terça-feira, 12 de maio de 2026

Ministro do Turismo promete valor recorde para o São João da Paraíba

Governo Federal anuncia nesta sexta-feira (15) pacote de investimentos para o São João da Paraíba; o ministro do Turismo promete valor recorde

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, anuncia na próxima sexta-feira (15) o pacote de investimentos do Governo Federal para o São João da Paraíba em 2026. O evento está marcado para as 9h30, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, localizada no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa.

Antes mesmo do anúncio oficial, Gustavo Feliciano já antecipou que o volume de recursos destinados aos festejos juninos será recorde.

A expectativa é que o aporte federal contemple o tradicional São João de Campina Grande, conhecido nacionalmente como “O Maior São João do Mundo”, além de outras cidades paraibanas que realizam festividades juninas, incluindo João Pessoa.

O ministro já havia sinalizado o investimento durante agenda cumprida na Paraíba no último dia 23 de abril, quando destacou a intenção do Governo Federal de ampliar o apoio aos eventos culturais e turísticos do estado.

Segundo Gustavo Feliciano, o objetivo é fortalecer o turismo, movimentar a economia regional e ampliar a geração de emprego e renda durante o período junino.

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Cabedelo, na Paraíba, uma cidade comandada por criminosos

Matéria do programa Fantástico, da TV Globo, mostra o controle do crime organizado na cidade de Cabedelo, na Paraíba

Foto: Petrúcio Carlo/PMC

A cidade de Cabedelo, no litoral da Paraíba, está sendo considerada um “paraíso do Nordeste com câmeras por toda parte”, o que aparentemente sugere segurança redobrada, mas em reportagem especial levada ao ar na edição de domingo (10), o programa Fantástico, da TV Globo, mostrou que “o que parece sinal de segurança significa perigo”. Cabedelo é um destino turístico da Paraíba que passou a ser monitorado por criminosos a mais de 2 mil quilômetros de distância.

Segundo a reportagem, a Polícia Federal e o Ministério Público já realizaram na cidade mais de dez operações para combater a corrupção e o crime organizado na cidade de mais de 60 mil habitantes, identificando que o Comando Vermelho se infiltrou em pontos estratégicos da prefeitura do município.

Ainda conforme a reportagem criminosos ditam regras e interferem na rotina dos moradores. Cabedelo cresceu entre o mar e o rio, e tudo é muito perto. A praia colorida é uma atração para os turistas, mas quem mergulha dentro da cidade encontra uma outra Cabedelo, cheia de ausências. Há falta de coleta de lixo, falta de asfalto e vielas vazias onde o silêncio não é de paz.

Nesse cenário, as pessoas têm medo de gravar entrevistas ou falar sobre o assunto. João Marcos Gomes Cruz Silva, delegado regional de Polícia Judiciária da PF na Paraíba, afirma que “a cidade de Cabedelo, infelizmente, ela vive um colapso institucional”. Leonardo Quintans, procurador-geral de Justiça do MP-PB, complementa: “A sociedade fica refém, a sociedade perde sua liberdade, a sociedade passa a ser comandada por esse poder paralelo”.

Segundo as investigações, integrantes do Comando Vermelho monitoram a rotina de Cabedelo a partir do Rio de Janeiro. De lá, alguém vê tudo. Áudios obtidos mostram a organização do monitoramento: “ Tem 30 câmeras geral ”. Um integrante, ao mostrar o monitoramento de câmeras por vídeo, diz: “Oi, família. Minha visão de cria aqui. Só paz e tranquilidade”. Para a polícia, trata-se de um “home office do crime organizado”.

O Complexo do Alemão reúne 13 favelas na Zona Norte do Rio e, nas investigações, um nome aparece com frequência: Flávio de Lima Monteiro, o Fatoka. Aos 43 anos, ele começou na facção Nova Okaida, na Paraíba, e depois fundou a Tropa do Amigão, um dos braços do Comando Vermelho no Nordeste. Contra ele, há 13 mandados de prisão por tráfico, homicídios e organização criminosa. Fatoka chegou a ficar preso no Presídio de Segurança Máxima da Paraíba, mas fugiu em setembro de 2018 em uma fuga em massa de 92 detentos que usaram explosivos. Capturado novamente, conseguiu uma medida judicial para liberdade com tornozeleira eletrônica em 2022. No mesmo dia em que o dispositivo foi instalado, ele o rompeu e fugiu para o Rio de Janeiro.

Mesmo longe, Fatoka continua ditando ordens. Áudios revelam planos de expansão para o bairro do Bessa, em João Pessoa: “O que está faltando de nós é ponteamento no Bessa. Aquele quadrado todinho”. O termo “ponteamento” significa mapear território e eliminar rivais. Com isso, ele consegue operar as práticas criminosas com tranquilidade e segurança, diz Quintans.

Nas ruas de Cabedelo, pichações com a abreviatura do nome de Fatoka e do Comando Vermelho marcam o domínio territorial. Moradores vivem reféns; imagens mostram grupos de 13 homens armados atravessando ruas e efetuando disparos para o alto em áreas residenciais. Um criminoso afirma em vídeo: “Tropa do amigão tá na pista, viu? A minha aqui tá tão pesada que não consigo levantar a mão direito”.

As câmeras clandestinas, chamadas de “besouros”, são os olhos do chefe sobre o território. Quando um rival aparece, a ordem é direta: “Aço nele, demorou”. Em setembro de 2024, um morador gravou um vídeo após o carro de sua esposa ser atingido por tiros: “Tá aqui ó, marca da bala, tá vendo? A gente nunca passou por isso. Só peço, pelo amor de Deus, cara, tem cuidado com os inocentes”. O apelo chegou a Fatoka, que respondeu por áudio: “Os caras sabem que a gente tá numa guerra, um carro igual ao dos ‘alemão’, aí, fica andando pra lá e pra cá, uma hora daquela. Deixar de ser otário”.

