domingo, 29 de dezembro de 2019

Entrevista de Ricardo Coutinho um dia após sair da prisão


Flávio Lúcio
No último domingo (22/12) à noite, exatamente um dia após conseguir habeas corpus no STJ, Ricardo Coutinho participou de uma transmissão ao vivo pelas redes sociais para se posicionar sobre os recentes acontecimentos da chamada Operação Calvário. Aceitei o convite para conduzir a entrevista e o resultado você pode conferir nos principais trechos que vamos publicar a partir de agora.
Abaixo, Ricardo Coutinho esclarece trechos dos aúdios divulgados em que dá a entender que ele cobrava 10% dos valores repassados às Organizações Sociais que administravam hospitais públicos da Paraíba.
SOBRE OS ÁUDIOS DIVULGADOS: “10%” E O “DÉCIMO-TERCEIRO”
Ricardo Coutinho diz que não pode reconhecer legitimidade ou legalidade aos áudios até agora divulgados: “claramente é um áudio truncado, com alterações”. Ele menciona alguns trechos que mostram a manipulação dos diálogos com um dos representantes das Organizações Sociais investigadas.
“No meio de uma conversa com uma OS que relutava em assumir um outro hospital de neurologia e cardiologia porque era no último ano de governo. No último ano de governo, a tradição brasileira é que o Estado este ‘estourado’, que o outro governador quando entra não tem nada em caixa. E eu deixei o [governo do] Estado da Paraíba com R$ 262 milhões livres. Vou repetir: R$ 262 milhões livres! E mais R$ 51 milhões em Fundeb ( Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Fora os convênios, os empréstimos que estavam em curso. Eu deixei o Estado numa posição extremamente positiva, com todos os serviços funcionando. E deixei uma ampliação da rede de saúde de 1.300 leitos hospitalares. É muita coisa”
Em seguida, Ricardo não foge da pergunta e retorna a falar do diálogo revelado em um áudio vazado apenas com interesse de gerar dúvida sobre essas conversas:
“Nesse sentido, eu estava dizendo que os 10% eu pagaria – eu não, o Estado, porque eu não pago nada, era o Estado, – que eu garantia que o estado pagaria uma entrada de 10% para se comprar os equipamentos de um hospital tão caro como aquele.”
Sobre uma das passagens mais rumorosas e mais exploradas pelos adversários de Ricardo Coutinho na imprensa que dá a entender que o ex-governador negociava um “décimo-terceiro” para ele:
“E na parte do ‘décimo-terceiro’ ou é um erro ou uma má-fé muito grande. Eu falei que o décimo-terceiro que estava garantido era o do funcionalismo público. Não era o meu décimo-terceiro. Eu tinha décimo-terceiro como governador, pago pelo Estado! Eu não recebo dinheiro de ninguém, eu nunca recebi nada que não tivesse dentro dos meus vencimentos!“
Ricardo então lembra então da sua trajetória:
“Vivi por 28 anos anos consecutivos com mandatos eletivos! E nunca recebi nada! E não era porque eu tinha de fazer favor a alguém, e sim porque essa é a história e que deve ser seguida.”
RC finaliza essa parte atentando para um detalhe que permanece inatacável, e que precisa ser devidamente comprada caso se queira dar credibilidade a essas acusações, que é o patrimônio compatível com sua renda:
“E o meu patrimônio é absolutamente compatível com aquilo que eu ganhei ao longo desses anos”.
Umas das características da corrupção é a existência do crescimento do patrimônio incompatível com a renda aferida. Ou no nome de familiares ou laranjas. Ou de contas no exterior, ou mesmo malas de dinheiro. Ao invés de demostrar a existência de enriquecimento ilícito ou de benefícios pessoais de Ricardo Coutinho, ou de todos os outros presos na Operação Calvário, o Ministério Público opta pelo caminho da tentativa de condenar o ex-governador antecipadamente na Opinião Pública, e destruir sua reputação.
Por isso, antes de você firmar qualquer juízo de valor que atente contra a imagem de Ricardo ou de qualquer outro citado por delatores em busca dos generosos benefícios com que são premiados nos acordos com o Ministério Público, é recomendável que você espere os desenrolar das investigações.
Com Flávio Lúcio
Blog do Márcio Rangel 

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