Dilma Housseff diz que discurso do presidente Jair Bolsonaro na ONU foi “vergonha planetária”
A
ex-Presidente brasileira Dilma Rousseff descreveu hoje o discurso atual
mandatário do país, Jair Bolsonaro, na Assembleia-Geral das Nações
Unidas como uma “vergonha planetária”, que “prejudica a imagem do Brasil
em todo o mundo”.
Em
declarações à agência Efe em Madrid, capital espanhola, onde Dilma
cumpre agenda política esta semana, a ex-chefe de Estado defendeu que a
Amazônia é patrimônio do Brasil, assim como da humanidade, contrariando o
que disse Bolsonaro na terça-feira, nos Estados Unidos da América
(EUA).
“Lamentável, uma vergonha planetária. Bolsonaro fez muitas
falsidades e omissões. (…) Ele mostrou a sua política de destruição da
Amazônia, atribuindo-a aos povos indígenas, sem assumir que ele tentou
destruir a estrutura de combate à desflorestação”, afirmou Rousseff.
Ao
mesmo tempo, Dilma posicionou-se contra qualquer intervenção
internacional naquela que é a maior floresta tropical do mundo, o que,
para a antiga líder do Partido dos Trabalhadores (PT), seria um “mau
serviço”.
“A Amazónia é uma herança do Brasil e também da
humanidade. Mas não aceito nenhuma proposta de intervenção internacional
na Amazónia. Este seria um mau serviço. (…) Ser patrimônio da
humanidade não significa que sejam áreas de intervenção internacional.
Quero deixar isso claro”, frisou a ex-Presidente.
“O Brasil tem
todas as ferramentas para parar a desflorestação, mas se não quer
usá-las, isso é outra história. (…) Bolsonaro está a minar a soberania
brasileira sobre a Amazônia. Ele diz que são os outros que querem lá
entrar, mas é ele quem deseja abrir as florestas para exploração mineira
internacional, especialmente para os Estados Unidos”, acrescentou
ainda.
A ex-Presidente, que foi alvo de um julgamento político e
acabou destituída do cargo em 2016, reconheceu que a esquerda brasileira
tem “dificuldades” em articular-se, mas que começa a reagir às
eventuais consequências negativas do Governo Bolsonaro, definido por ela
como “neofascista”, com uma subordinação “humilhante” aos EUA.
No
discurso na ONU, Bolsonaro “manifestou todo o aspecto neofacista que
denunciamos. ‘Neo’ porque o fascismo era geralmente nacionalista, embora
desastroso. O fascismo de Bolsonaro nem isso é, porque tem uma
submissão explícita aos Estados Unidos”, argumentou a antiga governante.
“Em
nome de uma pseudopolítica antiglobalista, Bolsonaro tem uma
subordinação humilhante ao Governo Trump (Presidente dos EUA). A
diplomacia brasileira não merece um chefe de Estado que envergonha um
país e a diplomacia no mundo”, disse Dilma Rousseff.
Ao longo da
entrevista, Dilma também definiu o seu antecessor na Presidência do
Brasil, Lula da Silva, como a principal figura da oposição no Brasil.
“Este
Governo e os seus aliados detectaram que parte da esquerda brasileira
tem dificuldades, e que o grande adversário que os ameaça é Lula.
Enquanto Lula for um prisioneiro político inocente, a democracia
brasileira está em causa. Não (de regressar a) uma ditadura militar, mas
de uma corrosão da democracia. Lula representa a luta pela democracia”,
declarou.
Questionada se o PT estaria disposto a renunciar ao
protagonismo da esquerda para derrotar, eventualmente, a extrema-direita
no Brasil, Dilma disse que isso seria um “absurdo”, e acrescentou que
“em nenhum lugar do mundo” um partido que tem mais apoio popular
renuncia ao seu protagonismo em favor de outro com menos votos.
Fonte: Noticias ao minuto - Publicado por: Suedna Lima

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