda 2026 termina às 23h59 desta sexta-feira (29). Quem perder a data terá de pagar multa, que começa em R$ 165,74 e pode chegar a 20% do imposto devido no ano. 

O prazo para alterar o modelo de tributação da declaração (entre desconto simplificado e deduções legais) também termina nesta sexta-feira. Quem é obrigado, mas não envia a declaração pode ficar com o CPF classificado como pendente de regularização.

A declaração pode ser enviada pelo PGD (Programa Gerador da Declaração), instalado no computador, pelo aplicativo da Receita Federal, na opção "Meu Imposto de Renda", ou ainda de forma online, pelo e-CAC, também em "Meu Imposto de Renda".

Para acessar a declaração pré-preenchida no programa instalado no computador, é necessário ter conta Gov.br nos níveis prata ou ouro. O contribuinte deve informar todos os rendimentos recebidos em 2025, além de declarar bens, dívidas, investimentos, financiamentos e despesas dedutíveis, como gastos com saúde, educação, dependentes, previdência oficial e privada e livro-caixa, no caso de profissionais autônomos. Também é necessário guardar os documentos que comprovem todas as informações declaradas.

Especialistas ouvidos pela Folha recomendam que o contribuinte envie a declaração dentro do prazo, mesmo que incompleta, para evitar a multa. Depois, é possível enviar declarações retificadoras quantas vezes forem necessárias para corrigir ou complementar os dados.

A Folha de S.Paulo também produziu uma série de reportagens para ajudar quem deixou a entrega para a reta final:

QUEM É OBRIGADO A DECLARAR O IMPOSTO DE RENDA 2026?

Deve entregar a declaração neste ano o contribuinte que, em 2025:

- Recebeu rendimentos tributáveis -como salário e aposentadoria- a partir de R$ 35.584,00
- Recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (como rendimento de poupança ou FGTS) acima de R$ 200 mil
- Obteve, em qualquer mês, ganho de capital na venda de bens ou direitos sujeito à incidência do Imposto;
- Realizou operações de venda na Bolsas de Valores cuja soma foi superior a R$ 40 mil ou teve apuração de ganhos líquidos sujeitos à incidência do imposto
- Obteve, na atividade rural, receita bruta em valor superior a R$ 177.920 ou pretenda compensar, no ano-calendário de 2025 ou posteriores, prejuízos de anos-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário de 2025
- Tinha, em 31 de dezembro, a posse ou a propriedade de bens ou direitos de valor acima de R$ 800 mil
- Passou à condição de residente no Brasil em qualquer mês e nessa condição encontrava-se em 31 de dezembro;
- Optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no País, no prazo de cento e oitenta dias, contado da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005
- Optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física, nos termos do regime de transparência fiscal de entidade controlada estabelecido no art. 8º da lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023
- Era titular, em 31 de dezembro, de trust e demais contratos regidos por lei estrangeira com características similares, nos termos dos arts. 10 a 13 da Lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023
- Tinha capital investido em aplicações financeiras no exterior, a que se referem os arts. 2º a 4º e 9º da Lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023:
- Teve rendimentos ou pretenda compensar, no ano-calendário de 2025 ou posteriores, perdas de anos-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário de 2025
- Teve lucros ou dividendos de entidades no exterior, nos termos dos arts. 2º e 5º a 6º-A da lei nº 14.754, de 12 de dezembro de 2023

CALENDÁRIO DE PAGAMENTO DA RESTITUIÇÃO

Serão quatro lotes.

Lote Data de pagamento
1º lote 29 de maio
2º lote 30 de junho
3º lote 31 de julho
4º lote 31 de agosto

Blog JURU EM DESTAQUE com Notícias ao Minuto

quinta-feira, 28 de maio de 2026

7 anos sem Gabriel Diniz

Morte do cantor Gabriel Diniz completa 7 anos na última quarta-feira (27); relembre trajetória e acidente aéreo que abalou o país

Morte de Gabriel Diniz completa 7 anos; relembre trajetória e acidente aéreo que abalou o país

A morte do cantor Gabriel Diniz completou sete anos nesta terça-feira (27). Conhecido nacionalmente pelo hit “Jenifer”, o artista morreu aos 28 anos em um acidente aéreo ocorrido em Estância, no sul de Sergipe, em 2019.

Além de Gabriel Diniz, também morreram na queda da aeronave os pilotos Linaldo Xavier e Abraão Farias, diretores do Aeroclube de Alagoas.

Natural de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Gabriel cresceu em João Pessoa e construiu carreira no forró e no arrocha.

O cantor alcançou projeção nacional em 2018 e se transformou em um dos principais nomes da música brasileira após o sucesso de “Jenifer”, uma das canções mais tocadas do Carnaval 2019. A música tem atualmente mais de 480 milhões de streams nas plataformas digitais.

