Luis Alberto Guedes: Natural de João Pessoa, Luis Alberto Guedes é Bacharel em Jornalismo pela UFPB. Atualmente é acadêmico da faculdade de Direito é pós-graduado em Gestão Pública na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Aluno Marista por nove anos, conheceu política no Pio X, onde foi eleito por três vezes presidente do Grêmio Estudantil. É conhecedor de Marketing e Consultoria política. Passou pelo Jornal A União e pelo Portal PB Agora. Atualmente é editor do MaisPB e apresentador do programa ´Tribuna do Povo´, dá Rádio Sanhauá.
Cássio, Ricardo e ‘O Príncipe’
Como era de se esperar, Cássio deu o tom da relação que irá manter com
seu adversário até as eleições de outubro. Durante evento que o aclamou
representante tucano para o pleito estadual, o ex-governador deixou
nítido o abismo que separa sua personalidade política a do agora rival
Ricardo Coutinho: “Prefiro ser querido a ser temido”. Aos menos atentos,
a frase pode ter sido assimilada por seu sentido mais evidente,
contudo, na verdade, guarda um extenso discurso, que, sem dúvida, será
mote certo no debate psicológico que irá travar com o “mago”.
A curta frase nada mais é que uma contradição intencional ao ensinamento
do pensador Nicolau Maquiavel, autor da obra “O Príncipe” – um dos mais
importantes tratados políticos acerca da construção e manutenção do
poder. De forma ousada, porém tão sábia quanto mordaz, Cássio contrapôs o
célebre pensamento do italiano “É melhor ser temido que amado”,
conseguindo, assim, tanto satisfazer o orgulho ferido dos “maltratados”
aliados, quanto jogar ‘na cara’ de Ricardo a marca de um ser
‘maquiavélico’.
A curta afirmação soou para mim como a senha cabal de qual caminho
seguirá Cássio na construção de seu discurso opositor. Ficou evidente
que aproveitará o perfil ‘seco’ de seu adversário contra o próprio,
enquanto seguirá pelas ruas distribuindo o que os Cunha Lima guardam
como grande trunfo de sua popularidade: a simpatia (os admiradores do
irreverente Ronaldo que me corrijam).
Pela que leio, a estratégia de Cássio será a de pegar Ricardo
desprevenido, ainda acreditando (como propaga) que o povo paraibano está
pronto a aceitar um governante sem qualquer carisma, porém que bem
administre. No instante em que Coutinho perceber que grande parte do
povo paraibano ainda não enxerga as coisas dessa forma (e a prova está
nos números impactantes de sua rejeição) talvez seja tarde demais:
Cássio já terá feito o estrago, imprimindo em Ricardo a personalidade de
um “patrão” feroz e arrogante; de um governante insensível, diferente
dele.
(EM TEMPO: enquanto escrevia este último parágrafo, atentei para uma
propaganda televisiva do Governo do Estado tratando do Orçamento
Democrático. Na peça publicitária, é marcante o slogam: “É muito bom
quando a gente sabe que foi ouvido”. Pois é Ricardo... Ser ouvido é uma
forma de se sentir afagado. Por que não pensou nisso antes? Ou melhor:
por que não ‘propagou’ antes que estaria disposto a ouvir? Espera aí...
Como é que é?! O povo da Paraíba não precisa de afago, precisa de
realizações? É mesmo? E o que explica então sua rejeição se as obras
estão em curso?).
Enquanto Ricardo continua sem entender por que suas realizações não se
convertem em simpatia popular, Cássio é inteligente o suficiente para
entender que não bastam obras para conquistar o carinho alheio, mas a
crença que são comandados por alguém que se importa em ‘perder seu
tempo’ buscando agradá-los; se esforçando para ser mais sensível à sua
dor; tentando ser simplesmente um deles, por mais que ocupe posição de
autoridade.
Ora, quem nunca ouviu a sábia frase dos comerciantes de sucesso: “O
cliente tem sempre razão”? De que serve, governador, um restaurante de
boa cozinha e serviço, se não nos sentimos acolhidos no ambiente? Em
outros Estados (talvez no Sudeste frio e sem simpatia) pouco importe se
receberá um sorriso na porta: basta que a comida seja boa e que o
atendimento (mesmo ‘seco’) seja ágil e eficiente. E aqui na Paraíba, a
“terra dos espetinhos na rua” (tão cheios de intimidade
proprietário/cliente), as coisas funcionam da mesmo forma, governador?
Até concordo com sua tese, não nego. Ninguém está votando em um concurso
de “pai do ano”, votamos na expectativa que seja um bom administrador.
Mas entre um que mesmo competente, mais parece um patrão autoritário, e
outro que além das virtudes administrativas, me trata com fraternal
atenção, em quem o senhor acha que o eleitor do “Estado do povo
acolhedor” irá depositar seu voto? Releia a pesquisa MaisPB/Consult que o
senhor talvez vá encontrar sua resposta...
“Prefiro a humildade ao lado dos amigos, que bonança entre os que me
rejeitam”. É assim que o povo pensa, governador. Só o senhor que ainda
não percebeu?
Cássio sabe que a Paraíba não é a Itália renascentista de Maquiavel (nem
nunca será) e que uma gestão só vingará se contar com o povo a seu lado
como ‘amigo’, não como mero espectador ou ‘cliente’. O equívoco, na
verdade, mora na falta de visão de Ricardo do cenário ao seu redor: ser
temido a ser amado cabe a um dono de empresa, não a um líder de uma
população de maioria carente (inclusive de carinho). Ser respeitado não
me impede de ser querido, excelência. Pense nisso...
A título de reflexão, deixo a paródia: “Em terra de infelizes, quem tem um abraço é rei”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário