quarta-feira, 15 de abril de 2026

Operação revela infiltração do crime organizado em prefeitura paraibana

Investigação aponta, com riqueza de detalhes, esquema de R$ 273 milhões com infiltração criminosa na máquina pública de Cabedelo, na Paraíba

O organograma da Operação Cítrico revela, com riqueza de detalhes, o que investigadores classificam como uma engrenagem sofisticada de infiltração do crime organizado dentro da administração pública de Cabedelo.

De acordo com o que foi apurado pela redação do BC1, o esquema revelado pelo GAECO do Ministério Público da Paraíba, PF e CGU, teria girado em torno de um consórcio empresarial liderado pela empresa Lemon Terceirização, apontada como eixo central de movimentação de recursos públicos (mais de R$ 273,4 milhões em contratos).

A empresa Lemon Terceirização aparece como um nó de corrupção em Cabedelo/PB. O esquema converteu recursos públicos em financiamento para facção “Tropa do Amigão”.

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O coração do esquema

Os dados indicam que:

  • R$ 243,4 milhões foram movimentados pela Lemon Terceirização
  • Outros R$ 30 milhões passaram por empresas de mão de obra ligadas ao grupo

Segundo a investigação, essas empresas funcionariam como braço logístico e financeiro, sustentando uma estrutura que ia além da prestação de serviço: operava como canal de escoamento de dinheiro público. Como o esquema funcionava

O modelo, segundo o organograma, seguia uma lógica de dominação: 

Loteamento da máquina pública

Cargos e contratos eram distribuídos mediante influência territorial e apoio armado em comunidades.

Licitações direcionadas

Editais com cláusulas restritivas eliminavam concorrentes e garantiam contratos ao grupo investigado.

“Indicação FTK”

Documentos oficiais traziam anotações explícitas de indicações feitas por lideranças criminosas — um elo direto entre o crime e decisões administrativas

Dinheiro vivo e “folha paralela”

Outro ponto que chama atenção é a operacionalização financeira:

  • Existência de uma “folha paralela”, com pagamentos em espécie a lideranças criminosas
  • Saques superiores a R$ 2,1 milhões, feitos em caixas eletrônicos e lotéricas, para dificultar o rastreamento

O que está por trás

O organograma aponta que o esquema não se limitava a corrupção administrativa. A investigação sugere que recursos públicos podem ter sido usados para:

  • Financiar facção criminosa
  • Garantir controle territorial
  • Manter influência política e institucional

Na prática, o que se desenha é um modelo onde contratos públicos teriam sido utilizados como instrumento de poder — político, financeiro e, segundo a apuração, até criminal.

O caso segue sob investigação da Polícia Federal, Ministério Público e órgãos de controle.

Blog JURU EM DESTAQUE com Blog do Clilson

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