A Polícia Militar realiza operações para localizar esses equipamentos. O tenente-coronel Luiz Antônio, comandante de batalhão da PM-PB, explica que os criminosos disfarçam as câmeras com fita isolante em meio aos fios dos postes ou até dentro de canos metálicos pintados. Maurício Ferraz, ao acompanhar a operação, relatou que as câmeras ficam em postes, árvores e casas: “Neste momento, em algum lugar, algum criminoso tá vendo essa movimentação nossa aqui”.

Veja detalhes:

https://g1.globo.com/fantastico/video/home-office-do-crime-faccao-no-rio-expandia-poder-sobre-cidade-da-paraiba-14600437.ghtml

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Jornalista fala sobre câncer no intestino e passagem pela UTI

Chico Pinheiro contou que cirurgia teve complicações após diagnóstico descoberto no início; o ex-apresentador da TV Globo falou sobre internação durante entrevista

Chico Pinheiro fala sobre câncer no intestino e passagem pela UTI
© Divulgação / TV Globo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Chico Pinheiro surpreendeu o público ao revelar que enfrentou um câncer no intestino e passou semanas internado após complicações médicas. 

O relato foi feito durante uma conversa com Zeca Baleiro para o programa "Chico Pinheiro Entrevista", exibido nessa segunda-feira (11).

Ao longo da entrevista, o jornalista contou que inicialmente não pretendia falar publicamente sobre o assunto, mas acabou compartilhando a experiência ao comentar o impacto emocional que a música teve durante o período de recuperação.

Segundo ele, o diagnóstico aconteceu ainda em estágio inicial, o que trouxe esperança de um tratamento menos complicado. A expectativa era de que a cirurgia fosse rápida, utilizando técnica robótica, com poucos dias de internação.

"O câncer estava no começo e parecia algo relativamente simples", explicou.

No entanto, após o procedimento, surgiram complicações inesperadas. Chico relatou que desenvolveu uma aderência intestinal, precisando passar por uma nova operação. A situação levou o jornalista à UTI, onde permaneceu internado por vários dias.

"Passei uns belos dias na UTI", afirmou durante a conversa. O ex-apresentador do Bom Dia Brasil também contou que viveu um período de forte reflexão durante a recuperação. Segundo ele, ouvir músicas de Zeca Baleiro se tornou uma espécie de conforto emocional enquanto enfrentava o tratamento.

"A música dele ficou muito presente na minha cabeça naquele momento", relatou. Chico explicou ainda que a experiência mudou sua percepção sobre paciência e vulnerabilidade. "Você entra no hospital como doente. Para virar paciente, precisa aprender a ter paciência para os médicos trabalharem", disse.

Chico Pinheiro deixou a TV Globo em 2022, após mais de três décadas na emissora. Ao longo da carreira, se tornou um dos rostos mais conhecidos do jornalismo brasileiro, especialmente no comando do Bom Dia Brasil, além de passagens pelo SPTV e pelo Jornal da Globo.

O jornalista ficou marcado também pelos bordões que costumava repetir no encerramento dos telejornais, como "Graças a Deus é sexta-feira" e "Coragem, porque é segunda-feira".

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Por que a ditadura teria assassinado Juscelino Kubitschek, segundo comissão?

Excluindo a teoria do acidente de automóvel sofrido há 50 anos, relatório da Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado

BBC News
Kubitschek recebeu Fidel Castro no Palácio da Alvorada em 1959 -  (crédito: Arquivo Nacional)
Juscelino Kubitschek recebeu Fidel Castro no Palácio da Alvorada em 1959 - (crédito: Arquivo Nacional) - X

Às vésperas do cinquentenário da morte de Juscelino Kubitschek (1902-1976), um documento pode finalmente dar destino aos mistérios que sempre rondaram a morte do ex-presidente.

Um relatório elaborado pela Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) chegou a uma conclusão com potencial para se tornar "a mais importante ação ilegal perpetrada pela ditadura".

Com 5 mil páginas, o documento deve confirmar que o acidente sofrido por Kubitschek a bordo de um Opala na rodovia Presidente Dutra teria sido, na verdade, um assassinato, planejado e executado por agentes do regime ditatorial que comandava o país desde o golpe de 1964.

A revelação é a principal conclusão do documento elaborado pela CEMDP, instituição vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos, após análises realizadas nos últimos dois anos. E foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo na sexta-feira (8/5) e confirmada pela BBC News Brasil.

O teor do relatório, que ainda precisa ser aprovado em uma reunião a ser agendada em breve pela CEMDP, dá uma nova dimensão à violência com que o regime de exceção tratava seus opositores no período.

"Um ex-presidente assassinado não é pouca coisa. Ele se tornaria a vítima mais célebre da ditadura", diz o historiador Rodrigo Patto Sá Motta, professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ex-presidente da Associação Nacional de História (ANPUH) e autor de, entre outros livros, Passados Presentes: O Golpe de 1964 e a Ditadura Militar (Zahar). "Não há precedente nem paralelo na História do Brasil."

Conforme a reportagem apurou, caso o relatório da CEMDP seja aprovado, o passo seguinte deve ser a retificação da certidão de óbito do ex-presidente, a exemplo do que já ocorreu com outras figuras notáveis que, nos últimos anos, tiveram suas mortes confirmadas como execuções causadas pelo Estado brasileiro, casos da estilista Zuzu Angel (1921-1976) e do engenheiro e político Rubens Paiva (1928-1971).

Figura popular

Além do peso simbólico e institucional representado pelo assassinato de um ex-chefe de Estado, historiadores avaliam que há duas características a serem observadas sobre o provável assassinato de Kubitschek. Em primeiro lugar, o fato de que ele não era um militante de esquerda, muito menos um extremista — contrariando, portanto, a narrativa de que a ditadura só teria sido letal contra seus mais violentos detratores.

"Ele não era radical, não era comunista. Isso amplia o leque de uma visão sobre o passado que, no momento atual, ganha outra dimensão", afirma o historiador Victor Missiato, pesquisador no Instituto Presbiteriano Mackenzie — o pesquisador estudou as relações civis-militares no governo e a atuação de movimentos comunistas em seu mestrado e em seu doutorado, ambos defendidos na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O outro ponto seria o papel que Kubitschek desempenhava na época — e por que o ex-presidente era visto como um inimigo a ser combatido pela ditadura.

