Professor denuncia em carta aberta a desembargador abandono de escolas da Paraíba
É
no mínimo polêmica a carta aberta ao desembargador João Alves da Silva
que o professor Antônio Radical publicou na Internet, após o magistrado
ter decretado a ilegalidade da greve dos docentes da rede estadual de
ensino. O professor denuncia o extremo abandono em que se encontram as
escolas estaduais, onde os alunos são obrigados a assistir aulas em
salas sem ventilador.
Outra denúncia de Antônio Radical
surpreende: “Na campanha eleitoral do ano passado, RC anunciou com toda a
pompa que havia distribuído mais de 60 mil tablets por todo o Estado…
mas para que tais equipamentos possam funcionar a contento, eles
necessitam que as escolas estaduais possuam rede wi-fi, o que NENHUMA, de Cabedelo a Cajazeiras possui…”
Confira a carta na íntegra:
“Carta Aberta ao Desembargador do TJ/PB João Alves da Silva
Caríssimo
Desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba Dr. Juiz de Direito
João Alves da Silva. Quero, neste momento, dirigir-me ao senhor nestas
linhas que seguem. Na última sexta-feira, 24 de abril do corrente ano,
os/as trabalhadores/as da educação estadual da Paraíba, em greve desde o
dia 1º de abril, receberam na sede do SINTEP, sua decisão decretando a ILEGALIDADE do nosso movimento.
Na
sua decisão, o senhor baseou-se em dois pontos fundamentais: 1º) de que
o sindicato não haveria cumprido o prazo fixado na lei de greve de
comunicar ao governo do Estado, em até 72 horas de
antecedência, o início do movimento; e 2º) por este não ter garantido o
funcionamento mínimo de pessoal nas unidades de ensino. Por enquanto,
não irei me ater a estes argumentos, posto que a Assessoria Juridica do
sindicato irá recorrer de sua decisão e, com certeza, tocvará com mais
propriedade nesses pontos. Minha intenção, com esta Carta Aberta ao
senhor, é outra. Vamos ao que interessa.
Caro
Desembargador, não sei se o senhor teve acesso à nossa pauta de
reivindicações, mas esta contempla, além do aumento salarial determinado
pelo MEC – de 13,01% – e descumprido pelo governador Ricardo Coutinho,
melhorias nas condições de trabalho que enfrentamos cotidianamente nas
nossas escolas, senhor João Alves da Silva.
Gostaria,
neste momento, de convidá-lo a visitar a qualquer dia e hora a escola
aonde leciono, situada no bairro do Mutirão, em Bayeux. Chama-se Antonio
Gomes. Ela existe desde que o bairro foi construído, há mais de 30
anos, e só recentemente começou a ser feita uma reforma na escola, ainda
inacabada. Caro Desembargador, nossa escola possui várias salas de aula
sem ventiladores, com alunos e professores tendo que suportar o imenso
calor durante todo o expediente. Não creio que o senhor conseguiria
aguentar passar 50 minutos despachando em uma sala sem ventiladores. Sei
que sua sala possui arcondicionado. Nossas salas NÃO possuem VENTILADORES, Excelência.
Para o senhor perceber a gravidade da situação de nossa escola, temos 6
equipamentos novos de arcondicionado na unidade de ensino enferrujando.
Por quê? Porque se forem instalados, a instalação elétrica não suporta a
carga e toda a escla será prejudcada!
Além disso, Desembargador, a EEEFM Antonio Gomes (mesmo depois de iniciada a reforma) NÃO possui
laboratórios de informática ou de ciências), nossa quadra foi destruída
e está completamente entregue ao abandono, isso porque a empresa que
estava fazendo a obra só entregou metade da reforma e foi embora, não
sem antes ter sido paga pelo Estado, claro! A nova caixa d’água, que
deveria ter sido instalada, foi levada pela empresa, deixando a velha
que tem uma inclinação de cerca de 20 graus e pode cair a qualquer
momento, e assim causar uma tragédia na escola. O refeitório para os/as
alunos /as poderem se alimentar de forma adequada, que deveria ter sido
entregue, NÃO foi concluído e a biblioteca (se é que
podemos chamar aquilo de biblioteca) continua sofrendo com o mesmo
problema de infestação de cupins, por conta da ineficácia da dedetização
mal feita na sala. Pra terminar, a polêmica dos tablets.
O
governo Ricardo Coutinho entregou, em 2013, tablets para alunos/as e
professores/as atuavam no 1º ano do Ensino Médio. Na campanha eleitoral
do ano passado, RC anunciou com toda a pompa que havia distribuído mais
de 60 mil tablets por todo o Estado. Sem entrar no mérito dos números
(porque não dá pra confiar nunca nos números em que Ricardo anuncia), o
fato é que, apesar de realmente isso ter ocorrido, os tablets servem
apenas como propaganda de governo e dele, evidentemente. Pois, caro
Desembargador, para que tais equipamentos possam funcionar a contento,
eles necessitam que as escolas estaduais possuam rede wi-fi, o que NENHUMA, de Cabedelo a Cajazeiras possui.
Diante de tudo isso, o que o governo Ricardo Coutinho diz? Que está tudoNORMAL!!!
Esse
é o relato, Desembargador João Alves da Silva, de um professor recém
ingresso no quadro do magistério estadual, que ganha um salário bruto
de R$ 1.921,36 e que tem que enfrentar tudo isso,
cotidianamente, na sua unidade de ensino. Assim como eu, todos/as
meus/minhas colegas de profissão.
Assim, caro Desembargador, o senhor acredita verdadeiramente que nossa luta é ILEGAL?”
Mais em http://goo.gl/ou7GwQ.