Por que Joesley Batista se deu tão bem ao optar por fazer delação premiada
Ele e seu irmão se beneficiam da mais premiada das delações já seladas no país. Mas questões técnicas e nem tanto elevam a pressão para a revisão do acordo
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| É O FIM - Joesley e o juiz Vallisney Oliveira: o mais generoso acordo entre os firmados por dirigentes de empresas com a Lava-Jato e o sepultamento da Greenfield, outra operação em que a JBS estava envolvida - (Paulo Vitale/VEJA) |
Nunca houve uma delação como esta. Ao longo de
pelo menos treze anos, os irmãos Joesley e Wesley Batista, sócios da
holding J&F, pavimentaram com farta distribuição de propinas uma
trajetória de sucesso fulminante. Na semana passada, mostraram que o
crime aparentemente compensa.
Os termos do acordo fechado com a
Procuradoria-Geral da República (PGR), e homologado pelo Supremo
Tribunal Federal (STF), escandalizaram leigos e especialistas. Os
empresários não passarão um dia sequer na cadeia, não precisarão usar
tornozeleira eletrônica, nem cumprirão pena em regime aberto. Seus bens
não serão arrestados e seus passos não serão vigiados. Ambos poderão
circular livremente pelo país e fora dele. Em troca, além de se
comprometerem a não cometer novos crimes e de confessarem os praticados
até agora, os irmãos pagarão uma multa total de 220 milhões de reais. “É
uma anistia plena”, diz o jurista Modesto Carvalhosa, um dos maiores
especialistas em corrupção no país.
VEJA analisou os acordos de todos os
dirigentes de empresas arrebatados pela Lava-Jato. Entre os que
colaboraram com a Justiça — Marcelo Odebrecht (Odebrecht), Ricardo
Pessoa (UTC), Augusto Mendonça Neto (Toyo Setal), Otávio Azevedo
(Andrade Gutierrez) e Milton Schahin (Grupo Schahin) —, todos se
submeteram a denúncias e a algum tipo de pena.
Em relação às multas, a
média aplicada a delatores desse quilate é de 24,2 milhões de reais.
Individualmente, portanto, a de Joesley é a mais alta de todas, embora
nesse caso ela não chegue a fazer cócegas: a punição representa apenas
0,03% do patrimônio do empresário.
Veja

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