Presidente do Brasil de 1956 a 1961, ele ocupava uma cadeira no Senado e era visto como um nome forte para voltar a ocupar a presidência da República quando o golpe de 1964 alçou os militares ao poder. Naquele momento, foi um dos que apoiou o processo.

Logo em seguida, contudo, passou a ser acusado pelos militares de corrupção e de ter ligação com comunistas. Teve seus direitos políticos cassados. Voluntariamente exilou-se e, por dois anos, percorreu Estados Unidos e Europa. No retorno ao Brasil, em 1967, tornou-se uma voz pública contra o regime autoritário que comandava o país.

Fidel Castro e Kubitschek sentados em um sofá branco em uma foto em preto e branco.
Juscelino Kubitschek recebeu Fidel Castro no Palácio da Alvorada em 1959 - Arquivo Nacional

"Por ser uma figura de apelo popular, [os militares entendiam que ele] poderia atrair apoio de parte da população contra a própria ditadura", explica o cientista político Paulo Nicolli Ramirez, professor na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

Ramirez acrescenta que, "caso o Brasil retornasse à democracia", o ex-presidente seria "um nome muito forte".

"Tratou-se primeiro de cassar seus direitos políticos e depois, matar. Porque a ditadura estava de olho em figura que pudessem representar qualquer ameaça ao regime, seja durante a vigência desse, seja após o seu fim", avalia o cientista político.

"Matá-lo seria uma forma de afastá-lo desse processo [de futura redemocratização]", explica Sá Motta.

Um acidente mal-explicado

Kubitschek morreu em acidente automobilístico em 22 de agosto de 1976 quando o Opala conduzido por seu motorista, Geraldo Ribeiro, se desgovernou, atravessou o canteiro central da Rodovia Presidente Dutra, na altura do quilômetro 165, e, na contramão, se chocou com uma carreta. O motorista também morreu.

Na ocasião, as investigações apontaram para um acidente normal de trânsito, em que Ribeiro teria perdido o controle do carro depois de tentar ultrapassar um ônibus. Em 2014, quando a Comissão Nacional da Verdade analisou o episódio, a conclusão foi semelhante.

O caso foi reaberto depois que o Ministério Público Federal (MPF) decidiu investigar novamente a história. Entre 2013 e 2019, documentos, imagens e laudos foram analisados mais uma vez. O motorista do tal ônibus prestou depoimento e relevou ter recebido uma oferta em dinheiro na época para assumir a culpa pelo acidente — ele foi processado por homicídio culposo (em que não há a intenção de matar) e absolvido.

Esse novo inquérito contou com um minucioso laudo preparado pelo engenheiro Sergio Ejzenberg, perito e especialista em transportes. O documento, ao qual a BBC News Brasil teve acesso integral, foi conclusivo: o ônibus não trafegava em excesso de velocidade e não teve qualquer participação causal nos fatos.

"Excluída a participação do ônibus […] no evento, restou inexplicada pelos laudos […] a causa da passagem do automóvel Opala para a pista oposta, e também restou inexplicada a rota de colisão do automóvel, sem frenagem, apontada pelos peritos criminais […]. Isso tudo ocorreu em trecho retilíneo, após o Opala ter trafegado sem problema por duas curvas fechadas imediatamente precedentes", diz o texto de Ejzenberg. "Essa questão central foi ignorada nos laudos […] de 1976 e 1996".

O perito concluiu que a investigação sobre possível sabotagem no automóvel acabou sendo "inviabilizada", já que o veículo foi desmantelado "enquanto estava guardado no pátio da Delegacia de Polícia de Resende", para onde foi levado após o acidente -- isso implicou em "perda das provas relevantes para o estudo dessa questão", pontua.

JK discursando em uma mesa rodeado de outros homens que o assistem.
Juscelino Kubitschek morreu em acidente automobilístico em 22 de agosto de 1976 na rodovia Presidente Dutra - Getty Images

A Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) decidiu reabrir a investigação da morte de Kubitschek por causa disso. O pedido foi feito pelo ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, o político Gilberto Natalini.

Relatora do novo documento, a professora no Centro Universitário Claretiano, a historiadora Maria Cecília Adão foi procurada pela reportagem e disse que não poderia fazer comentários porque o texto "está em fase de liberação", sem prazo para ser aprovado pelos pares. A CEMDP é um órgão de Estado criado em 1995 para lidar com os legados da ditadura.

Em nota, datada de 8 de maio, a comissão informou que o trabalho conduzido por Adão é resultado de estudo feito "de forma articulada com pesquisadores do tema" e que o texto foi apresentado aos demais integrantes da CEMDP no dia 1º de abril. A votação ainda não tem data marcada para ocorrer.

"A CEMDP reforça seu compromisso com o diálogo permanente com as famílias de vítimas de violência de Estado, que têm sido e serão sempre protagonistas na busca por memória, verdade e justiça", destaca o texto.

Revisão jurídica

Professor na Universidade de São Paulo (USP), o jurista Gilberto Bercovici elaborou um parecer em 2014 sobre uma possível reviravolta no caso envolvendo a morte de Kubitschek. Segundo seu entendimento, em casos de graves violações de direitos humanos praticados pelo Estado deve haver uma inversão do ônus da prova em favor das vítimas.

No juridiquês, isso significa que diante de assimetria de poder e da destruição ou ocultação de provas pelo próprio Estado, não é razoável exigir que as vítimas ou seus familiares comprovem plenamente os crimes.

Esse parecer é um dos documentos considerados na avaliação do caso. À reportagem, o jurista afirmou que soube que seus pontos "foram acolhidos" pela comissão.

Membro da comissão de direito eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e diretor do Instituto Luiz Gama, o jurista Renato Ribeiro analisa a importância do trabalho da CEMDP como de "forte peso institucional, histórico e político".

"Caso o relatório seja aprovado formalmente, haverá uma mudança significativa na narrativa oficial do Estado brasileiro sobre a morte de Kubitschek", ressalta. "Isso pode gerar desdobramentos como revisão de registros oficiais, reabertura de procedimentos administrativos e históricos, ampliação de políticas de reparação e novos pedidos de acesso a arquivos militares."

