Governo federal autoriza mais 57 agrotóxicos; total de liberações no ano de 2019 vai a 382
O Ministério
da Agricultura divulgou nesta quinta-feira (3) o registro de mais 57
agrotóxicos, chegando ao total de 382 registros em 2019, mantendo o
nível de registros como o mais alto da série histórica, iniciada em
2005.
Dos produtos anunciados nesta quinta, 10 são biológicos, que
são utilizados na agricultura orgânica, 6 são novos e 41 são genéricos.
Segundo o governo, o objetivo da aprovação de produtos genéricos é aumentar a concorrência no mercado e diminuir o preço dos defensivos, o que faz cair o custo de produção.
Segundo o governo, o objetivo da aprovação de produtos genéricos é aumentar a concorrência no mercado e diminuir o preço dos defensivos, o que faz cair o custo de produção.
Segundo o governo, dos 382 agrotóxicos
registrados neste ano, 214 são produtos técnicos, ou seja, destinados
exclusivamente para o uso industrial.
Como os agrotóxicos impactam os principais produtos na mesa dos brasileiros
Outros
168 são produtos formulados, que são aqueles que já estão prontos para
serem adquiridos pelos produtores rurais mediante a recomendação de um
engenheiro agrônomo.
Destes, 24 são produtos biológicos e/ou
orgânicos. O governo afirma que 48% dos produtos formulados autorizados
não são efetivamente comercializados, por uma decisão das empresas
detentoras dos registros.
Do total de produtos registrados em
2019, 359 são produtos genéricos e 23 são à base de ingredientes ativos
novos de origem químico ou biológica.
Ritmo de liberação
Com
a publicação desta quinta-feira, os registros de agrotóxicos em 2019
ainda permanece na frente de anos anteriores. No mesmo período de 2018,
até então o maior nível de liberação, foram 314 registros.
Segundo
o governo, a maior velocidade na liberação de agrotóxicos se deve a
medidas de desburocratização que foram adotadas desde 2015 na fila de
registros.
O
objetivo, de acordo com o ministério, é aprovar novas moléculas, menos
tóxicas e ambientalmente mais corretas para substituir produtos antigos.
Isso porque as empresas que desenvolvem agrotóxicos só podem registrar
itens de ação parecida se eles tiverem um risco à saúde menor ou igual
do que os que já estão no mercado.
A
associação que representa as fabricantes de agrotóxicos (Andef) afirma
que a fila do Brasil é mais lenta em comparação com a da União Europeia e
dos Estados Unidos. Segundo as empresas, o desenvolvimento de um
princípio ativo inédito para agrotóxico leva de 10 a 11 anos e custa em
torno de US$ 286 milhões.
Agrônomos dizem que é melhor ter mais
produtos registrados do que correr o risco de que os produtores recorram
a agrotóxicos “piratas”, mas alertam que, quanto maior o uso, mais
resistência as pragas têm ao veneno.
Para ambientalistas, no
entanto, a aceleração do ritmo de aprovações é uma forma de o governo
colocar em prática tópicos do polêmico projeto de lei 6.299/02, que
ficou conhecido como “pacote do veneno”, que ainda está em discussão na
Câmara dos Deputados.
Para produtores rurais, o registro de novos
produtos, especialmente os genéricos, é uma forma de baixar os custos de
produção. Em Mato Grosso, maior estado produtor, os agrotóxicos
equivalem a 21% dos gastos nas lavouras de soja.
Produtos novos
Dos pesticidas registrados nesta quinta-feira, 6 são produtos formulados com base em princípios ativos novos.
Entre eles estão os produtos formulados à base do ingrediente ativo
dinotefuram, registrado em setembro, que poderão ser usados nas lavouras
para combate a insetos sugadores como percevejos e mosca branca.
Segundo o ministério, os produtos formulados à base deste ingrediente ativo terão restrições quanto a dose máxima permitida e proibição de uso no período de floração dos cultivos, restrições estabelecidas pelo Ibama para a proteção de insetos polinizadores.
Segundo o ministério, os produtos formulados à base deste ingrediente ativo terão restrições quanto a dose máxima permitida e proibição de uso no período de floração dos cultivos, restrições estabelecidas pelo Ibama para a proteção de insetos polinizadores.
Entre os defensivos
biológicos, 2 são à base dos organismos Heterorhabditis
bacteriophora e Hirsutella thompsonii, inéditos no Brasil.
O
primeiro será usado para o combate à larva-alfinete, uma praga que causa
grandes prejuízos para a cultura de batata. Já o produto à base de
Hirsutella thompsonii terá uso no controle do ácaro rajado, uma praga
que ataca diversas culturas, como soja, feijão, milho e algodão, além de
frutas como morango, maçã, pera, uva, maracujá, melancia, abacaxi e
cacau.
Como funciona o registro
O aval para um novo agrotóxico no país passa por 3 órgãos reguladores:
Anvisa, que avalia os riscos à saúde;
Ibama, que analisa os perigos ambientais;
Ministério da Agricultura, que analisa se ele é eficaz para matar pragas e doenças no campo. É a pasta que formaliza o registro, desde que o produto tenha sido aprovado por todos os órgãos.
Tipos de registros de agrotóxicos:
Ministério da Agricultura, que analisa se ele é eficaz para matar pragas e doenças no campo. É a pasta que formaliza o registro, desde que o produto tenha sido aprovado por todos os órgãos.
Tipos de registros de agrotóxicos:
Produto técnico: princípio ativo novo; não comercializado, vai na composição de produtos que serão vendidos.
Pro0uto técnico equivalente: “cópias” de princípios ativos inéditos,
que podem ser feitas quando caem as patentes e vão ser usadas na
formulação de produtos comerciais. É comum as empresa0 registrarem um
mesmo princípio ativo várias vezes, para poder fabricar venenos
específicos para plantações diferentes, por exemplo;
Produto formulado: é o produto final, aquilo que chega para o agricultor;
Produto formulado equivalente: produto final “genérico”.
Produto formulado: é o produto final, aquilo que chega para o agricultor;
Produto formulado equivalente: produto final “genérico”.
Maior consumidor do mundo
O
Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo em números
absolutos. Mas perde para Japão, União Europeia e Estados Unidos quando
são levadas em conta duas variáveis: a quantidade de alimento produzida e
a área plantada. Nesses casos, a aplicação de veneno pelo país é
proporcionalmente menor.
A agricultura brasileira usou 539,9 mil
toneladas de pesticidas em 2017, segundo os dados mais recentes do
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Isso representou um gasto
de US$ 8,8 bilhões (cerca de R$ 35 bilhões no câmbio atual), de acordo
com a associação que representa os fabricantes, a Andef.
No
ranking de uso por hectare de lavoura, o Brasil foi o sétimo naquele
ano, com gasto equivalente a US$ 111. O Japão, líder do ranking, aplicou
US$ 455.
Já por tonelada de alimento produzido, o país foi o 13º, com US$ 8. O Japão, novamente na liderança, gastou US$ 95.
Fonte: G1 - Publicado por: Fabricia Oliveira

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