1500 - PRIMEIRA MISSA NO BRASIL
Em
22 de abril de 1500 o navegador português Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil
comandando uma frota de treze caravelas. Navegando ao longo da costa, à procura
de um porto seguro, ele encontrou uma baia de águas claras e calmas, hoje
denominada Cabrália, no interior da qual ancorou as naus junto a uma ilhota
atualmente conhecida como ilhéu da Coroa Vermelha. E ali permaneceu durante
dez dias, apenas, pois no dia 02 de maio, depois de abastecer seus navios
com o que precisava, deu continuidade à viagem que fazia em direção às Índias.
Durante
o prazo em que os marinheiros portugueses permaneceram em terra, foi realizada
uma missa oficiada pelo frei Henrique de Coimbra, que participava da expedição
liderando um grupo de religiosos cujo destino eram as missões do oriente.
Para a realização dessa cerimônia dois carpinteiros trouxeram da mata um enorme
tronco de madeira, destinado à feitura da cruz, enquanto os demais tripulantes
abasteciam os barcos com água, frutas e lenha.
Os
índios, uns oitenta ou mais, se amontoavam ao redor dos portugueses, e apreciavam,
pasmos, o que fio das ferramentas de ferro provocava na árvore. Estando tudo
pronto, a primeira missa no Brasil (ilustração, em tela de Victor Meireles,
que faz parte do acervo do Museu Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro)
foi então rezada em 26 de abril pelo franciscano, devidamente paramentado,
enquanto a tripulação congregava-se na praia, à frente do altar.
Os
nativos, dóceis, se portaram de tal modo que o escrivão Pero Vaz de Caminha
convenceu-se de que no futuro a conversão deles seria fácil, e por isso escreveu
ao rei prevendo que dois bons padres, apenas, seriam suficientes para o cumprimento
dessa missão.
A
carta de Pero Vaz de Caminha, enviada ao rei de Portugal, relata, ao tratar
do episódio, que “Ao domingo de Pascoela pela manhã, (26 de Abril de
1500), determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. E mandou
a todos os capitães que se arranjassem nos batéis e fossem com ele. E assim
foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar
mui bem arranjado.
E
ali, com todos nós outros, fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique,
em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes
que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos
com muito prazer e devoção.
Ali
estava com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saíra de Belém, a qual
esteve sempre bem alta, da parte do Evangelho... E quando veio ao Evangelho,
que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles (os índios) se
levantaram conosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado; e então
tornaram-se a assentar como nós... e em tal maneira sossegados, que, certifico
a Vossa Alteza, nos fez muita devoção... Acabada a missa, desvestiu-se o padre
e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia.
E
pregou uma solene e proveitosa pregação, da história e-vangélica; e no fim
tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob
cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção. (...)
Acabada a pregação encaminhou-se o Capitão, com todos nós, para os batéis,
com nossa bandeira alta”.
Após
deixar o local com sua frota, em direção à Índia, Cabral não tinha certeza
se o que descobrira era um continente ou uma grande ilha, e por isso deu-lhe
o nome de ilha de Vera Cruz. Outras expedições portuguesas verificaram posteriormente
que se tratava de um continente, e por isso a nova terra passou a ser chamada
de Terra de Santa Cruz. Somente depois da descoberta do pau-brasil, ocorrida
no ano de 1511, foi que o país recebeu o nome pelo qual é conhecido até hoje:
Brasil.
Fonte: www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br
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