Noivo simula o próprio sequestro para fugir de casamento com médica faltando dois dias para cerimônia
O homem era na verdade um antigo conhecido da polícia pela série de golpes aplicados
© Pixabay
Faltavam dois dias para a
grande cerimônia de casamento da médica Vilma (nome fictício) no
santuário Dom Bosco, em Brasília, quando ela recebeu em seu celular
mensagens e uma foto de seu noivo sequestrado.
A mulher de 44 anos entrou em desespero, porque o embaixador
Marcelo Henrique Morato Castilho, 34, como ela o conhecia, aparecia
subjugado pelos criminosos: estava de joelhos, cabeça baixa e
possivelmente com as mãos amarradas à frente do corpo.
"A polícia
está chegando", escreveu a médica para tentar assustar o sequestrador.
"Vai cata O Q Sobra dele. Só quero o $$", respondeu o algoz. "Quero uma
prova de que ele está vivo", pediu a mulher para continuar as
negociações. "E quanto vc quer de dinheiro?", perguntou.
Ao
insistir naquela investigação no dia seguinte, a noiva de São José do
Rio Preto (a 414 km de São Paulo) descobriu que não era Castilho
a vítima de um crime, mas ela mesma. O tal sequestro era uma farsa do
noivo para fugir do casamento. E mais: longe de ser um embaixador, o
homem com quem trocara juras de amor era na verdade um antigo conhecido
da polícia pela série de golpes aplicados.
De acordo com a Polícia
Civil de São Paulo, o tal "embaixador da ONU", como Castilho gosta de
se apresentar -o nome é verdadeiro-, tem ao menos cinco outras passagens
registradas em sua ficha, desde apropriação indébita a estelionato,
além de ações na Justiça também sob a acusação de enganar
mulheres no estado.
No caso de Vilma, além de ter adiado o sonho
romântico, ela também teve de amargar um prejuízo superior a R$ 30
mil pelas despesas da cerimônia, além de outros gastos com o noivo.
Segundo
a polícia, o prejuízo da médica é bem menor do que o sofrido por uma
psicóloga, também de Rio Preto, em 2016, que foi noiva de Castilho e
igualmente enganada às vésperas do casamento.
A cerimônia da
psicóloga havia sido marcada inicialmente no Palace Hotel, no Rio de
Janeiro, mas foi transferida para o Principado de Mônaco, após
supostos problemas de saúde dele na primeira data marcada.
Segundo
o delegado José Luiz Barboza Júnior, Castilho é advogado com registro
na OAB e seria uma pessoa com recursos financeiros em razão da herança
do pai. Não teria, em tese, motivos para aplicar golpes.
"Qual é o
objetivo dele com isso? Só fazendo a oitiva [depoimento] dele mesmo
para sabermos. Como a gente não consegue localizá-lo, provavelmente vou
pedir a prisão", afirmou o policial de Rio Preto. "Ele está sumido."
Ainda
de acordo com o policial, em ambos os casos Castilho agiu de maneira
semelhante. "Ele estabelece vínculo de amizade, depois inicia um
relacionamento com a vítima, passa a oferecer proposta de matrimônio.
Tenta seduzi-las no sentido de levá-las a lugares sofisticados, fazer
promessa de casamento em locais pouco convencionais: hotéis de luxo,
catedrais", disse o delegado.
As vítimas acabam se rendendo porque
ele seria, segundo a polícia, alguém que demonstra ser uma pessoa
"requintada, culta, diferenciada e poliglota". Como Castilho costuma
viajar pelo país (parte em viagens bancada pelas namoradas), a polícia
admite a possibilidade de haver outras vítimas.
Em seu currículo,
Castilho diz ser diretor-executivo da ABCcrim (Academia Brasileira de
Ciências Criminais) e membro da IBCcrim (Instituto Brasileiro de
Ciências Criminais). Por meio de nota, a ABCcrim informou que Castilho
não é diretor-executivo da entidade, até porque não apresentou os
documentos solicitados para sua efetivação.
Ele figura como membro da academia, situação que será reavaliada
a partir de agora, diante das informações trazidas, em processo interno
"para apuração e providências jurídicas". O IBCcrim informou que ele "já
foi associado ao instituto, mas atualmente o cadastro está desativado."
Notícias ao Minuto com informações da Folhapress
Nenhum comentário:
Postar um comentário