sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Deputado 'ratazana' e da pistola

Desafeto de Bolsonaro na Câmara, Delegado Waldir fez campanha fingindo atirar e já foi acusado de soltar ratos no Congresso


Roedores soltos em sessão de CPI da Petrobras
Roedores soltos em sessão de CPI da Petrobras - Foto: Jorge William / Agência O Globo
Há quase uma década, o deputado federal Delegado Waldir (PSL-GO) já fazia a pistola com a mão durante campanhas políticas. O gesto muito utilizado na corrida eleitoral do então-candidato à Presidência Jair Bolsonaro já era, em 2010, uma marca registrada do atual desafeto do presidente, quando concorreu pela primeira vez em uma eleição.
O líder do PSL na Câmara, que se manteve no cargo após uma tentativa frustrada para ser destituído, era filiado a outro partido na época, o PSDB, e também concorria como deputado federal em Goiás. Mesmo em uma legenda diferente, desde lá o parlamentar mantém um discurso belicista.
"Veja bem, ao votar, escolha quem fez e faz. Delegado Waldir, número 45 zero zero", começa Waldir no vídeo de campanha de 2010, enfatizando o dígitos do seu número eleitoral. "45 no calibre e zero zero da algema para o bandido".
Veja vídeo:
Na propaganda eleitoral daquele ano, Waldir vai falando quais pontos defenderá se for eleito, enquanto finge atirar — os alvos são variados, desde patos que aparecem na tela a um gato, terminando no símbolo do partido. O político assumiu como suplente na Câmara, em fevereiro de 2011, mas deixou o cargo quatro meses depois, após uma recontagem de votos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Acusado de soltar ratos no Congresso
Na eleição seguinte para o Congresso, em 2014, o delegado também concorreu pelo PSDB como deputado federal. Acabou sendo o mais votado em Goiás, com 275 mil votos, levantando a bandeira do combate à criminalidade e da criação de presídios juvenis, além da redução da idade penal.
Foi nesse mandato que Waldir se envolveu em uma de suas primeiras polêmicas de bate-boca no Congresso. Em abril de 2015, o deputado foi acusado de ter soltado roedores durante a sessão da CPI da Petrobras em que era ouvido o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto — mais especificamente, dois ratos, dois hamsters e um esquilo da Mongólia.
Na ocasião, Waldir e o deputado Jorge Solla, do PT, iniciaram uma discussão, chegando a xingar um ao outro.
— Quero saber se ele está armado?! - disse Solla, sobre Waldir, que respondeu:
— Não estou armado, mas se tivesse algemas aqui e prendia. Algema para prender bandidos e corruptos aqui presentes.
— O único bandido aqui é você - rebateu Solla.
Antes de entrar na política, o deputado nascido em Jacarezinho, no Paraná, trabalhou como diretor de presídios e como delegado na Polícia Civil de Goiás.
Lider do PSL na Câmara, o deputado Delegado Waldir
Lider do PSL na Câmara, o deputado Delegado Waldir - Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
Extra - Camila Zarur

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