Outras músicas também marcaram a trajetória do artista, como “Paraquedas”, parceria com Jorge & Mateus, e “Acabou, acabou”, ao lado de Wesley Safadão.

Play: Video

O acidente aconteceu durante viagem para aniversário da namorada

O acidente aéreo aconteceu no dia 27 de maio de 2019, quando Gabriel seguia de Salvador para Maceió para comemorar o aniversário da namorada, Karoline Calheiros.

Segundo informações divulgadas na época, o monomotor utilizado pelo cantor pertencia ao Aeroclube de Alagoas e caiu em uma região de manguezal no litoral sergipano. A aeronave havia saído do radar por volta das 12h40.

O avião, modelo Piper PA-28-180, tinha autorização para voar, mas não possuía permissão para operar como táxi aéreo, de acordo com informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Velório reuniu fãs e artistas em João Pessoa

O corpo de Gabriel Diniz foi velado no ginásio Ronaldão, em João Pessoa, cidade onde o cantor construiu grande parte da carreira. O velório reuniu milhares de fãs, familiares, amigos e artistas.

Entre os presentes estavam Wesley Safadão, Xand Avião, Matheus da dupla Matheus e Kauan, além da influenciadora Gkay e artistas paraibanos como Aldair Playboy, Gil Bala e Ramon Schnayder.

Após o velório, o corpo do cantor foi levado em cortejo em carro aberto do Corpo de Bombeiros até o Cemitério Parque das Acácias, no bairro José Américo, onde ocorreu o sepultamento reservado para familiares e amigos próximos.

Legado segue vivo entre fãs

Mesmo após sete anos da morte, Gabriel Diniz segue lembrado pelo carisma, irreverência e pela contribuição ao forró moderno.

Recentemente, o cantor voltou a ser homenageado com o lançamento de projetos musicais e conteúdos produzidos com auxílio de inteligência artificial, reacendendo a memória do artista entre fãs de todo o país.

Blog JURU EM DESTAQUE com Polêmica Paraíba - Pedro Nery

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Vereadores podem ser extintos em quase todos os municípios da Paraíba

Deputado federal do Republicanos do Amazonas propõe PEC que pode extinguir vereadores em quase todos os municípios paraibanos; ENTENDA

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que começou a ser articulada na Câmara dos Deputados pode mudar radicalmente o funcionamento político dos municípios brasileiros e a Paraíba está entre os estados que mais seriam impactados.

O texto, defendido pelo deputado federal Amom Mandel, do Republicanos do Amazonas, propõe extinguir o cargo de vereador em cidades de pequeno porte e substituir as atuais câmaras municipais por conselhos comunitários eleitos, com estrutura reduzida e sem salários fixos mensais.

Inicialmente, a PEC previa atingir municípios com até 30 mil habitantes. No entanto, o parlamentar revelou que já discute ampliar o alcance da medida para cidades com até 60 mil moradores.

Na Paraíba, isso significaria uma mudança profunda no mapa político estadual.

Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, dos 223 municípios paraibanos, apenas 17 possuem mais de 30 mil habitantes. Caso o limite da PEC permaneça em 30 mil moradores, mais de 200 cidades do estado poderiam deixar de ter câmaras municipais nos moldes atuais.

João Pessoa – 833.932 habitantes
Campina Grande – 419.379 habitantes
Santa Rita – 149.910 habitantes
Patos – 103.165 habitantes
Bayeux – 82.742 habitantes
Sousa – 67.259 habitantes
Cabedelo – 66.519 habitantes
Cajazeiras – 63.239 habitantes
Guarabira – 57.484 habitantes
Sapé – 51.306 habitantes
Queimadas – 47.658 habitantes
Mamanguape – 44.599 habitantes
Pombal – 32.473 habitantes
Monteiro – 32.277 habitantes
São Bento – 32.235 habitantes
Esperança – 31.231 habitantes
Catolé do Rocha – 30.661 habitantes

Já se o texto avançar com o novo limite em debate até 60 mil habitantes, apenas seis municípios paraibanos ficariam de fora da proposta:

João Pessoa
Campina Grande
Santa Rita
Patos
Bayeux
Sousa

Todas as demais cidades paraibanas passariam a se enquadrar na proposta de substituição das câmaras municipais por conselhos comunitários.

Na prática, municípios importantes do interior paraibano, como Guarabira, Cajazeiras, Mamanguape e Sapé, também perderiam suas estruturas legislativas atuais caso a PEC adote o teto de 60 mil habitantes.

A proposta prevê conselheiros municipais eleitos atuando sem salários fixos, recebendo remuneração proporcional à produtividade e ao trabalho efetivamente realizado.

A PEC ainda está em fase de articulação política e precisa reunir assinaturas suficientes para começar a tramitar oficialmente na Câmara dos Deputados.

Blog JURU EM DESTAQUE com PB Agora