Fenômeno que confirmou a Teoria da Relatividade Geral completa 100 anos quarta-feira
O eclipse de Sobral completa 100 anos no próximo dia 29
© NASA NASA/Reuters
O Observatório
Nacional abriu hoje (24), com um seminário especial, as comemorações do
centenário do eclipse de Sobral (CE), que comprovou a Teoria da
Relatividade Geral, do físico alemão Albert Einstein. A Teoria da
Relatividade foi proposta por Einstein em 1915 e é um dos pilares da
física moderna ao lado da mecânica quântica. O eclipse de Sobral
completa 100 anos no próximo dia 29.
Na avaliação do astrofísico e pesquisador do Observatório
Nacional Jailson Souza de Alcaniz, o eclipse de Sobral foi a primeira
comprovação observacional da teoria da relatividade geral e abriu
caminho para uma nova teoria da gravitação. "Quando é demonstrado, pela
observação, que a teoria de Einstein é correta no campo gravitacional,
isso abre caminho para outros testes. A relatividade geral tem pouco
mais de 100 anos agora e a grande maioria dos experimentos e observações
é inquestionável", disse o pesquisador.
Jailson Alcaniz lembrou
que depois do fenômeno de Sobral vieram outras evidências. Segundo ele, a
relatividade geral explica muito bem a existência, por exemplo, dos
chamados buracos negros supermassivos, encontrados principalmente nos
centros das galáxias. Recentemente, as ondas gravitacionais previstas
pela teoria de Einstein foram detectadas e a velocidade de propagação
dessas ondas é exatamente a velocidade da luz, conforme previsto pelo
físico teórico alemão.
Segundo o astrofísico, em várias escalas de
comprimento diferentes, sejam escalas mais locais do sistema solar, na
galáxia, e também fora dela, a relatividade geral tem se mostrado uma
teoria de gravitação bem consistente "e, possivelmente, muito próximo do
que deve ser a realidade".
Jailson Alcaniz disse que o grande
desafio agora consiste em se estudar o universo em grandes escalas na
cosmologia. Isso se explica porque, em 1998, foi descoberto que o
universo não só se expandia, como foi comprovado em 1929, mas também que
essa expansão ocorria aceleradamente. Para explicar isso na
relatividade geral, o pesquisador disse ser necessário introduzir o
conceito de uma componente extra no universo que se denomina energia
escura.
"Só que a gente não sabe nada sobre a origem dessa
componente, que deveria contribuir com cerca de 70% da composição do
universo. Como a gente não sabe nada sobre a origem e a natureza dela,
uma parcela da comunidade científica vê esse fenômeno da aceleração
cósmica como, possivelmente, uma primeira evidência de que em escalas
muito grandes, cosmológicas, a relatividade geral, talvez, precise ser
substituída por uma teoria mais geral do campo gravitacional, que
explique a aceleração do universo sem a necessidade de postular a
existência de uma energia escura", explicou.
De
acordo com o astrofísico, o grande desafio agora da relatividade geral é
a compreensão sobre o campo gravitacional. Jailson Alcaniz disse que
isso virá a ocorrer nas próximas décadas, quando as grandes campanhas
observacionais da estrutura de grande escala do universo vão confirmar
se existe um desvio da relatividade geral impressa na distribuição de
galáxias ou se, de fato, a relatividade geral é comprovada não só em
escalas menores, como também na maior escala, que é a escala
cosmológica. "É um desafio que a teoria tem para a próxima década".
O
Brasil já tem cientistas trabalhando com essa finalidade. O
Observatório Nacional lidera, junto com pesquisadores espanhóis, um
grande projeto que vai observar "centenas de milhões de galáxias" a
partir do próximo ano, disse Jailson Alcaniz.
Esse projeto permitirá fazer esse tipo de pesquisa que é procurar um "print"
ou da relatividade geral ou de alguma teoria de gravidade em queda na
distribuição de galáxias em grande escala no universo. O Brasil
participa de algumas parcerias que vão ter como objetivo esse teste da
relatividade geral e da gravitação.
Hoje (24), termina o encontro,
na Espanha, entre cientistas do Observatório Nacional e espanhóis.
Alcaniz disse, entretanto, que a observação "pra valer" começa em 2020.
"Mas já no primeiro ano a gente vai ter dados para iniciar essa pesquisa
e colocar isso para funcionar".
Se as suposições forem
comprovadas, o astrofísico assegurou que terá uma repercussão e
importância tão grandes como foi o eclipse de Sobral. "Você hoje mostra,
a partir das observações, que a teoria da relatividade geral funciona
muito bem nas escalas menores, mas em escala cosmológica tem que ser
substituída por uma outra".
Para
a física teórica e para a compreensão da redução gravitacional, do
espaço, do tempo e da história do universo, "isso seria uma revolução",
disse o pesquisador.
Notícias ao Minuto com informações da Agência Brasil
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