Bolsonaro organiza primeira viagem ao Nordeste, para entregar casas populares e anunciar mais verbas para obras
Na região, o presidente registra as piores avaliações - para 40% dos nordestinos, o governo é ruim ou péssimo, conforme o Ibope
© Marcos Corrêa/PR
O presidente Jair Bolsonaro
decidiu fazer uma ofensiva em território quase todo comandado por
governadores da oposição. Na semana seguinte aos maiores protestos de
rua contra seu governo, Bolsonaro fará a primeira viagem oficial ao
Nordeste, para entregar casas populares e anunciar mais verbas para
obras de infraestrutura. É nessa região que o presidente registra as
piores avaliações - para 40% dos nordestinos, o governo é ruim ou
péssimo, conforme o Ibope.
O roteiro tomará toda a sexta-feira (24). Em Petrolina (PE),
Bolsonaro vai entregar um conjunto habitacional do programa Minha Casa
Minha Vida. Em Recife (PE), deverá anunciar um acréscimo de R$ 2,1
bilhões ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, a ser
usado em obras de infraestrutura. Ao todo, o fundo passará a ter R$ 25,8
bilhões em 2019.
Oficialmente, a viagem marcará o lançamento do
Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), elaborado pela
primeira vez, no âmbito da Superintendência de Desenvolvimento do
Nordeste (Sudene). O presidente vai se reunir, no Instituto Ricardo
Brennand, complexo cultural da capital pernambucana, com 11
governadores. Todos da região confirmaram presença - Alagoas, Bahia,
Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e
Sergipe. Além deles, irão os governadores de Minas Gerais e Espírito
Santo, abrangendo parte do Sudene. Parlamentares nordestinos, que
cobravam a ida do presidente à região, também estão sendo convidados.
Na
primeira entrevista após assumir o cargo, Bolsonaro disse que os
governadores nordestinos não deveriam pedir dinheiro a ele. "Não venham
pedir nada para mim, porque não sou presidente. O presidente está lá em
Curitiba", disse ele, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, condenado e preso na Lava Jato. Bolsonaro, porém, argumentou que
não abriria uma guerra política para não prejudicar os eleitores. "Não
posso fazer uma guerra com governador do Nordeste atrapalhando a
população. O homem mais sofrido do Brasil está na Região Nordeste. Vamos
mergulhar para resolver muitos problemas do Nordeste."
A viagem
de Bolsonaro foi precedida de encontros com esses governadores. Em uma
reunião recente em Brasília, ministros palacianos apelaram por mais
apoio à reforma da Previdência. Argumentaram que, apesar das diferenças
políticas, não era mais tempo de "palanque".
Os governadores
disseram entender a necessidade da reforma, mas cobraram proteção aos
pobres do Nordeste. A região registra a maior taxa de desemprego no
País: 15,3%, acima da média nacional, de 12,7%. E vem sofrendo com o
arrocho no orçamento. Nos três primeiros meses do ano, Bolsonaro enviou
R$ 242 milhões aos Estados nordestinos. Sem descontar a inflação no
período, foram 3,2% a menos frente a igual período do ano passado, ainda
na gestão de Michel Temer. Os números referem-se aos recursos para
despesas discricionárias, que o governo pode ou não fazer. Não entram
nessa conta as transferências obrigatórias.
Cortes
Em
carta aberta após encontro com Bolsonaro em Brasília, os governadores
do Nordeste reclamaram dos cortes orçamentários nas universidades e nos
institutos federais, que motivaram as marchas de rua da semana passada, e
solicitaram a retomada de obras rodoviárias, de segurança hídrica e
habitacionais, como forma de combater o desemprego. "A pauta dele não
tem nada a ver com a necessidade do Brasil. Dar arma a vereador, tem
coisa mais velha que isso?", comentou um governador, reservadamente, ao
deixar o encontro.
Em 2018, o petista Fernando Haddad venceu em
todos os Estados do Nordeste. Para reverter o quadro negativo, Bolsonaro
encomendou aos ministros ações imediatas, além do plano de longo prazo.
Os
ministros prepararam a Agenda Nordeste, um conjunto de ações de curto
prazo - a maioria delas já existia em governos anteriores, mas será
remodelada. Entre elas, estão a instalação de cisternas nas escolas (do
Ministério da Cidadania), que também anunciou pagamento de 13º no Bolsa
Família; a aquisição de alimentos da agricultura familiar e crédito
fundiário (a cargo da pasta da Agricultura); ligação por internet em
escolas rurais e o estímulo ao interesse por ciências (Ciência e
Tecnologia e Educação); a Rede Cegonha, de atenção básica a mães e bebês
(Saúde).
"A região precisa de atenção especial, é a que tem a maior
representatividade do País, com maior número de governadores", diz o
ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto. "A ida dele traz
um marco para a região, mostra visão estratégia que vai além do governo
dele. O plano é pensado para 12 anos, extrapola a gestão e mostra um
pensamento de Estado."
Política ao Minuto com informações do jornal O Estado de S. Paulo
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