Ministro Sergio Moro pode aprofundar uso da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária
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| Sergio Moro: “Onde a força-tarefa tem atuado temos visto uma grande diferença” - (Arquivo/Antonio Cruz/ Agência Brasil) |
O
ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse hoje (4),
que planeja “aprofundar” o emprego da Força-Tarefa de Intervenção
Penitenciária, coordenada pelo Departamento Penitenciário Nacional, para
auxiliar os estados que enfrentem crise no sistema carcerário.
“Onde
a força tem atuado temos visto uma grande diferença”, disse o ministro,
ao participar de reunião do Conselho Nacional dos Secretários de Estado
da Justiça, da Cidadania, Direitos Humanos e Administração
Penitenciária (Consej), no Palácio Iguaçu, em Curitiba (PR).
“Queríamos aprofundar essa política. Nossa ideia é utilizar esta força
de intervenção para uma atuação até mais preventiva que reativa em
algumas penitenciárias conhecidas por suas dificuldades e tentarmos
retomar o controle de maneira mais rápida”, acrescentou.
Criada
em janeiro de 2017, durante o governo Temer, a força-tarefa é composta
por agentes federais de execução penal, além de agentes penitenciários
cedidos pelos estados e pelo Distrito Federal, e atua mediante a
solicitação dos governos locais em situações extraordinárias para
controlar distúrbios e resolver outros problemas.
Espírito de solidariedade
Espírito de solidariedade
“Sei
que isto tem um custo para a administração penitenciária dos estados,
mas este é o espírito de solidariedade. Temos que trabalhar juntos para
vencer os problemas criminais”, disse Moro, afirmando que as
estatísticas sugerem que o enfrentamento às organizações criminosas
dentro das unidades carcerárias tende a se refletir em uma redução da
criminalidade nas ruas.
“Temos
observado uma correlação clara entre a melhoria do sistema carcerário,
no sentido da retomada do controle, com a melhoria das taxas de crimes
do lado de fora. Ou seja, quando o Estado intervém, impõem seu controle
sobre o que acontece dentro dos presídios, isto normalmente se reflete
em um menor número de crimes fora dos presídios”, declarou o ministro,
admitindo que a retomada do controle dos presídios passa também por
melhorar a infraestrutura das penitenciárias e oferecer aos presos
melhores condições de cumprimento das penas, incluindo a oportunidade de
trabalhar para, assim, reduzir suas penas.
Desbloqueio de dinheiro
Sergio Moro lembrou que, na semana passada, o Ministério da Economia liberou parte dos recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), o que permitirá ao governo federal repassar recursos para os estados investirem no sistema prisional.
Sergio Moro lembrou que, na semana passada, o Ministério da Economia liberou parte dos recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), o que permitirá ao governo federal repassar recursos para os estados investirem no sistema prisional.
Após
reconhecer que, ainda assim, os recursos para a segurança pública como
um todo ainda são insuficientes, Moro comentou que nem sempre o
Ministério da Justiça e Segurança Pública consegue executar todo o seu
orçamento.
“Às vezes há dinheiro, mas
não há projetos e capacidade de executar os orçamentos existentes”,
disse, repetindo algo que é dito há anos e que, inclusive, já motivou
seus antecessores a destinarem recursos à qualificação de técnicos
estaduais responsáveis por elaborar projetos.
“Não
adianta apontar para os estados, nem para o governo federal. Ambos são
responsáveis. Às vezes falham os estados, às vezes o governo federal que
não tem capacidade de ajudar os estados a fazer estes projetos”, disse
Moro,mencionando que, para contornar o problema, a Medida Provisória
885, que trata de disposições relacionadas à agilização da venda de
ativos vinculados ao tráfico de drogas e a permissão da utilização
imediata dos valores decorrentes destas vendas, prevê a autorização para
o ministério contratar engenheiros temporários. A MP 885 já foi
aprovada na Câmara dos Deputados e está sendo analisada no Senado.
Pacote anticrime
O ministro da Justiça ainda aproveitou a presença do governador Carlos Massa Ratinho Júnior e de representantes da área de segurança pública de 22 unidades da federação para pedir apoio à aprovação de seu pacote anticrime. Ele lembrou que o projeto, submetido ao Congresso Nacional, prevê, entre outros pontos, o endurecimento do combate às organizações criminosos.
O ministro da Justiça ainda aproveitou a presença do governador Carlos Massa Ratinho Júnior e de representantes da área de segurança pública de 22 unidades da federação para pedir apoio à aprovação de seu pacote anticrime. Ele lembrou que o projeto, submetido ao Congresso Nacional, prevê, entre outros pontos, o endurecimento do combate às organizações criminosos.
“Temos que isolar as
lideranças criminosas”, disse Moro, ao detalhar a proposta de ampliar de
um para três anos o tempo que presos de alta periculosidade podem ficar
internados em presídios federais.
“Temos
oferecido [aos estados] o apoio dos presídios federais, mas é
importante que somente os presos de elevada periculosidade sejam
enviados para os presídios federais. Este crivo é de responsabilidade
dos estados. Porque se forem mandados presos que não se encaixam neste
perfil, o pior risco é eles ficarem um tempo por lá e voltarem pior, aí
sim como lideranças”, comentou, afirmando achar um ano tempo
insuficiente para isolar líderes de facções criminosas.
“Tem
que ficar mais tempo. Um ano é pouco tempo para a transferência ter
qualquer eficácia. É perda de tempo. E embora a legislação já permita
que, se necessário, prorroguemos ano após ano, isso gera problemas
burocráticos e também disposição indevida da administração
penitenciária, do Ministério Público e dos juízes que têm que tomar
essas decisões”, finalizou o ministro da Justiça.
Fonte: Agência Brasil - Publicado por: Suedna Lima

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