Ribeiro atenta para o fato de que essa interpretação, se oficializada, pode "reforçar a responsabilidade civil e histórica do Estado brasileiro", não envolvendo apenas "eventual indenização financeira, mas também dever de memória, preservação documental, reconhecimento público e reparação moral coletiva".

Foto em preto de branco de Kubitschek, rodeado de crianças.
O caso de JK entra no escopo do que convencionou se chamar "justiça de transição" - Arquivo Nacional

"No plano institucional, o impacto é ainda maior porque envolve a figura de um ex-presidente da República morto em circunstâncias historicamente controversas", diz o jurista, lembrando que "em tese, crimes contra a humanidade são imprescritíveis segundo a jurisprudência internacional de direitos humanos" e esse foi o entendimento adotado pela Comissão Nacional da Verdade.

No entanto, Ribeiro lembra que, em casos correlatos, o Supremo Tribunal Federal (STF) mantém "posição relevante" favorável à validade da Lei da Anistia de 1979, que perdoou crimes políticos cometidos entre 1961 e 1979, permitindo o retorno de exilados mas também protegendo agentes que praticaram tortura.

Isto, na visão do especialista, "cria tensão entre a jurisprudência internacional e o entendimento interno brasileiro".

Mas punir os envolvidos não seria tarefa fácil. "Há uma dificuldade prática evidente: quase cinquenta anos se passaram desde a morte do ex-presidente e muitos dos eventuais envolvidos já faleceram", pontua. "Isso reduz a possibilidade concreta de responsabilização penal individual. Ainda assim, investigações históricas, reconhecimento oficial de autoria institucional e identificação de estruturas repressivas eventualmente envolvidas continuam juridicamente possíveis."

O caso entra no escopo do que convencionou se chamar "justiça de transição". Neste caso, como explica o jurista, a reparação não é apenas patrimonial. "Muitas vezes, o principal efeito jurídico é simbólico e institucional, como retificação oficial da causa da morte, reconhecimento público da responsabilidade estatal e revisão histórica promovida pelo próprio Estado brasileiro", afirma.

Repercussões

Um dos maiores especialistas no período ditatorial, o historiador Daniel Aarão Reis, professor na Universidade Federal Fluminense e autor de, entre outros Ditadura Militar, Esquerdas e Sociedade (Zahar), comenta que ainda tem "dúvidas a respeito da confirmação do suposto assassinato" de Kubitschek, pois o relatório, em princípio, faz uma "recuperação" de pareceres "já formulados" — e não "uma nova investigação".

Por outro lado, ele concorda que, caso a morte do ex-presidente seja "definitivamente estabelecida como assassinato", esta seria, ao lado da execução do ex-guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969), "a mais importante ação ilegal perpetrada pela ditadura".

Reis argumenta que Kubitschek, assim como o ex-presidente João Goulart (1919-1976) e o jornalista e político Carlos Lacerda (1914-1977) — também mortos em situações mal-explicadas —, era um homem que "a rigor não representava perigo nenhum para a ordem social e política do país".

"Entretanto, este não era o ponto de vista dos órgãos de segurança", acrescenta ele, citando o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), que chama de "sinistro sistema organizado".

"Para esses órgãos, os três políticos citados, por serem contrários à permanência indefinida da ditadura, teriam de sair do caminho. Em outras palavras, deveriam ser eliminados", aponta o historiador.

Para Reis, se o assassinato de Kubitschek for comprovado, o passo seguinte seria descobrir se "houve ordens de cima para baixo" ou se agentes conduziram a trama de forma autônoma.

JK Em discurso em Belo Horizonte.
Ainda que seja confirmado o relatório com a tese do assassinato, punir os envolvidos não será tarefa fácil - Arquivo Nacional

"Caso isso tudo seja comprovado, certamente estaremos diante de um fato gravíssimo e inédito na história do país", sentencia. "E uma lição a respeito de que situações podem ser criadas quando o Estado cria instituições desse tipo."

O historiador Missiato acredita que essa revisão da historiografia, se confirmada, "teria um impacto gigantesco", pois a suposta vítima seria uma das principais lideranças políticas do país no século 20.

Mas ele é cauteloso porque acredita que seriam necessários depoimentos de envolvidos para confirmar se houve ou não um assassinato. Do contrário, argumenta Missiato, o que o relatório trará é uma "reinterpretação baseada na conjuntura atual", na forma como hoje se olha para esse passado. "De qualquer forma, passaremos a ver o regime militar de outra forma", diz.

A provável aprovação do relatório nas próximas semanas será desses episódios com força para reescrever um capítulo importante da história do país. Para o cientista político Ramirez, é o que faltava para "comprovar a capacidade das ditaduras de produzir atos terroristas de Estado contra figuras que pudessem colocar em risco suas existências".

"E a descoberta desse assassinato mancha a imagem dos militares brasileiros mais uma vez", ressalta ele. "É o auge de onde eles chegaram: matar ex-autoridades públicas, sem nenhum escrúpulo."

Sá Motta lembra que tal confirmação coloca a ditadura brasileira em posição semelhante a regimes como o chileno — com a morte do presidente Salvador Allende (1908-1973) — e o boliviano — com o assassinato do ex-presidente Juan José Torres Gonzáles (1920-1976).

"Mas é difícil provar [que houve assassinato]", comenta o historiador. "O que se prova é que não foi uma trombada contra um ônibus. Mas não se prova que teria sido uma ação [provocada para causar a morte do ex-presidente brasileiro]."

"O que não tenho dúvida é que ele poderia ser assassinado a mando da ditadura, porque eles faziam muito isso. Em vários casos simularam acidentes para não configurar assassinato", acrescenta Sá Motta.

Para o historiador, mesmo após esse relatório, "vale a pena tentar investigar mais" o caso, em busca de outras evidências. "A única maneira de esclarecer seria com depoimentos [de potenciais envolvidos]", salienta. "Mas até hoje não apareceram."

