Ex-governador Ricardo Coutinho nega acusações e juiz mantém decretação da prisão

Na audiência de custódia, hoje, perante o juiz Adilson
Fabrício, na Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba, o
ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), que foi preso ontem à noite por
agentes da Polícia Federal no aeroporto de Natal, Rio Grande do Norte,
negou ter cometido crimes ou ter recebido propina, tal como denunciado
em depoimentos colhidos pela Operação Calvário, do Ministério Público do
Estado em articulação com o Gaeco. O juiz Adilson Fabrício determinou
que Coutinho vai continuar preso e será levado para uma sala separada da
Penitenciária Hitler Cantalice, em Mangabeira. As visitações foram
restritas a parentes de primeiro e segundo grau com as mesmas regras
estipuladas para os demais presos
Adilson Fabrício coordenou as demais audiências dos presos na sétima
fase da Operação Calvário, denominada “Juízo Final”, que apura
irregularidades e desvio de recursos públicos por agentes do governo, em
conluio com escritórios de advocacia e representantes de organizações
sociais contratadas para gestão pactuada nas áreas da Saúde e da
Educação na Paraíba. A defesa de Ricardo Coutinho insistiu na sua
liberdade, reiterando pedidos já formulados, mas o juiz negou o
atendimento da solicitação. Para os defensores do ex-governador, a
prisão preventiva não se faz necessária, tendo em vista que Ricardo é
uma pessoa pública com endereço certo, sem antecedentes, e que não há
qualquer ingerência sua na administração do governador João Azevêdo, de
quem foi aliado político.
A defesa do ex-governador alegou que a medida preventiva só tem lugar
quando não forem mais adequadas as demais medidas de caráter legal e
pediu a revogação da prisão preventiva, bem como que o ex-governador não
vá para uma penitenciária comum, de forma a garantir a sua integridade
física. O pleito foi no sentido de que Ricardo fosse encaminhado ao
Quinto Batalhão da Polícia Militar, mas não houve acatamento por parte
do juiz. Textualmente, justificou o doutor Adilson Fabrício: “No Estado
da Paraíba existe uma portaria do juiz da Vara Militar que proíbe a
presença de presos civis em prisões militares. Enquanto essa portaria
estiver em vigor, não posso decidir em contrário. Se existisse um
colaborador na área determinada ao preso, ele tem o direito de ficar em
local diferenciado dos demais. Onde o colaborador ficar serão colocadas
pessoas do convívio dele. Não entendo que haja risco à segurança do
custodiado. Não verifico risco à integridade física”.
O juiz acrescentou que a Polícia Federal é investigativa e só em caso
de prisão temporária essa manutenção é cumprida lá, mas não há
condições de manter um preso na Polícia Federal. “Sou coerente às minhas decisões e
não se dará tratamento diferenciado a presos. Ele (Ricardo) deve ter
prisão especial porque tem curso superior e o recolhimento deve ser
feito no presídio em ala separada. Não deve ser mantido em cela isolada.
Ele deve ficar com outros presos, em local diferente de Gilberto
Carneiro e Waldson de Sousa porque será melhor para o dia a dia dele no
cárcere”, prosseguiu. Por fim, Adilson Fabrício informou que o
desembargador Ricardo Vital tomaria conhecimento e caberia a ele
analisar uma reconsideração. Serão obedecidas as mesmas regras de
visitação a outros presos, não sendo permitido o uso de celular ou
qualquer outro meio de comunicação externa”.
Na audiência, pelo que vazou para a imprensa, o ex-governador Ricardo
Coutinho negou as acusações. “Sou inocente. Não recebo recursos ilegais
de ninguém nem tenho sociedade com nenhuma empresa. Tenho uma única
empresa que nunca movimentou uma nota fiscal, que é uma consultoria
pessoal chamada Filipeia. E não movimentou porque eu abri esse ano,
porque foi um ano muito difícil devido a ataques à minha reputação”,
reagiu Coutinho.
Os Guedes
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