Geddel agia junto com Cunha para beneficiar empresas, aponta Polícia Federal
Sigilos bancário e fiscal de Geddel também foram quebrados por ordem da Justiça
A
PF (Polícia Federal) cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis
do ex-ministro Geddel Vieira Lira (PMDB), nesta sexta-feira (13), em
Salvador. Agentes estiveram, nesta manhã, no edifício Pedra do Valle, no
Jardim Apipema, e em uma casa, no bairro Interlagos. Eles já deixaram
os imóveis. Os sigilos bancário e fiscal de Geddel também foram
quebrados por ordem da Justiça.
Geddel, que foi ministro nos governos do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e de Michel Temer, é suspeito de participar de uma esquema
de fraude na liberação de recursos da Caixa Econômica Federal para
empresas entre 2011 e 2013, período em que foi vice-presidente de Pessoa
Jurídica do banco. O UOL não conseguiu contato com os advogados de
Geddel.
Além de Geddel e da Caixa, também são alvos dessa operação Eduardo
Cunha, Fábio Cleto, Lúcio Funaro, Marcos Antônio Molina dos Santos, José
Henrique Marques da Cruz, e Marcos Roberto Vasconcelos. Todos eles
também tiveram seus sigilos bancário e fiscal quebrados.
As informações que basearam a operação foram encontradas em um
celular apreendido na residência do ex-deputado Eduardo Cunha em
dezembro de 2015, quando ele era presidente da Câmara Federal.
O esquema envolveria a liberação de recursos da Caixa para as
companhias –dos ramos de frigoríficos, de concessionárias de
administração de rodovias e de empreendimentos imobiliários– por meio de
direcionamento político, com participação de Cunha, em troca de
pagamento de propina.
Com base em informações da PF, o despacho judicial aponta que Geddel
agia “internamente, em prévio e harmônico ajuste com Eduardo Cunha e
outros, para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de
sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas para outros
membros do grupo criminoso”.
De acordo com o despacho, o grupo também tinha como integrantes Fábio Cleto e Lúcio Funaro.
A ação de Geddel e Cunha tinha como objetivo a “obtenção de vantagens
indevidas junto às empresas beneficiárias dos créditos” liberados pela
Caixa.
Foram expedidos sete mandados de busca e apreensão em endereços
residenciais e comerciais. Três foram no Distrito Federal, dois na
Bahia, um no Paraná e um em São Paulo, informa a PF. Eles foram
ordenados pela 10ª Vara da Justiça Federal, no Distrito Federal.
No Distrito Federal, um dos alvos dos mandados de busca e apreensão
foi a vice-presidência de Tecnologia de Informação da Caixa Econômica
Federal. Os dados apreendidos devem ajudar a compreender “todo o
processo decisório que resultou na aprovação dos créditos e/ou
investimentos questionados”, além de acesso às mensagens armazenadas nas
contas de e-mails corporativos, aponta o despacho.
UOL
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