Blog JURU EM DESTAQUE com Correio Braziliense

Comissão diz que JK pode ter sido assassinado pela ditadura militar

Em relatório que reúne mais de 5 mil páginas, Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos diz que Juscelino Kubistchek pode ter sido assassinado

O veículo Opala que conduzia JK ficou destruído após invadir a faixa contrária e colidir frontalmente com um caminhão.

A menos de quatro meses dos 50 anos da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, um novo relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos aponta que ele pode ter sido assassinado pela ditadura militar, contrariando a versão oficial de acidente de trânsito sustentada por décadas. O documento reúne mais de 5 mil páginas e será analisado pelos conselheiros do colegiado nas próximas semanas.

Segundo integrantes da investigação, os indícios considerados no relatório incluem suspeitas de sabotagem no veículo, possíveis falhas nas perícias realizadas durante o regime militar e relatos de perseguição política contra JK nos anos finais da ditadura. Pesquisadores ligados ao caso afirmam que os elementos reunidos são “avassaladores” e reforçam a tese de crime de Estado.

A conclusão representa uma reviravolta em um dos episódios mais controversos da história política brasileira. Até hoje, investigações oficiais anteriores, incluindo a Comissão Nacional da Verdade, haviam mantido o entendimento de que a morte ocorreu em um acidente automobilístico na Via Dutra, em 1976.

Blog JURU EM DESTAQUE com Diário do Poder - Rodrigo Vilela

Brasil reage e tenta derrubar veto da União Europeia à carne nacional

Governo Federal diz ter recebido decisão do bloco europeu com surpresa e marcará reunião com autoridades europeias para tentar reverter a medida


A medida europeia deve entrar em vigor em 3 de setembro de 2026 -  (crédito: Freepik)
A medida europeia deve entrar em vigor em 03 de setembro de 2026 - (crédito: Freepik)

O governo brasileiro afirmou nesta terça-feira (12/05) que vai tentar reverter a decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para o bloco europeu. A medida europeia deve entrar em vigor em 03 de setembro de 2026.

Em nota conjunta, o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disseram ter recebido a decisão “com surpresa” e afirmaram que o país adotará “todas as medidas necessárias” para assegurar a continuidade das exportações brasileiras ao mercado europeu.

Segundo o comunicado, o chefe da delegação brasileira junto à União Europeia já tem uma reunião agendada para esta quarta-feira (13/05) com autoridades sanitárias do bloco europeu. O objetivo do encontro será buscar esclarecimentos sobre os motivos da exclusão do Brasil da lista de exportadores autorizados.

A decisão da União Europeia foi tomada após votação no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia. O bloco justificou a medida com base em regras relacionadas ao controle do uso de supostos antimicrobianos na pecuária.

Apesar da decisão, o governo ressaltou que as exportações brasileiras seguem ocorrendo normalmente e que as restrições só passam a valer a partir de setembro.

Na nota oficial, o governo também defendeu o sistema sanitário nacional e destacou o histórico das exportações agropecuárias brasileiras. Segundo o comunicado, o Brasil possui um sistema sanitário “robusto e de qualidade internacional reconhecida” e fornece produtos agrícolas ao mercado europeu há cerca de 40 anos.

Blog JURU EM DESTAQUE com Correio Braziliense 

Aniversariantes do Dia (neta e avó)

Os parabéns especiais do Blog JURU EM DESTAQUE desta terça-feira, 12 de maio, são para a professora Sineide Araújo e sua linda netinha, Letícia, filha de Oto e Janaina

Parabéns, Letícia e Sineide!
Quando o amor é incondicional, ele vem em dose dupla: dupla alegria, dupla esperança e bênçãos dobradas.
Que Deus as ilumine com muita saúde e venturosos anos de vida.
Feliz aniversário!

Cantor Leonardo revela fratura no rosto após queda em pescaria

Leonardo contou que sofreu acidente durante pescaria no Pantanal após escorregar em uma garrafa dentro da canoa: Estava bêbado

O sertanejo fraturou a região acima dos olhos, ficou com o rosto inchado e precisou suspender bebidas e atividades físicas durante a recuperação.

Leonardo revela fratura no rosto após queda em pescaria
© Reprodução- Instagram

O cantor Leonardo revelou detalhes do acidente que sofreu durante uma pescaria no Pantanal e explicou o motivo de ter aparecido com o rosto machucado nas últimas semanas. O sertanejo contou que sofreu uma queda dentro de uma canoa após escorregar enquanto estava alcoolizado. 

A situação havia sido exposta anteriormente por Poliana Rocha, esposa do artista, que mostrou nas redes sociais o cantor com os olhos inchados e arroxeados. Na época, ela afirmou apenas que Leonardo havia caído e batido o rosto.

Agora, em entrevista ao programa Melhor da Tarde, exibido nesta segunda-feira (11), o cantor explicou o que realmente aconteceu.

“Caí com a cara no chão, na canoa. Estava no Pantanal pescando. Escorreguei em uma garrafa. Estava bêbado. Vou mentir para quê?”, afirmou Leonardo durante a conversa.

Segundo o sertanejo, o impacto foi tão forte que ele sofreu uma fratura na região acima dos olhos. Ele contou que percebeu a gravidade do ferimento já no dia seguinte ao acidente.

“No outro dia amanheceu do tamanho de uma jaca. Fraturei em cima do olho. Fui cedo ao médico”, disse.

Leonardo relatou que realizou uma tomografia e descobriu que havia trincado um osso do rosto. Apesar da suspeita inicial de uma possível cirurgia, o tratamento acabou sendo apenas conservador.

O cantor afirmou que já está recuperado, embora ainda apresente um leve inchaço em um dos olhos. Durante a recuperação, ele precisou ficar cerca de 15 dias sem consumir bebida alcoólica e também sem praticar futevôlei.

Blog JURU EM DESTAQUE com Notícias ao Minuto

Saiba como vai funcionar programa contra o crime organizado

O plano do governo Federal foi estruturado em quatro eixos; um dos pontos de ação é a asfixia financeira do crime organizado

Saiba como vai funcionar programa federal contra o crime organizado
© Getty Images

O governo federal lançou, nesta terça-feira (12), o programa Brasil Contra o Crime Organizado. Entre as ações, estão previstas o fortalecimento das atuais Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), a compra de equipamentos e a promoção de 138 unidades prisionais para o padrão de segurança máxima dos presídios federais, com o objetivo de frear a articulação criminosa. O cronograma estabelece operações mensais integradas e a instalação, até setembro, dos comitês integrados de investigação financeira e recuperação de ativos. 

