quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Alerta

Quarenta por cento das crianças que vivem nas grandes cidades do Brasil têm doenças respiratórias


Quarenta por cento das crianças que vivem nas grandes cidades do Brasil apresentam alergias respiratórias. Os dados são da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia que estima ainda que cerca de 30% de todas as crianças com 6 e 7 anos tem rinite alérgica e 15%, asma. Já um relatório divulgado no mês de outubro desse ano pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que 93% das crianças e adolescentes respiram ar com nível de partículas acima do que é considerado recomendável para a saúde.
O médico alergologista da rede Hapvida, Roberto Lacerda, destaca as causas para o aumento das crises alérgicas na primeira infância. Ele explica que além da poluição causada principalmente pelos veículos, a alta concentração de ácaros no ambiente e a herança genética são fatores determinantes para o surgimento das alergias.
“Os carros e principalmente os ônibus que circulam pelas grandes vias levam ao ar partículas alérginas e inflamatórias, principalmente o monóxido de carbono, dióxido de carbono e enxofre. Isso leva ao aumento de alergias respiratórias, principalmente a rinite alérgica, a sinusite alérgica e a bronquite alérgica que é a asma, mas, além disso, pode causar, em longo prazo, o câncer de pulmão, um dos mais comuns na população”, alerta.
O médico explica que a incidência das alergias em crianças também acontece por conta da não formação completa do sistema imunológico e do desenvolvimento do pulmão que é gradativo durante sua infância. “Por isso que as crianças adoecem muito mais que os adultos. E esses processos inflamatórios adquiridos pelas crianças são as causas principais do aumento das alergias respiratórias”, ressalta.
De acordo com o especialista, 80% dos casos de asma começam na infância, destacando que a doença também pode aparecer em adultos. “Vamos imaginar que dentro da gente tem de três a quatro quilos de bactérias. O sistema imunológico é tão perfeito que ele fica fazendo uma varredura para bactérias, vírus, fungos, aléginos, irritantes, células cancerígenas. Adquirimos alguma doença quando esse sistema imunológico apresenta uma falha”, frisa.
Segundo o médico, o fator genético também é um grande desencadeador de alergias. Conforme explicou, se o pai é alérgico, o filho terá 40% de chance de também apresentar algum tipo de alergia. Se a mãe for, esse índice sobe para 60%. Se o casal for alérgico o índice passa a ser de 90%. Se nenhum dos dois for alérgico, a probabilidade é de 15%.
Alerta
O alergologista Roberto Lacerda chama atenção para a poluição não causar apenas alergias. De acordo com o especialista, ela provoca também câncer, arritmia, infarto e AVC. A pesquisa da OMS mostrou ainda que no Brasil, 50 mil pessoas morrem por ano de doenças relacionadas à poluição do ar. “Sabe-se hoje que a poluição nas grandes cidades tem aumentado muito e, consequentemente, levado ao aumento da incidência de morte provocada por essas doenças”, afirma.
Contudo, para o médico, a população de grandes cidades que ficam situadas no litoral, como João Pessoa, tem uma grande vantagem perante as cidades do interior, pois a brisa do mar consegue dispersar parte dos poluentes ambientais.
MaisPB

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