
Do Portal Correio
O drama de Carlos
Antônio de Freitas, um jovem paraibano de 28 anos que está com quase 400
quilos e que precisa tratar a obesidade mórbida, vem comovendo e
sensibilizando profissionais de todo país para a tentativa ajudá-lo.
Carlinhos, como é
conhecido, não consegue andar nem deitar para dormir e vive o tempo todo
sentado. Ele mora no município de Patos, no Sertão da Paraíba, a 320
quilômetros de João Pessoa, e há quase uma década tenta tratar a doença
que já lhe causou outras enfermidades como problemas respiratórios e a
diabetes.
O médico do Programa Saúde da Família (PSF) que trata Carlinhos há pelo menos cinco anos, Pedro Augusto, contou ao Portal Correio
que o tratamento dele seria uma cirurgia bariátrica, mas os
profissionais que tentam operá-lo esbarram na impossibilidade dele de se
submeter às dietas adequadas, principalmente no pós-operatório, quando é
preciso fazer uma dieta líquida.
"Venho acompanhando o caso de Carlinhos e o problema é que, além da
obesidade mórbida, ele desenvolveu problemas mentais, é agressivo quando
não lhe dão comida e por isso a família não consegue fazer com que siga
as recomendações médicas", contou.
O médico disse, ainda, que profissionais de outros estados do país já
se interessaram em fazer a cirurgia bariátrica de Carlinhos, mas quando
Pedro Augusto repassa as informações necessárias e fala sobre a
dificuldade que tem por conta do problema mental do paciente, os médicos
acabam desistindo porque é muito arriscado.
"Se as recomendações da dieta líquida não forem cumpridas, o paciente
poderá ter complicações que podem levar à morte", analisou.
Família carente
A família de Carlinhos é carente. Ele tem mais dois irmãos, mas mora só
com os pais. De toda família, somente o jovem desenvolveu a obesidade
que o segue desde criança. Os pais, por não terem formação para lidar
com a enfermidade, sempre satisfizeram a vontade que ele tem de comer.
A mãe contou que sempre que ele queria comer alguma coisa, se não lhe
dessem, o jovem acabava reagindo agressivamente. Por conta disso, todos
terminavam atendendo ao desejo dele, sem pensar que estariam fazendo um
grande mal.
Carlinhos desenvolveu comportamento agressivo e o utiliza sempre que
quer comida. O caso do jovem complicou muito nos últimos anos e ele já
não consegue fazer nenhum tipo de dieta.
O médico Pedro Augusto disse que, na mais recente tentativa feita em
João Pessoa para ajudá-lo, o rapaz chegou a ficar internado por cerca de
dois meses no Hospital Santa Isabel, mas não conseguiu fazer a
dieta para obter a redução de peso necessária para o procedimento
cirúrgico de redução do estômago e a família o levou de volta para casa.
Caminhão guincho
Para se ter uma ideia do drama enfrentado por Carlinhos e seus
familiares, basta saber que para transportá-lo de um lugar para outro,
tem que ser utilizado um caminhão guincho, pois não há ambulâncias ou
outro veículo que comportem o peso dele.
"Há um tempo atrás, ele era transportado num carro do corpo de
bombeiros, mas hoje em dia isso só é possível com um caminhão guincho,
devido ao excesso de peso", contou o médico.
A última vez que Carlinhos foi pesado, cerca de quatro meses atrás, em
uma máquina para pesar animais de grande porte, ele estava com 356
quilos, mas o médico Pedro Augusto disse que ele já teria ganho mais
peso e estaria com cerca de 400 quilos.
O rapaz não se locomove mais e também não consegue deitar-se para dormir, por isso passa todo o tempo sentado.
O médico disse que no dia a dia Carlinhos é comunicativo, conversa com
todos, é orientado, mas sempre que começa a fazer o tratamento, ele muda
completamente e começa a desenvolver o comportamento agressivo.
"É muito difícil para gente que o acompanha, pois o caso é muito
difícil. Ele faz tratamento e toma medicação para o problema
psicológico, mas, mesmo assim, a gente não consegue avançar para o
tratamento mais indicado ao caso, que é a cirurgia bariátrica", revelou.
Esperança
Na luta pela vida de Carlinhos, amigos e familiares criaram perfis nas
redes sociais para divulgar e procurar ajuda. Um vídeo divulgado no
grupo criado no WhatsApp 'Ajuda Carlinhos' foi compartilhado por
diversas pessoas e fez com que o drama dele fosse visto por integrantes
da Associação Paraibana de Bariátricos.
A entidade, criada há cerca de um mês e que ainda vem se estruturando
na capital paraibana, conseguiu através de um de seus membro, o médico
Eduardo Pachu, uma internação para tratamento do rapaz no Hospital das
Clínicas, em Recife, capital pernambucana.
Aderlane Mônica da Silva, que é membro da Associação, informou que o
cirurgião bariátrico Ricardo Pachu trabalha em Campina Grande e Recife. O
profissional conseguiu tratamento na unidade da capital de Pernambuco e
Carlinhos deve ser transferido para lá já nesta segunda-feira (6).
Ela disse, ainda, que o rapaz deve permanecer internado por cerca de um
ano para poder realizar a cirurgia. "Tomamos conhecimento do problema
mental que tem e estamos preparados para lutar por ele, por isso a
necessidade desse tempo para que chegue a um peso ideal para realizar o
procedimento cirúrgico", disse.
Aderlane informou que Carlinhos precisa perder pelo menos cem quilos
para fazer a cirurgia. A transferência está sendo programada pela
Secretaria de Saúde da Prefeitura de João Pessoa e pela a unidade do
Corpo de Bombeiros de Patos. Os dois órgãos, conforme Aderlane, estão
traçando uma maneira de levar o jovem para Recife, com o acompanhamento
de uma equipe médica.
"Somos uma entidade nova, que ainda estamos nos estruturando, mas o
caso de Carlinhos nos sensibilizou bastante e sentimos a necessidade da
urgência em ajudá-lo", reforçou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário