Funai destaca semblante de terror de índios no Estado do Acre
A
Fundação Nacional do Índio (Funai) fez duras críticas à veiculação de
reportagem na “National Geographic”, repercutida pela imprensa nacional,
com imagens de um tribo indígena isolada no estado do Acre. De acordo
com o órgão, trata-se de um desrespeito aos índios “que se mantém em
isolamento por decisões próprias”.
“O teor invasivo do sobrevoo e,
consequentemente, das fotografias pode ser percebido no semblante de
terror dos indígenas e na postura de ataque ao empunhar arcos e flechas
contra a aeronave”, criticou a Funai, em comunicado divulgado nesta
sexta-feira. “Os efeitos de uma violência simbólica desse nível são
social e culturalmente imensuráveis”.
A Funai refuta o argumento
de que a divulgação de imagens como as capturadas pelo fotógrafo Ricardo
Stuckert contribuiriam à proteção das tribos, por chamar a atenção do
público para o tema. Esse ponto foi destacado em entrevista ao GLOBO
pelo sertanista José Meirelles, que trabalhou por muitos anos na Funai e
acompanhava Stuckert durante o sobrevoo. Meirelles informou ter
conhecimento desses índios desde 1989, mas, até então, não havia motivos
para dar visibilidade a eles, pois viviam em segurança, o que não
acontece mais.
— Eles transitam na fronteira e, quando estão do
lado do Peru, ficam expostos à ação de garimpeiros e madeireiros
ilegais. Muitas vezes, acabam levando tiros — alerta. — E com as últimas
sinalizações do governo brasileiro sobre a revisão de demarcações de
terras indígenas e a falta de recursos na Funai, tememos que eles fiquem
mais vulneráveis também do lado brasileiro.
Para a Funai, esse
tipo de trabalho “atende somente aos interesses de venda de notícias
sensacionalistas, não segue estratégias de proteção territorial e se
omite diante dos direitos dos povos indígenas”.
“Prova disso é o
fato de que o trabalho foi realizado à revelia dos trâmites necessários
ao controle de acesso a Terras Indígenas, inexistindo autorização de
ingresso ou observância do direito de imagem, o que configura violação
de direitos fundamentais preconizados na Convenção 169 da Organização
Internacional do Trabalho”, afirma a nota.
O
órgão destaca que a legislação indigenista tem mecanismos de proteção
aos povos indígenas isolados e de recente contato, “de maneira que a
Funai tomará providências para a devida responsabilização dos autores e
envolvidos, assim como para o resguardo dos povos indígenas em questão”.
OGlobo

Nenhum comentário:
Postar um comentário