‘CALVÁRIO’: defesa de Ricardo critica Ministério Público Federal e diz que suspensão de liminar é ‘manifestamente inadequada’
A
defesa de Ricardo Coutinho (PSB) classificou como ‘manifestamente
inadequado’ o pedido de suspensão de liminar interposto pelo Ministério
Público Federal (MPF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o habeas
corpus que libertou o ex-governador, no âmbito da Operação Calvário.
Conforme noticiou o site Polêmica Paraíba, neste sábado (28), o recurso assinado na última sexta-feira requer que o ex-governador volte a ser preso ‘com urgência’.
Por
meio de nota enviada à reportagem, a defesa de Coutinho informou que
acredita na manutenção da liminar e opinou que o recurso do Ministério
Público deveria ser feito ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e não à
Suprema Corte. A defesa criticou a postura do MPF.
“Acreditamos
na manutenção da liminar. Qualquer insatisfação do MP com a decisão
deve ser discutida no próprio STJ, sob pena de supressão de instância. A
suspensão da liminar, que é uma medida de natureza excepcional, é
manifestamente inadequada à presente situação”, disse o advogado Eduardo
Cavalcanti.
O recurso é assinado
pelo Vice-Procurador-Geral Eleitoral, em plantão na Procuradoria-Geral
da República, Humberto Jacques de Medeiros. O documento é direcionado ao
presidente do STF, Dias Toffoli. No texto, o MPF faz duras críticas ao
habeas corpus concedido ao ex-governador pelo ministro Napeloão Maia.
Conforme
o documento, não caberia ao ministro Napoleão Maia, em plantão
judiciário, em caráter monocrático e urgente, decidir sobre a matéria. O
documento assinala ainda que Maia decidiu contrariando decisões do
próprio STJ, “sem o domínio de tudo o que o Superior Tribunal de Justiça
já decidira na operação”, que manteve a prisão preventiva de outros
investigados.
O pedido de suspensão
de liminar atinge, além de Ricardo Coutinho, Cláudia Veras, Francisco
das Chagas Ferreira, David Clemente e a prefeita de Conde, Márcia de
Figueiredo Lucena Lira, que também foram beneficiados pela decisão de
Napoleão Maia, no último dia 21. A PGR sustenta que a liberdade dos
citados representa risco às investigações e ressalta que o ex-governador
Ricardo Coutinho é líder de uma ‘organização criminosa’.
Falha técnica
Apesar
de o recurso ter sido interposto pelo MPF na sexta-feira (27), até
ontem ainda não constava no Supremo Tribunal Federal (STF), mas somente
na plataforma do Ministério Público. Uma fonte da Procuradoria Geral da
República informou à reportagem que o recurso foi enviado ‘por diversas
vezes’ ao sistema da Suprema Corte.
A
reportagem apurou que, além do que já foi protocolado, a PGR está
enviando um novo parecer ao STF, incluindo também os investigados que
pediram habeas corpus ao STF. O parecer deve ser contrário à liberdade
dos investigados. O presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, pediu
parecer do MPF sobre pedidos de Márcio Nogueira Vignoli, Valdemar
Abdalla, Vladimir dos Santos Neiva, Bruno Caldas, o ex-secretário
executivo de Educação José Arthur Viana e o ex-secretário de saúde
Waldson de Souza.
Calvário
A
operação Calvário investiga um esquema de corrupção que teria se
apoderado dos setores de saúde e de educação na Paraíba e que teria
desviado cerca de 134 milhões. Esses valores teriam sido transformados
em propina e para pagamento de campanhas eleitorais. O ex-goverandor
Ricardo Coutinho, segundo as investigações, seria o líder máximo da
organização criminosa.
Fonte: Polêmica Paraíba - Publicado por: Felipe Nunes

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