A última prorrogação de mandatos de prefeitos beneficiou Ronaldo em 1982 – Por Nonato Guedes
Cento
e sessenta prefeitos e 800 vereadores confirmaram presença no evento
que foi promovido pela Federação das Associações Municipais da Paraíba
(Famup) na manhã desta sexta-feira, quando estará em pauta a PEC 56/2019
que propõe a unificação das eleições no País, o que que ocasionaria a
prorrogação dos mandatos dos prefeitos eleitos em 2016. A reunião aconteceu no auditório da Federação das Indústrias
do Estado da Paraíba, Fiep, em Campina Grande. A PEC é de iniciativa do
deputado Rogério Peninha Mendonça, do MDB de Santa Catarina, que
argumenta que haverá uma economia da ordem de R$ 1 bilhão.
No
capítulo da prorrogação de mandatos de prefeitos, vice-prefeitos e
vereadores com registro recente na história política brasileira
destaca-se a medida que vigorou para os eleitos em 1982. O pretexto era
também o de unificar eleições, de prefeitos a presidentes da República.
As eleições de 82, além de ocorrerem nas disputas para prefeituras de
cidades, com exceção de Capitais, envolveram as disputas a governos
estaduais, senadores e deputados federais e estaduais.
Na
Paraíba, Wilson Braga foi eleito governador, tendo como vice José
Carlos da Silva Júnior, pelo PDS, derrotando Antônio Mariz, do PMDB, que
tinha como vice Mário Silveira, e Derly Pereira, do PT. Entre os
prefeitos eleitos que tiveram mandatos prorrogados por mais dois anos
estava Ronaldo Cunha Lima, de Campina Grande, segunda maior cidade do
Estado, que bateu na competição seis outros postulantes, o mais forte
deles o ex-deputado Antônio Vital do Rêgo, que foi apoiado pelo então
prefeito Enivaldo Ribeiro.
A
prorrogação de mandatos constou de uma Emenda Constitucional, de número
14, datada de nove de setembro de 1980, apresentada pelo deputado
federal Anísio de Souza, do PDS de Goiás. O pleito geral foi marcado
pela vigência de dispositivos que a oposição ao regime militar denominou
de casuísmos, a exemplo da vinculação total dos votos, da vigência da
sublegenda e do fim das coligações partidárias.
Em João Pessoa, o
prefeito nomeado era Oswaldo Trigueiro do Vale, do PDS, que deixou o
cargo desgastado por denúncias de estouro do escândalo das “caçambas”,
aquisição irregular de veículos que seriam utilizados na coleta do lixo
urbano. A eleição direta na Capital só foi restaurada em 1985 e o
vitorioso foi Antônio Carneiro Arnaud, do PMDB, em coligação com o PDS
de Wilson Braga, que indicou para vice Cabral Batista. A chapa derrotou
nas urnas, por dez mil votos de diferença, os candidatos Marcos Odilon
Ribeiro Coutinho e Gilvan Navarro (PTB), a prefeito e vice. Ambos foram
apoiados pelo ex-governador Tarcísio Burity, que em 1986 transferiu-se
para o PMDB à última hora, conseguiu indicação para a vaga de candidato a
governador e venceu Marcondes Gadelha, do PFL, por quase 300 mil votos
de diferença.
A
prorrogação de mandatos de prefeitos em 1982 significou, pelo menos em
um caso, na Paraíba, uma reparação: no favorecimento a Ronaldo Cunha
Lima, que fora eleito prefeito de Campina Grande. Em 1968, Ronaldo
ganhou o pleito para a prefeitura campinense, mas governou apenas 43
dias, em virtude da decretação de intervenção federal na cidade pelo
regime militar e da cassação dos seus direitos políticos. Ele havia sido
acusado de apoiar o governo deposto de João Goulart e de participar de
manifestações em favor da legalidade democrática no país, opondo-se ao
movimento instaurado em março de 1964. Para seu lugar foi designado o
interventor general Manoel Paz de Lima.
Ronaldo foi tentar a
sobrevivência no eixo Rio-São Paulo e, quando da reabertura democrática,
que legitimou a volta das diretas, candidatou-se a prefeito de Campina
Grande em 82 e foi consagrado nas urnas. A proposta, agora, do deputado
Rogério Peninha Mendonça cancela o pleito de 2020 e com isso os
brasileiros iriam às urnas dois anos depois para votar para presidente,
governador, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e
vereador.
O
Tribunal Superior Eleitoral discorda do argumento de que haverá
economia de R$ 1 bilhão com a prorrogação. Dados do TSE apontam que em
2012 as eleições municipais custaram aos cofres públicos R$ 483 milhões,
e, em 2016, R$ 650 milhões. Ou seja, 134,6% a mais. Portanto, na mesma
proporção para 2020, o valor total das eleições seria de R$ 874,9
milhões, abaixo da projeção da economia que é alegada.
Fonte: Nonato Guedes - Publicado por: Larissa Freitas

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