Brasil alcança 1.643 cursos de graduação em Direito, 5 vezes mais que Medicina e 21 vezes mais que Engenharia Civil
Este é o cenário em que se recebeu a notícia de que no Brasil existem atualmente 1643 graduações em direito, cinco vezes mais que medicina e vinte uma vez mais que engenharia civil.
A necessidade de os cursos de direito aprimorarem suas
grades curriculares decorre, essencialmente, de duas perspectivas
centrais, quais sejam: as mudanças no mercado jurídico e a necessidade
de aprofundamento epistemológico. Dito de outra forma, as alterações
recentes transformaram o modo de entrega, exigência e de comportamento
dos players nos serviços jurídicos.
Hoje, a alta performance é consubstanciada na capacidade de resposta
em tempo real, com profundidade, acurácia e estratégia, ou seja, o
profissional do direito precisa estar inteirado das novidades e dos seus
impactos no conhecimento tradicional, de tal maneira que esses espaços
não são mutuamente excludentes, mas complementares, com isto expressa-se
a preocupação de uma formação que proporcione, por exemplo, as noções
de hermenêutica que podem ser aplicadas em análises estatísticas
desenvolvidas por softwares.
Este é o cenário em que se recebeu a notícia de que no Brasil existem
atualmente 1.643 graduações em direito, cinco vezes mais que medicina e
vinte uma vez mais que engenharia civil. No exterior, a comparação
também alcança resultados elevados, porque o Brasil conta com um número
sete vezes superior ao de cursos em direito do que os Estados Unidos, o
que alcança uma proporção de 14, 13, 21 e 96, quando percebidos
respectivamente os dados de Argentina, Colômbia, França e Portugal.
Enfatize-se que não é apenas um debate numérico, mas da qualidade da
preparação que é oferecida aos estudantes, tendo em vista, as novas
exigências do mercado.
Quando essas estatísticas são analisadas no nível dos estados
brasileiros, algumas informações chamam a atenção. Em seis unidades
federativas, existem mais de cem cursos de direito (Bahia, Minas Gerais,
Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo), em onze estados
há mais de 50 advogados para cada 10 mil habitantes (Distrito Federal,
Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso,
Paraná, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo).
Assim, continua permanente a questão em torno da reavaliação dos
critérios do MEC para abertura de novas cursos de graduação em direito,
junto com a urgência em interrogar-se acerca da possibilidade desses
profissionais refletirem organizada e sistematicamente sobre situações
concretas e propor soluções adequadas e criativas, dentro dos limites
éticos da profissão, que permitam a concretização de respostas rápidas,
precisas, com novas e estratégicas informações relacionadas às
particularidades dos clientes, o que depende de uma atuação
interdisciplinar, atualizada e direcionada a padronização de
procedimentos, criação de insights, redução e gestão de riscos.
Wilson Sales Belchior - Graduado em direito pela
UNIFOR, especialista em Processo Civil pela UECE, MBA em Gestão
Empresarial e mestrando em Direito e Gestão de Conflitos na UNIFOR.
Também possui curso de curta duração em resolução de conflitos na
Columbia Law School, nos Estados Unidos. Na mesma instituição participou
de série de pesquisa avançada. Palestrante, professor universitário em
cursos de pós-graduação em diferentes estados e autor de diversos
artigos e livros, publicados em revistas, jornais, portais de notícias e
editoras de circulação nacional. Conselheiro Federal da OAB
(2013-2015). Vice-presidente da Comissão Nacional de Advocacia
Corporativa do Conselho Federal da OAB (2013-2015). Membro da Comissão
Nacional de Sociedade de Advogados do Conselho Federal da OAB
(2010-2012). Membro da Coordenação de Inteligência Artificial do CFOAB
(2018). Atualmente é Conselheiro Federal eleito para o triênio
2019-2021.
ClickPB
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