terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Especialistas alertam para um fenômeno comum

Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à conscientização sobre saúde mental, chama atenção para adoecimento emocional silencioso

Janeiro Branco chama atenção para adoecimento emocional silencioso

Ansiedade constante, dificuldade para dormir e perda de interesse por atividades cotidianas têm se tornado queixas cada vez mais frequentes nos consultórios. Durante o Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à conscientização sobre saúde mental, especialistas alertam para um fenômeno comum: o sofrimento psíquico silencioso, muitas vezes tratado como algo “normal” diante da rotina acelerada.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil está entre os países com maiores índices de ansiedade no mundo, enquanto quadros de depressão, estresse crônico e burnout seguem em crescimento. Ainda assim, falar sobre saúde mental continua sendo um tabu para muitas pessoas, o que atrasa o diagnóstico e o início do cuidado adequado.

Segundo o psicólogo clínico Suelliton Jackson (CRP 13/6582), que atua há mais de uma década na área, os sinais de adoecimento emocional costumam ser ignorados ou minimizados. “Alterações persistentes de humor, ansiedade constante, irritabilidade, dificuldades de concentração, cansaço excessivo e sensação de vazio não devem ser encaradas como algo normal da vida moderna. Quando o sofrimento começa a impactar o trabalho, os relacionamentos e a autoestima, é um sinal claro de que a saúde mental precisa de atenção”, explica.

Na prática clínica, o profissional relata que muitos pacientes chegam ao consultório após longos períodos lidando sozinhos com a dor emocional. “Buscar ajuda exige coragem. O processo psicoterapêutico nem sempre é fácil, mas é justamente nesse percurso que surgem transformações profundas. Com escuta qualificada, acolhimento e compromisso, é possível ressignificar histórias marcadas por frustração, traumas e sentimentos de incapacidade”, afirma.

Para Suelliton, compreender a saúde de forma integral é fundamental. “Somos seres biopsicossociais, culturais e espirituais. Cuidar da mente é cuidar da vida. A psicoterapia amplia o autoconhecimento, fortalece emocionalmente e ajuda o indivíduo a reconstruir caminhos mais saudáveis”, completa.

Inseridas nesse contexto de conscientização, algumas instituições de saúde têm buscado maneiras de aproximar o tema do cotidiano das pessoas. Na Paraíba, o plano Afrafep Saúde aderiu ao Janeiro Branco com ações nos consultórios do seu Centro Médico, como a distribuição de mensagens de incentivo ao cuidado emocional e a utilização de camisas alusivas à campanha pelos profissionais. “A proposta é contribuir para a naturalização do diálogo sobre saúde mental dentro dos espaços de atendimento”, destaca Suelliton Jackson, que também atende na unidade. “Quando o tema aparece de forma acessível, sem julgamentos, as pessoas se sentem mais à vontade para reconhecer suas fragilidades e buscar ajuda”, reforça o psicólogo.

O Janeiro Branco propõe exatamente esse movimento: convidar a sociedade a olhar para a saúde mental com mais atenção, responsabilidade e empatia. Em um cenário de sobrecarga emocional crescente, falar sobre sentimentos, estabelecer limites e buscar apoio profissional deixa de ser fraqueza e passa a ser um cuidado essencial com a própria vida.

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