terça-feira, 17 de março de 2026

Caminhoneiros alertam governo sobre greve nos próximos dias

Categorias reclamam da alta do diesel e dizem que reajuste da Petrobras anulou alívio prometido em pacote de medidas

Greve dos caminhoneiros em 2021
Greve dos caminhoneiros em 2021  • FREDERICO BRASIL/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Caminhoneiros de diferentes regiões do país voltaram a alertar o governo federal sobre a possibilidade de uma paralisação nacional nos próximos dias. A insatisfação tem como pano de fundo a escalada do preço do diesel e a avaliação de que as medidas anunciadas para conter o impacto do combustível não surtiram efeito.

Nessa segunda-feira (16), lideranças do setor deram sinal verde para a mobilização após assembleia no Porto de Santos (SP). A data ainda não foi definida, mas há integrantes que defendem o início do movimento já nesta semana.

A articulação envolve tanto motoristas autônomos quanto profissionais vinculados a empresas de transporte. Um comunicado oficial deve ser encaminhado ao Palácio do Planalto ainda nesta terça-feira (17).

Na última semana, o governo anunciou um pacote de medidas para aliviar o setor, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio. A União zerou PIS/Cofins sobre o diesel, criou uma subvenção para reduzir os preços nas bombas e anunciou mudanças na fiscalização dos valores.

Na sequência, porém, a Petrobras anunciou um reajuste no combustível, o que, segundo a categoria, esvaziou parte do efeito das medidas.

Caminhoneiros também afirmam que parte do benefício ficou retida na cadeia de distribuição e criticam a falta de fiscalização. Segundo eles, o modelo anunciado pelo governo ainda não se mostrou eficaz.

“Em cada dois quilômetros você encontra um preço diferente. O governo precisa fiscalizar distribuidoras e revendedoras de uma outra forma”, disse Wallace Landim, presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores).

A insatisfação reflete o aumento contínuo dos custos do transporte e a ausência de medidas estruturais que garantam previsibilidade ao setor. Entre as principais demandas estão a redução coordenada do ICMS pelos estados e o reforço na fiscalização dos preços.

A categoria também cobra a revisão de pedágios e a garantia do cumprimento do piso mínimo de frete. O movimento é puxado principalmente por caminhoneiros autônomos, mas, segundo associações, pode ganhar adesão de motoristas de aplicativo e do transporte escolar.

Apesar do tom crítico, lideranças afirmam que ainda há espaço para negociação. Representantes da categoria mantêm diálogo com integrantes do governo, incluindo a Casa Civil, na tentativa de evitar uma paralisação.

A CNN procurou o Palácio do Planalto sobre o assunto e aguarda retorno.

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