Por que o governador empareda Assembleia apesar de ser minoria na Casa?
Não
constitui novidade que o governador Ricardo Coutinho perdeu
praticamente metade de seus deputados na Assembleia. Sua bancada, como
se sabe, desidratou para no máximo uma dúzia de parlamentares (sendo
muito otimista). Porém, mesmo em minoria, o governador, de forma
surpreendente, consegue emparedar a maioria da Casa.
O governador
segue vetando projetos aprovados na Casa, desafiando os parlamentares
quando se fala em criar uma CPI para apurar as denúncias de
irregularidades na relação com a Cruz Vermelha gaúcha, e seus auxiliares
não poupam adjetivos pejorativos aos deputados. Eles já foram tachados
de batráquios, burros, corruptos e tantos outros qualificativos do
gênero.
Porém, há meses, dorme na Casa um pedido, protocolado
pelos defensores públicos, de criação de uma comissão especial para
julgar o governador por descumprir seguidamente a legislação e, segundo a
categoria, cometer crime de responsabilidade. Mas, mesmo com todos os
documentos anexos, a Assembleia não vota o parecer dado pela
procuradoria da Casa.
Outro exemplo: quando percebeu que poderia
ter dificuldades na votação de suas contas, especialmente após ficar com
uma bancada diminuta, o governador foi pra cima, pregando que os
deputados estavam preparando um golpe para desaprovar suas contas.
Desaprovação de contas como se sabe enquadra o governador da Lei da
Ficha Limpa e o torna inelegível por oito anos.
Em todos os casos,
a Assembleia se mostra intimidada aos olhos da opinião pública, apesar
de reações pontuais do presidente Ricardo Marcelo. Impressiona a
passividade como os deputados reagem ante a agressividade do governador,
que peita os parlamentares com um destemor que faz pensar. Será mesmo
que os deputados devem tanto assim, que seguem temendo o governador?
Pelo
andar da carruagem, Ninguém se surpreenda se a Assembleia jamais votar a
criação de uma comissão para apurar as responsabilidades do governador
em relação à Defensoria. E não será de causar espanto se os deputados,
depois de todo o barulho, aprovarem suas contas, apesar dos pareceres
técnicos contrários dos auditores, do Ministério Público e até do
conselheiro Umberto Porto pela desaprovação das contas, como medo de
serem acusados de golpistas.
Helder Moura
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