Ministro Edson Fachin envia à primeira instância denúncia contra Dilma e Lula
O
ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo
Tribunal Federal (STF), remeteu para a primeira instância da Justiça
Federal em Brasília uma denúncia apresentada na última quarta (6) contra
os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva e o
ex-ministro Aloizio Mercadante.
A
acusação, feita pela Procuradoria Geral da República (PGR), se refere
ao episódio da nomeação de Lula como ministro da Casa Civil por Dilma,
em março do ano passado, antes de ela ser afastada do cargo, no processo
de impeachment.
Para
o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, há indícios do crime de
obstrução de Justiça, pela suspeita de que a medida serviu para dar ao
ex-presidente foro privilegiado no STF, de modo a evitar que ele fosse
preso pelo juiz Sérgio Moro, da Lava Jato em Curitiba.
Caberá
agora a um único juiz federal examinar se há indícios mínimos na
denúncia que permita a abertura de um processo criminal. Se considerar
que sim, ele determinará a abertura de uma ação penal, tornando os
acusados réus na Justiça.
Em
geral, esse tipo de decisão ocorre mais rápido na primeira instância,
por ser tomada por um único juiz, que no STF, onde denúncias são
analisadas de forma conjunta, por cinco ministros.
Na
própria denúncia, Janot pedia que o caso permanecesse no STF, por ver
ligação com outra denúncia, apresentada na terça (5), que acusa Dilma,
Lula e outros seis petistas por suposta formação de organização
criminosa.
Essa primeira denúncia está no STF por ter como denunciada a senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann.
Para
Fachin, no entanto, a conexão entre os dois casos não é suficiente para
manter no STF a segunda denúncia, contra Lula e Dilma.
“Não
depreendo motivo que justifique a permanência, perante esta Suprema
Corte, que tem estrutura notoriamente limitada para instrução e
tramitação de processos desta espécie, de feitos contra corréus que não
detêm foro por prerrogativa de função, também em detrimento da garantia
constitucional da duração razoável do processo” , escreveu Fachin no
despacho.
Nesse
caso, também foi acusado o ex-ministro da Casa Civil Aloizio
Mercadante, que também já não tem foro privilegiado. Ele foi acusado por
supostamente oferecer apoio político, jurídico e financeiro ao
ex-senador Delcídio do Amaral para evitar que ele fizesse delação
premiada na Lava Jato.
Além
de enviar o caso de Lula, Dilma e Mercadante para a primeira instância,
Fachin também arquivou as suspeitas de que Dilma, sob suposta
influência do ex-ministro José Eduardo Cardozo, nomeou o ministro do STJ
Marcelo Navarro para atrapalhar a Lava Jato.
O
ministro também retirou o sigilo da investigação no STF, mas os
documentos ainda não haviam sido disponibilizados até a última
atualização desta reportagem.
O que dizem os denunciados sobre as acusações
Em nota divulgada na quarta (6), Dilma afirmou ser lamentável que Janot ofereça denúncia “sem qualquer fundamento”.
“É
espantoso que a nova denúncia se baseie em provas ilegais e nulas,
fruto de reconhecida situação abusiva em que conversas da presidenta
eleita Dilma Rousseff foram indevidamente interceptadas, divulgadas e
descontextualizadas na interpretação do seu real conteúdo”, diz trecho
da nota.
A defesa de Lula considerou a acusação “absurda”:
“Essa
é mais uma acusação absurda formulada contra o ex-Presidente Lula, pois
pretende transformar em crime sua nomeação para o cargo de Ministro de
Estado com o preenchimento de todos os requisitos previstos na
Constituição Federal. O caráter abusivo da iniciativa do Procurador
Geral da República fica ainda mais claro diante de recente decisão
proferida pelo Ministro Celso de Mello, do STF, que reconheceu a
legitimidade do ato de nomeação em situação muito similar àquela
envolvendo Lula”, diz nota do advogado Cristiano Zanin Martins.
A
assessoria de Mercadante afirmou por meio de nota que ele já foi
absolvido dessa acusação na Comissão de Ética Pública da Presidência e
que a delação de Delcídio está sendo questionada.
Diálogo
Antes
da posse de Lula como ministro, foi divulgada uma conversa telefônica
entre ele e Dilma (abaixo) na qual tratavam da nomeação do
ex-presidente. O áudio foi anulado por decisão do ministro Teori
Zavascki, que morreu em janeiro deste ano.
No
entanto, a Procuradoria Geral da República já havia apontado, na
ocasião, outros indícios de obstrução, como o ato da nomeação, a nota
oficial divulgada pela presidência após o áudio e depoimentos.
Na
ocasião, opositores diziam que a intenção de Dilma ao nomear Lula era
assegurar a ele foro privilegiado no STF, condição que o cargo de
ministro garante. Com isso, as investigações do ex-presidente no âmbito
da Lava Jato seriam transferidas do juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal
em Curitiba, para o STF.
- Dilma: “Alô.”
- Lula: “Alô.”
- Dilma: “Lula, deixa eu te falar uma coisa.”
- Lula: “Fala, querida. Ahn?”
- Dilma: “Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!”
- Lula: “Uhum. Tá bom, tá bom.”
- Dilma: “Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.”
- Lula: “Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.”
- Dilma: “Tá?!”
- Lula: “Tá bom.”
- Dilma: “Tchau.”
- Lula: “Tchau, querida.”
G1

Nenhum comentário:
Postar um comentário