Segundo o Palácio do Planalto, a “nova estratégia nacional” de enfrentamento às organizações criminosas está estruturada a partir de quatro eixos de ações para as quais serão destinados, ainda este ano, R$ 1,06 bilhão, além de uma linha de financiamento de R$ 10 bilhões.

  • asfixia financeira do crime organizado;
  • fortalecimento da segurança no sistema prisional;
  • qualificação da investigação de homicídios;
  • enfrentamento ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos.

De acordo com o governo federal, os quatro eixos foram pensados como uma resposta apropriada a cada um dos pilares sobre os quais as facções criminosas sustentam seu poder: obtenção de lucros com as atividades ilícitas; comando das prisões, onde arregimentam mão de obra; falta de resposta/punição à violência letal e poder armado.

Articulação

Ainda de acordo com o Palácio do Planalto, a proposta é promover uma maior articulação entre as instâncias federal, estaduais e municipais, qualificando e potencializando investimentos e esforços operacionais contra “o andar de cima, o comando, e a base econômica das facções criminosas”

Lula ressaltou que o Executivo federal não tem intenção de ocupar o espaço dos governadores ou da polícia estadual.

"O dado concreto é que, se a gente não trabalhar junto, a gente não consegue vencer. E o crime organizado se aproveita da nossa divisão”, acrescentou.

Crédito

Além dos R$ 1,06 bi de investimento direto, o programa prevê a criação de uma linha de crédito para a segurança pública de R$ 10 bilhões. O dinheiro virá do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social. Criado em 2024, o chamado Fiis assegura recursos para o financiamento de investimentos em infraestrutura social, incluindo a melhoria da segurança pública.

Os estados ou municípios que recorrerem à linha de crédito poderão usar os valores contratados na compra de viaturas, motocicletas operacionais, lanchas, embarcações, equipamentos de proteção individual, equipamentos de menor potencial ofensivo, drones, sistemas de radiocomunicação e videomonitoramento e câmeras e scanners corporais, bem como na reforma de estabelecimentos penais, bloqueadores de sinal, equipamentos de perícia e informática e em soluções tecnológicas específicas para o setor.

Eixos

O primeiro eixo do programa, que está focado no estrangulamento dos fluxos financeiros que sustentam as atuais redes de atividades ilícitas, prevê um investimento federal direto de R$ 388,9 milhões. Entre as ações previstas está o fortalecimento das atuais Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), grupos operacionais que atuam em diferentes unidades federativas do Brasil, reunindo agentes de segurança locais e federais. Além disso, a ideia é criar uma Força nacional (Ficcos) para operações interestaduais de alta complexidade. Entre as outras ações previstas estão:

a instalação, em outras unidades federativas, do Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRA), criado em novembro de 2023, pelos governos federal e do Rio de Janeiro;o uso de novas ferramentas de análise criminal, como as modernas soluções tecnológicas para extração de dados de dispositivos móveis (smartphones; tablets, notebooks e wearables etc);a ampliação da alienação antecipada de bens do crime organizado, com leilões centralizados no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Presídios

Para ampliar o controle e a vigilância em estabelecimentos prisionais, a previsão é investir, em 2026, R$ 330,6 milhões para ampliar o controle sobre unidades estratégicas. O objetivo é “interromper a capacidade de articulação criminosa a partir das prisões".

A proposta inicial é promover 138 estabelecimentos (o que representa cerca de 10% da totalidade de unidades prisionais do país) ao “padrão de segurança máxima”, semelhante ao dos presídios federais. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, 80% das lideranças de organizações criminosas identificadas no país estão cumprindo pena nestes 138 estabelecimentos. Este segundo eixo do programa prevê:

a aquisição de drones, kits de varredura, raios X, veículos, georradares, scanners corporais, detectores de metal, soluções de áudio e vídeo e bloqueadores de celulares;a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP);a realização de operações integradas de inteligência para retirada de celulares, armas, drogas e outros objetos ilícitos dos presídios;o fortalecimento das agências de inteligência penitenciária;a capacitação de servidores e da padronização de protocolos de segurança.

Homicídios

O terceiro eixo busca melhorar a eficiência na resolução de crimes letais por meio da qualificação da investigação e da perícia policial. Aproximadamente R$ 201 milhões vão ser distribuídos, este ano, entre o conjunto de ações que preveem:

o fortalecimento das polícias científicas;a estruturação e qualificação dos Institutos Médico-Legais (IMLs);o fortalecimento da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos;a articulação do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab);a aquisição pelo governo federal, e posterior distribuição aos estados, de equipamentos como freezers científicos, viaturas refrigeradas para transporte de corpos, mesas de necropsia, mesas ginecológicas, comparadores balísticos, equipamentos de DNA, kits de coleta e amplificação de material biológico, armários deslizantes e cromatógrafos.

Tráfico

O programa promete destinar cerca de R$ 145 milhões às ações do programa de enfrentamento ao comércio ilegal de armas, munições e explosivos. Entre as quais estão:

o fortalecimento da capacidade de rastreamento e investigação;a criação da Rede Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Armas, Munições, Acessórios e Explosivos (Renarm);o fortalecimento do Sistema Nacional de Armas (Sinarm);o aparelhamento de delegacias especializadas;operações integradas de combate ao tráfico e ao desvio de armas.

De acordo com o ministro da Justiça e Segurança Pública, os dois primeiros eixos do programa partem de experiências “sólidas e já comprovadas”: a Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), e o exemplo dos presídios federais.

“Os outros dois eixos, com muita consistência, serão inovação fundamental para fecharmos a lógica que é o aumento do esclarecimento das taxas de homicídios [...] para eliminarmos este fator de atemorização, retroalimentando o poder do crime organizado, e o combate severo ao tráfico de armas”, explicou Wellington Silva.

