O sonho de colocar uma segunda estrela no escudo
permanece vivo para a Espanha. Nessa sexta-feira (10), a Fúria (apelido
da seleção) se classificou às semifinais da Copa do Mundo ao vencer a
Bélgica por 2 a 1 em Los Angeles (Estados Unidos).

O triunfo colocou os ibéricos no caminho da França. O confronto que
define o primeiro finalista deste Mundial será próxima terça-feira (14),
às 16h (horário de Brasília), em Dallas (Estados Unidos).
As duas seleções têm se acostumado a jogos decisivos. A Espanha levou
a melhor nos dois confrontos mais recentes, ambos em semifinais. No ano
passado, em Stuttgart, pela Liga das Nações (torneio entre as nações
europeias que ocorre a cada duas temporadas), deu Fúria: 5 a 4. Em 2024,
na Eurocopa, o triunfo foi por 2 a 1, em Munique, novamente na
Alemanha.
A última vez que a França bateu os rivais em uma partida decisiva foi
em 2021. As seleções disputaram a final daquela Liga das Nações, em
Milão (Itália). Os franceses ganharam por 2 a 1.
Mais uma vez, a solução espanhola para um jogo duro saiu do banco de
reservas. E novamente, foi Mikel Merino. Assim como nas quartas de
final, contra Portugal, foi do meia, já no fim da partida, o gol da
classificação.
A Espanha não chegava a uma semifinal de Copa desde o título
conquistado em 2010. De lá para cá, a Fúria caiu na primeira fase no
Mundial do Brasil (2014) e nas oitavas de final nas edições de Rússia
(2018) e Catar (2022).
Com o triunfo desta sexta, os espanhóis prolongaram a 12 jogos a
invencibilidade nos confrontos diante dos belgas. Além disso,
conseguiram a revanche da Copa de 1986, no México, quando foram
eliminados pela própria Bélgica nos pênaltis, por 5 a 4, após empate por
1 a 1 no tempo normal, também pelas quartas de final.
Os Diabos Vermelhos (apelido da seleção belga), por sua vez,
despediram-se daquela que é considerada sua geração dourada. O goleiro
Thibaut Courtois, o meia Kevin de Bruyne, o volante Alex Witsel e o
atacante Romelu Lukaku eram os remanescentes de um grupo de jogadores
que brilhou em grandes clubes europeus, mas não conseguiu o mesmo
sucesso pelo país.
A "ótima geração belga", como foi apelidada pela imprensa, teve como
auge a classificação às semifinais da Copa de 2018, eliminando o Brasil
nas quartas. O último grande ato foi a Liga das Nações de 2021, quando
chegou entre os quatro primeiros, mas caiu para a França, a mesma algoz
de três anos antes.
Quando o banco decide
A Bélgica veio com três trocas para o duelo, duas delas provocadas
por lesão. Saíram o volante Amadou Onana, que rompeu o ligamento cruzado
anterior do joelho direito na goleada por 4 a 1 para cima dos Estados
Unidos; e o capitão Youri Tielemans, que sentiu dores no aquecimento.
Eles deram lugar aos também meias Kevin de Bruyne e Hans Vanaken,
respectivamente.
Outra substituição efetuada por Rudi Garcia ocorreu no ataque, com o
retorno de Jeremy Doku aos titulares. Com isso, Dodi Lukébario foi para o
banco.
O técnico Luis de la Fuente, por sua vez, promoveu somente uma
mudança no meio-campo espanhol. Titular na vitória por 1 a 0 sobre
Portugal, Pedri cedeu a vaga no time a Fabian Ruiz, que retomou o posto
perdido depois do empate sem gols com Cabo Verde, na estreia.
E foi justamente ele quem colocou a Espanha em vantagem. Após 29
minutos de controle total da Fúria, o atacante Lamine Yamal lançou Pedro
Porro na direita. O lateral cruzou rasteiro e o meia Dani Olmo
finalizou de primeira. Courtois defendeu, mas o rebote sobrou limpo para
Ruiz mandar para as redes.
O jogo parecia sob controle para a Espanha, que chegava com
facilidade ao ataque. Principalmente Yamal, que passava como queria por
Doku e limitava o ponta-esquerda a apenas defender.
A Bélgica, porém, foi letal na única vez em que se aproximou da área,
justamente pelo lado oposto ao de Doku. Aos 39, De Bruyne, de volta ao
time titular, recebeu pela direita e cruzou. O atacante Charles De
Ketelaere superou o zagueiro Pau Cubarsi e cabeceou para o gol. Chegava
ao fim a invencibilidade de Unai Simon, goleiro que mais tempo ficou sem
ser vazado em Copas: 648 minutos.
O cenário de pressão espanhola se manteve no retorno do intervalo,
com a Bélgica se posicionando para contra-atacar com Lukaku, que entrou
no lugar de Vanaken. Outra mudança foi a troca dos laterais-esquerdos,
com a saída de Maxim de Cuyper para dar lugar a Joaquin Seys. A missão
do jovem defensor de 21 anos era ajudar Doku a tentar parar Yamal,
acionado a todo instante.
Em resposta às trocas da Bélgica e para desafogar Yamal, que
encontrava dificuldades com a marcação de Seys pela direita, De la
Fuente colocou Nico Williams no lugar de Mikel Oyarzabal. A Espanha
deixava de ter um homem de referência no comando do ataque e passava a
contar com dois jogadores de velocidade, um de cada lado, com Williams
acelerando o jogo pela esquerda.
Aos 26 minutos, apreensão do lado belga, com a saída de Courtois, com
dores na coxa esquerda. O veterano deu a Senne Lammens, de 24 anos, dez
a menos que o titular. Era apenas o terceiro jogo do goleiro do
Manchester United (Inglaterra) pelos Diabos Vermelhos.
A tensão se justificou nos minutos finais. Quis o destino que um
rebote de Lammens, em uma rara finalização que a Espanha conseguiu dar
em direção a meta, resultasse no gol da classificação espanhola. Aos 42
minutos, Cubarsi bateu da intermediária, o goleiro defendeu parcialmente
e Merino - que entrara em campo dois minutos antes, no lugar de Dani
Olmo - completou para as redes.
Nos acréscimos, o jogo virou, com a Bélgica se vendo obrigada a
ocupar o campo de ataque para buscar o empate. Aos 46, o ponta Alexis
Saelemaekers foi lançado pela esquerda, na área, driblou Unai Simon e
cruzou para Lukaku, que teria o gol livre para finalizar, mas a zaga se
antecipou ao centroavante e a bola sobrou nas mãos do goleiro. Foi a
melhor - e última - chance dos Diabos Vermelhos.