Pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo desenvolve Aedes aegypti de ovos estéreis
Mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da zika, em laboratório de São Paulo - (Foto: AP Photo/Andre Penner, File) |
Uma nova variedade de mosquitos transgênicos deve começar a ser testada para combater o Aedes aegypti,
transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela. A variedade
foi desenvolvida pelo no Instituto de Ciências Biomédicas da
Universidade de São Paulo (USP) e pode começar a ser produzido em fase
de testes em setembro. Os insetos modificados geneticamente têm
espermatozoides defeituosos que, após o acasalamento, resultam em ovos
estéreis.
O mosquito é pensado para se integrar a outras estratégias de combate ao Aedes.
Segundo a professora Margareth Capurro, principal responsável pela
pesquisa, ao evitar sequer o aparecimento das larvas, o inseto
transgênico se combina perfeitamente com o trabalho de identificação e
destruição de focos em áreas urbanas. Porque os protocolos de ação dizem
que, quando são encontrados mosquitos nesse estágio de desenvolvimento,
deve ser feito o uso de produtos químicos para eliminação dos animais.
“Para
não ter que mudar todas as medidas, todos os parâmetros do mundo
inteiro de combate ao mosquito, a linhagem que é estéril é mais
adaptável ao que é a medida do controle”, enfatiza Margareth, que já
trabalhou no desenvolvimento de outras variedades de mosquitos
modificados geneticamente. Um desses, produzido pela empresa Oxitec, por
exemplo, tem machos que transmitem um gene que impede que os
descendentes cheguem a fase adulta.
Essa nova pesquisa, financiada
pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e
pela Agência Internacional de Energia Atômica, atende a uma demanda
colocada pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, de acordo com a
professora. Por isso, a preocupação de maximizar a integração com
outras estratégias de combate ao mosquito.
Próximas etapas
A segunda fase
do projeto, prevista para começar em setembro, será feita em parceria
com a organização social Moscamed Brasil, em uma fábrica em Juazeiro, na
Bahia. Os testes serão feitos em gaiolas de campo, de 3 metros
quadrados, colocadas em ambiente natural.
“O objetivo é saber se
eles sobrevivem e são capazes de copular na presença de ventos ou de
chuvas. Esse é um teste importante, pois, quando fazemos uma modificação
genética, além das características de interesse, podemos induzir também
características indesejáveis”, explica a pesquisadora.
Se o
projeto correr como o esperado, a terceira fase pode ser iniciada ainda
no final de 2019, com a produção piloto de 500 mil insetos por semana. A
partir dos ajustes finais feitos nesta etapa, o mosquito estará pronto
para ser reproduzido em grande escala.
A biofábrica de Juazeiro
tem capacidade instalada para produzir 14 milhões de mosquitos por
semana. Margareth destaca que o Brasil fez, com a variedade da Oxitec,
uma das maiores solturas de mosquitos no ambiente do mundo, com cerca de
1 milhão de animais por semana.
A ideia é que esse novo Aedes modificado possa ser usado também em outros países, sendo distribuído pela Organização das Nações Unidas.
Agência Brasil
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