Juros do rotativo do cartão de crédito devem continuar a cair, diz Banco Central
A taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito registrou queda recorde de 67,8 pontos percentuais de março para abril, quando ficou em 422,5% ao ano
| Já aqueles consumidores que atrasaram ou não pagaram o valor mínimo, pagam uma taxa de juros bem maior: 524,1% ao ano - (Foto: Reprodução/AgênciaBrasil) |
As taxas de juros do rotativo do cartão de crédito que
tiveram queda “expressiva” em abril, devem continuar a cair nos
próximos meses, com as novas regras de uso do empréstimo. A avaliação é
do chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel.
Março foi o último mês em que os consumidores puderam usar o rotativo
sem tempo definido. Desde o dia 3 de abril, os consumidores que não
conseguem pagar integralmente a fatura do cartão de crédito, só podem
ficar no crédito rotativo por 30 dias. A nova regra, fixada pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN) em janeiro, obrigou as instituições
financeiras a transferirem para o crédito parcelado, que cobra taxas
menores.
“O intuito da medida era reduzir o risco dessas operações. Buscava
interromper essa permanência sem horizonte de tempo no rotativo. Ao
fazer isso, também estava reduzindo o risco dessa operação. Portanto,
aquele indivíduo que ficava rolando indefinidamente, depois de 30 dias
teria que migrar para outra modalidade. Isso propiciaria condições para
redução do custo”, explicou Maciel.
A taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito registrou
queda recorde de 67,8 pontos percentuais de março para abril, quando
ficou em 422,5% ao ano. O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor
quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão. No caso dos
clientes que pagaram o valor mínimo da fatura, a taxa de juros caiu de
431,1% ao ano, em março, para 296,1% ao ano, em abril. Já aqueles
consumidores que atrasaram ou não pagaram o valor mínimo, pagam uma taxa
de juros bem maior: 524,1% ao ano, com recuo de 4,6 pontos percentual
em relação a março. Com essas duas taxas, tem-se a taxa média de 422,5%
ao ano.
A taxa do crédito parcelado (compras parceladas com juros,
parcelamento da fatura, saques parcelados e pagamento de contas
parceladas) subiu 3,1 pontos percentuais para 161,6% ao ano. No caso das
operações de financiamento parcelado no cartão de crédito, originárias
do rotativo, a taxa ficou em 151,2% ao ano.
A expectativa é de continuidade da redução das taxas. “Os efeitos
plenos da medida serão observados somente ao final de maio, ou talvez
ainda em junho”, destacou Maciel. Ele acrescentou que na primeira semana
de maio a taxa de juros de quem pagou o valor mínimo da fatura caiu
para 267,7% ao ano.
Saldo do rotativo
Atualmente, a maior parte do saldo das operações de rotativo são do
crédito “não regular”, em que o consumidor não pagou ou atrasou o
pagamento mínimo da fatura, com R$ 22,562 bilhões. No caso dos
consumidores que pagaram o valor mínimo, o saldo ficou em R$ 16,194
bilhões. O crédito parcelado ficou em R$ 12,217 bilhões. Já o crédito
migrado do rotativo para o parcelado ficou em R$ 65 milhões. Esse valor é
bem menor porque o prazo de 30 dias (até 3 maio) para migrar para o
parcelado ainda não tinha sido concluído.
Redução disseminada
A queda na taxa de juros do rotativo ajudou a reduzir a taxa média de
juros, cobrada das pessoas físicas. A taxa média de juros para as
famílias caiu 4,6 ponto percentual para 68,1% ao ano, em abril. Segundo
Maciel, essa redução também foi influenciada pelo ciclo de cortes na
taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 11,25% ao ano.
De acordo com Maciel, sem as medidas do rotativo do cartão de
crédito, as taxas de juros teriam caído um ponto percentual. “[A redução
das taxas] está bem disseminada entre as modalidades”, disse Maciel.
ClickPB com Agência Brasil
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