Operações

O cronograma prevê a realização de operações mensais integradas das Ficcos estaduais e da Ficco nacional, além da instalação dos comitês integrados de investigação financeira e recuperação de ativos (CIFRAs) estaduais até setembro deste ano.

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Programa Brasil Contra o Crime Organizado

Governo Federal lança programa de R$ 11 bilhões contra o crime organizado e anuncia medidas voltadas a segurança pública

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança, nesta terça-feira (12), o programa Brasil Contra o Crime Organizado e anuncia medidas voltadas à segurança pública. O pacote prevê investimento de R$ 11 bilhões, sendo R$ 1 bilhão do Orçamento da União e R$ 10 bilhões via empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os estados.

“O Brasil contra o Crime Organizado foi construído em diálogo com os estados, especialistas e forças de segurança pública e tem por objetivo desarticular as bases econômicas, operacionais e sociais das organizações criminosas em todo o território nacional”, diz comunicado da Presidência.

O programa será estruturado em quatro eixos estratégicos:

– asfixia financeira das organizações criminosas;

– fortalecimento da segurança no sistema prisional;

– qualificação da investigação e do esclarecimento de homicídios; e

– combate ao tráfico de armas.

Em coletiva de imprensa, na semana passada, o presidente Lula destacou que é preciso “destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”. Após a reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último dia 7, Lula afirmou que o Brasil está disposto a colaborar com outros países nesse sentido.

“Vamos fazer algumas frentes [com o programa Brasil Contra o Crime Organizado], uma delas é a questão financeira. Nós precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções. Eles hoje viraram, em alguns casos, empresas multinacionais. Eles estão em vários países, no futebol, na política, no meio empresarial, estão em todo lugar, no poder Judiciário”, disse.

O programa deve ser formalizado por meio de um decreto presidencial e quatro portarias, exigindo a adesão dos estados para o acesso aos recursos do BNDES.

MaisPB com Agência Brasil 

Investigação apura atuação de facção criminosa na Paraíba

Operação Trapiche cumpre 60 mandados de prisão e apreensão em João Pessoa, capital paraibana

João Pessoa/PB. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Paraíba (FICCO/PB) deflagrou, nesta terça-feira (12/05), na cidade de João Pessoa, a Operação Trapiche, no âmbito da Operação Força Integrada II, iniciativa nacional realizada simultaneamente em 14 Estados da federação pelas respectivas FICCOs.

Durante as diligências na Paraíba, estão sendo cumpridos 40 mandados de busca e apreensão, 20 mandados de prisão preventiva e 7 medidas de bloqueio e sequestro de bens, expedidos pelo Poder Judiciário. A investigação apura a atuação de facção criminosa, especialmente na região central de João Pessoa, envolvendo os crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, comércio ilegal de armas de fogo, lavagem de capitais, entre outros.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) foi criada com base no conceito de força-tarefa e tem como objetivo fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas por meio da atuação conjunta das instituições de segurança pública.

A FICCO/PB é uma força de atuação integrada composta pela Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social da Paraíba (SESDS/PB) e Secretaria de Estado da Administração Penitenciária da Paraíba (SEAP/PB), em modelo de cooperação técnica e operacional coordenado pela Polícia Federal, sem hierarquia entre as forças participantes.

A FICCO está presente em todos os Estados da federação e no Distrito Federal. Atualmente, 39 unidades atuam em diferentes regiões do país.

Blog JURU EM DESTAQUE com MaisPB

Carne brasileira é excluída de lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal

União Europeia veta compra de carne brasileira e produtos de origem animal a partir de setembro; o bloco acusa o Brasil de falhas sobre uso de antimicrobianos

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© Arquivo/Agência Brasil
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A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco europeu.

A medida passa a valer em 03 de setembro e foi tomada porque, segundo as autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.

Na prática, isso significa que produtos brasileiros como carne bovina, carne de frango, ovos, mel, peixes e animais vivos destinados à alimentação poderão deixar de entrar no mercado europeu caso o governo brasileiro não consiga atender às exigências sanitárias até a data-limite.

A decisão foi confirmada pela Comissão Europeia e ainda precisa ser formalizada no diário oficial da União Europeia para produzir efeitos legais definitivos.

A União Europeia mantém uma lista de países considerados aptos a exportar produtos de origem animal ao bloco. Para integrar essa relação, cada país precisa comprovar que segue as normas sanitárias europeias.

O Brasil estava autorizado até agora, mas acabou retirado da lista após a revisão das regras ligadas ao uso de antimicrobianos na criação animal.

Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permaneceram autorizados a exportar normalmente para o bloco europeu.

Entenda substâncias

Antimicrobianos são medicamentos usados para combater microrganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Na pecuária, essas substâncias podem servir tanto para tratar doenças quanto para estimular o crescimento dos animais e aumentar a produtividade.

A União Europeia proíbe especialmente o uso de antimicrobianos que também são importantes para tratamentos médicos em humanos. O objetivo é evitar a chamada resistência antimicrobiana, situação em que bactérias passam a resistir aos medicamentos.

Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

O bloco europeu considera que o Brasil ainda não demonstrou de forma suficiente que essas substâncias deixaram de ser usadas ao longo de toda a cadeia produtiva animal destinada à exportação.

Como afeta o Brasil

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

Além da carne bovina, a medida pode afetar exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e produtos derivados de origem animal.

O problema não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados.

Caminhos possíveis

Em abril, o governo brasileiro publicou uma portaria proibindo parte dos antimicrobianos utilizados como melhoradores de desempenho animal. Mesmo assim, a União Europeia avalia que ainda faltam garantias adicionais.

O Brasil tem dois caminhos para reverter a situação: ampliar as restrições legais aos medicamentos restantes ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam essas substâncias.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Setor reage

Entidades do agronegócio brasileiro afirmaram que trabalham em conjunto com o Ministério da Agricultura para atender às exigências europeias antes da entrada em vigor da medida.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o Brasil continua habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu até setembro e disse que o setor tem sistemas robustos de controle sanitário e rastreabilidade.

Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) declarou que o país cumpre as normas internacionais e prestará esclarecimentos técnicos às autoridades europeias.

