Justiça Federal bloqueia R$ 800 milhões do empresário Joesley Batista por compra de dólares
Liminar foi determinada por juiz da 5ª Vara Federal Cível de São Paulo. Autores da ação popular alegam que irmãos Batista praticaram 'insider trading'
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| Empresário Joesley Batista - (Eliária Andrade/Agência o Globo) |
A Justiça Federal de São Paulo determinou por meio de liminar o bloqueio de 800 milhões de reais das contas de Joesley Batista,
dono do grupo J&F, que controla entre outras empresas a produtora
de carnes JBS. O confisco do valor se refere ao suposto lucro obtido
pela companhia com a compra de dólares às vésperas da divulgação do
explosivo conteúdo da delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que implicou, sobretudo, o presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), alvos de inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão foi proferida pelo juiz Tiago
Bitencourt de David, da 5ª Vara Federal Cível, em uma ação popular
movida por dois cidadãos. O advogado Hugo Fizler Chaves Neto pedia o
sequestro de 10 bilhões de reais das contas dos executivos da JBS, mas o
magistrado só permitiu 800 milhões de reais sob a alegação de “proteção
à ordem econômica”. O magistrado também considerou que há risco ao
erário, uma vez que a JBS foi beneficiada com empréstimos bilionários
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O autor da ação afirmou que os irmãos
Joesley e Wesley Batista atuaram no mercado de ações com informações
privilegiadas, prática conhecida como insider trading. Segundo o
advogado, os executivos anteviram que o mercado financeiro reagiria mal
às revelações feitas por eles mesmos e, por isso, compraram 1 bilhão de
dólares nos dias que antecederam a divulgação dos diálogos pelo jornal O Globo, em 17 de maio.
Eles também relataram a venda de 327 milhões de reais em ações da JBS
ao longo de seis dias durante o mês de abril, quando os executivos já
negociavam a colaboração com a PGR. O juiz viu verossimilhança nas
ocorrências, apesar de elas não terem sido confirmadas.
“A compra de dólares na véspera do vazamento da delação
premiada, por outro lado, nunca foi esclarecida e o fato tanto é
verossímil que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) está apurando o
ocorrido. Soma-se a isso, ainda, movimentos de venda e compra de ações
da JBS antes e após a vinda a público da existência da colaboração e da
conversa com o presidente da República”, escreveu o juiz.
Em nota, a J&F informou que ainda não tomou conhecimento
do processo e que tem “como política e prática a utilização de
instrumentos de proteção financeira visando, exclusivamente, minimizar
os seus riscos cambiais e de commodities provenientes de sua dívida,
recebíveis em dólar e de suas operações.”
Clique aqui para ler a decisão na íntegra.
Veja

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