
Flávio Lúcio
No
último domingo (22/12) à noite, exatamente um dia após conseguir habeas
corpus no STJ, Ricardo Coutinho participou de uma transmissão ao vivo
pelas redes sociais para se posicionar sobre os recentes acontecimentos
da chamada Operação Calvário. Aceitei o convite para conduzir a
entrevista e o resultado você pode conferir nos principais trechos que
vamos publicar a partir de agora.
Abaixo,
Ricardo Coutinho esclarece trechos dos aúdios divulgados em que dá a
entender que ele cobrava 10% dos valores repassados às Organizações
Sociais que administravam hospitais públicos da Paraíba.
SOBRE OS ÁUDIOS DIVULGADOS: “10%” E O “DÉCIMO-TERCEIRO”
Ricardo
Coutinho diz que não pode reconhecer legitimidade ou legalidade aos
áudios até agora divulgados: “claramente é um áudio truncado, com
alterações”. Ele menciona alguns trechos que mostram a manipulação dos
diálogos com um dos representantes das Organizações Sociais
investigadas.
“No meio de
uma conversa com uma OS que relutava em assumir um outro hospital de
neurologia e cardiologia porque era no último ano de governo. No último
ano de governo, a tradição brasileira é que o Estado este ‘estourado’,
que o outro governador quando entra não tem nada em caixa. E eu deixei o
[governo do] Estado da Paraíba com R$ 262 milhões livres. Vou
repetir: R$ 262 milhões livres! E mais R$ 51 milhões em Fundeb ( Fundo
de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação). Fora os convênios, os empréstimos que
estavam em curso. Eu deixei o Estado numa posição extremamente positiva,
com todos os serviços funcionando. E deixei uma ampliação da rede de
saúde de 1.300 leitos hospitalares. É muita coisa”
Em
seguida, Ricardo não foge da pergunta e retorna a falar do diálogo
revelado em um áudio vazado apenas com interesse de gerar dúvida sobre
essas conversas:
“Nesse
sentido, eu estava dizendo que os 10% eu pagaria – eu não, o Estado,
porque eu não pago nada, era o Estado, – que eu garantia que o estado
pagaria uma entrada de 10% para se comprar os equipamentos de um
hospital tão caro como aquele.”
Sobre
uma das passagens mais rumorosas e mais exploradas pelos adversários de
Ricardo Coutinho na imprensa que dá a entender que o ex-governador
negociava um “décimo-terceiro” para ele:
“E
na parte do ‘décimo-terceiro’ ou é um erro ou uma má-fé muito grande.
Eu falei que o décimo-terceiro que estava garantido era o do
funcionalismo público. Não era o meu décimo-terceiro. Eu tinha
décimo-terceiro como governador, pago pelo Estado! Eu não recebo
dinheiro de ninguém, eu nunca recebi nada que não tivesse dentro dos
meus vencimentos!“
Ricardo então lembra então da sua trajetória:
“Vivi
por 28 anos anos consecutivos com mandatos eletivos! E nunca recebi
nada! E não era porque eu tinha de fazer favor a alguém, e sim porque
essa é a história e que deve ser seguida.”
RC
finaliza essa parte atentando para um detalhe que permanece inatacável,
e que precisa ser devidamente comprada caso se queira dar credibilidade
a essas acusações, que é o patrimônio compatível com sua renda:
“E o meu patrimônio é absolutamente compatível com aquilo que eu ganhei ao longo desses anos”.
Umas
das características da corrupção é a existência do crescimento do
patrimônio incompatível com a renda aferida. Ou no nome de familiares ou
laranjas. Ou de contas no exterior, ou mesmo malas de dinheiro. Ao
invés de demostrar a existência de enriquecimento ilícito ou
de benefícios pessoais de Ricardo Coutinho, ou de todos os outros presos
na Operação Calvário, o Ministério Público opta pelo caminho da
tentativa de condenar o ex-governador antecipadamente na Opinião
Pública, e destruir sua reputação.
Por
isso, antes de você firmar qualquer juízo de valor que atente contra a
imagem de Ricardo ou de qualquer outro citado por delatores em busca dos
generosos benefícios com que são premiados nos acordos com o Ministério
Público, é recomendável que você espere os desenrolar das
investigações.
Com Flávio Lúcio
Blog do Márcio Rangel
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