Representantes do setor de mel também criticaram a decisão. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, o Brasil é um dos maiores produtores de mel orgânico do mundo e não haveria justificativa técnica para restrições ao produto.

Pressão europeia

A decisão ocorre poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tema que enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França. Na segunda-feira (11), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) anunciou que o Brasil tinha começado a exportar carnes bovina e de aves ao mercado europeu com alíquota zero, por causa do regime de cotas do acordo.

Apesar disso, a medida sanitária não faz parte diretamente do acordo comercial. As regras sobre antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo.

O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou nesta terça que os produtores europeus seguem regras sanitárias rigorosas e que os produtos importados precisam obedecer aos mesmos padrões.

Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil,  com informações da Agência Lusa

Oposição começa a coletar assinaturas de PEC para anistiar presos do 8 de Janeiro

Líder do PL inicia coleta de assinaturas para protocolar proposta de emenda à Constituição (PEC) para anistiar os presos pela tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro

Oposição começa a coletar assinaturas de PEC para anistiar presos do 8 de Janeiro
© Getty Images

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), iniciou, nessa segunda-feira, 11, a coleta de assinaturas para protocolar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para anistiar os presos do 8 de janeiro, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Neste momento, a PEC tem 35 assinaturas das 171 necessárias - a oposição trabalha para já conseguir o número mínimo em no máximo duas semanas. 

Trata-se de uma reação à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu aplicação da Lei da Dosimetria até STF analisar medida que beneficia Bolsonaro.

"Diante da decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender a aplicação da Lei da Dosimetria, ficou ainda mais evidente para o Brasil que parte do sistema não aceita qualquer medida que represente justiça, equilíbrio e proporcionalidade para os condenados do 8 de janeiro. A resposta a esse novo abuso será dada dentro da Constituição", disse Sóstenes.

O texto anistia todos aqueles que "participaram, direta ou indiretamente, de fatos ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023" e tenham sido condenados pelos crimes de dano qualificado, deterioração de patrimônio público, associação criminosa armada, abolição violenta do estado democrático de direito e golpe de Estado.

Bolsonaro foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

"A decisão do Ministro Alexandre de Moraes suspendendo a lei representa uma afronta à soberania do Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal está impedindo a aplicação de uma norma aprovada pela ampla maioria dos congressista", disse Sóstenes.

A lei aprovada pelo Congresso Nacional reduz as penas de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro e também beneficiaria Bolsonaro, condenado a 27 anos por tentativa de golpe de Estado.

O texto aprovado prevê redução de penas e facilita progressão de regime para crimes contra o estado democrático de direito.

A reação por uma PEC, porém, levaria tempo até surtir efeito. A votação de propostas de emenda à Constituição costumam levar mais tempo - em alguns casos, nesta legislatura, o governo conseguiu trabalhar para que PECs incômodas não avançassem.

Foi o caso da PEC das Drogas, que queria qualificar como ato criminoso a prática de portar entorpecentes "independentemente da quantidade". A tramitação dessa proposta foi interrompida na Câmara, após aprovação no Senado. O governo conseguiu trabalhar para impedir que partidos indicassem membros para a formação de comissão especial para discutir esse projeto.

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Perdão “amplo, geral e irrestrito” aos condenados de 8 de janeiro

Após Alexandre de Moraes suspender Lei da Dosimetria, oposição reage no Congresso e tenta aprovar PEC da Anistia para condenados do 8 de janeiro

Foto: Mário Agra

A oposição no Congresso Nacional intensificou, nessa segunda-feira (11), a articulação para tentar retomar a chamada “PEC da Anistia”, proposta que prevê perdão “amplo, geral e irrestrito” aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

A movimentação ocorre após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que suspendeu os efeitos da Lei da Dosimetria até que o plenário da Corte analise ações que questionam a constitucionalidade da norma.

A Lei da Dosimetria havia sido promulgada na última sexta-feira pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após o Congresso derrubar veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A legislação prevê redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo réus acusados de participação na tentativa de golpe de Estado. No entanto, com a decisão de Moraes, os efeitos da lei ficam suspensos até julgamento definitivo do STF.

A reação da oposição foi liderada pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados.

O parlamentar classificou a decisão de Moraes como “esdrúxula” e afirmou que a suspensão da Lei da Dosimetria fortaleceu a defesa da PEC da Anistia. “Só resta a alternativa da PEC”, declarou.

Segundo Sóstenes, o texto já foi protocolado no sistema da Câmara e agora entra na fase de coleta de assinaturas. Para que a proposta comece oficialmente a tramitar, são necessárias pelo menos 171 assinaturas de deputados federais e 27 assinaturas de senadores.

“Já dei entrada, e agora vou colher assinaturas e trabalhar para pautá-la com agilidade, para finalmente fazer justiça aos apenados do dia 8 de janeiro”, afirmou.

O que prevê a PEC?

O texto da proposta concede anistia aos condenados por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro, incluindo:

dano qualificado;

deterioração de patrimônio público;

associação criminosa armada;

tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito;

golpe de Estado.

Na justificativa apresentada pela oposição, os autores da PEC afirmam que a suspensão da Lei da Dosimetria representa uma “afronta à soberania do Congresso Nacional”.

“O Congresso Nacional tem que ser respeitado. Não pode um único juiz derrubar a decisão do Parlamento”, diz trecho da justificativa.

Bolsonaro pode ser beneficiado

Caso a PEC seja aprovada, um dos possíveis beneficiados seria o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na trama golpista.

Diferentemente da Lei da Dosimetria, que previa apenas redução de pena, a PEC da Anistia pode resultar no perdão integral das condenações relacionadas aos atos antidemocráticos.

Articulação com Hugo Motta

Durante entrevista, Sóstenes Cavalcante também afirmou que, antes da votação da Lei da Dosimetria, houve articulação com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), para tentar construir um texto que não enfrentasse resistência no STF.

Apesar disso, a suspensão determinada por Alexandre de Moraes reacendeu o embate entre oposição e Supremo Tribunal Federal sobre os limites de atuação entre os Poderes.

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