Cássio diz que falar em impeachment não ‘é golpismo’
Num
discurso que provocou a reação dos colegas, o líder do PSDB no Senado,
Cássio Cunha Lima (PB), disse que não se pode falar em “golpismo” ou ter
“arrepios” quando se menciona a palavra impeachment, porque essa
possibilidade está prevista na Constituição e está sendo citada pelo
“povo”. Mas o tucano ressaltou que a simples queda de popularidade de
Dilma não pode ser a justificativa para um impeachment, acrescentando
que a crise é grave devido à “letargia” do governo. O discurso gerou
reação imediata do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que acusou os
tucanos de serem “maus perdedores”.
O petista foi líder do movimento pelo impeachment do então presidente
Fernando Collor, hoje líder do PTB no Senado. Irritado, Lindbergh disse
que não era golpista na época e que naquela ocasião havia fatos
concretos.
Cássio Cunha Lima disse que falar em impeachment da presidente Dilma
Rousseff não pode causar “arrepios”, alegando que quem fala nisso é o
“povo” e não a oposição.Ele criticou a escolha de Aldemir Bendine para
presidir a Petrobras. O tucano chamou Bendine de “tarefeiro do PT”.
— Não se pode falar em golpismo quando se fala a palavra impeachment.
Está na Constituição. E a Constituição tem que ser cumprida em todas as
suas letras. Ao pronunciar a palavra não pode haver arrepios ou nem
sequer reações que podem ser traduzidas como golpitas. Não estamos
falando nisso. Mas quem fala nisso, e em tom cada vez mais alto, é o
povo brasileiro. Cabe-nos serenidade e cobrança crítica ao governo. Não
será no isolamento que a presidente encontrará a saída para este
instante grave — disse Cássio Cunha Lima, acrescentando:
— Queda de popularidade não está na Constituição como causa para
impeachment. A questão não é essa. É um conjunto de fatores que leva à
população a mencionar, cada vez mais, isso que está na Constituição. Não
estamos aqui para brincar em momento tão grave
Intolerância completa (na questão de falta de paciência).
O tucano criticou o apoio dado pelo PT na sexta-feira, em sua festa
de 35 anos, ao tesoureiro João Vaccari Neto, investigado no escândalo da
Petrobras.
— Chama atenção a letargia na Petrobras, um governo que não tem
capacidade de ação e de reação. O governo fez talvez a pior escolha,
porque não escolheu nada além do que um tarefeiro para tentar limpar a
cena do crime da Petrobras. É com que tristeza vejo o PT se afundar
nesse poço, não de petróleo, mas de lama — alfinetou o líder do PSDB.
Líder dos chamados “cara-pintadas” na década de 90, o petista
Lindbergh Farias (RJ) ficou irritado com o discurso. Ele disse que a
oposição está estimulando algumas manifestações, que seriam golpistas
por defenderem, até, a volta da ditadura.
— Vocês estão sendo maus perdedores. Falar em impeachment depois de
um processo eleitoral democrático é golpista. O que estou vendo aqui é
grito de quem perdeu a eleição e não está querendo aceitar o resultado.
Não se pode acusar o povo de golpista, mas tem uma minoria golpista se
organizando sim. E estimulados pelo PSDB, que questionaram as eleições.
Acho vergonhoso. Tenho visto uma minoria golpista — disse Lindbergh,
reagindo quando lembrado que já defendeu o impeachment de Fernando
Collor:
— Defendi o impechment porque havia casos que justificavam o
impeachment, existiam fatos concretos. Agora, não há nada. Você estão
sendo maus perdedores. A situação do Collor era completamente diferente.
Aqui, é grito de perdedor.
FALHAS NA COMUNICAÇÃO
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que a questão do impeachment
estava sendo tratada de forma “leviana”. Mas ela admitiu que o governo
Dilma Rousseff tem falhas de comunicação.
— Temos sim problemas de comunicação: é um governo que faz muito e comunica pouco — disse Gleisi.
O líder do PDT no Senado, Cristovam Buarque (DF), disse que a palavra
impeachment está “na boca do povo”, concordando com o líder do PSDB.
— A palavra impeachment não deve causar arrepio, porque está na
Constituição, mas o que causa arrepio é que está na boca do povo. Mas
não adianta tentar silenciar, tentar silenciar é que é golpismo. A
palavra não chegou na boca do povo insuflada pelas oposições e sim pelos
equívocos de governo. E estou assustado. A presidente Dilma falou em
diálogo pela última vez no dia da vitória dela. E sabe-se que não é para
valer — disse Cristovam.
Queda de popularidade não é razão de impeachment de ninguém, mas essa
não é a questão. E o PT repete a velha tática: de tentar colocar todo
mundo na vala comum. PT passar a mão na cabeça, rasgou sua bandeira da
ética. O PT esquece o Brasil e abraça um projeto de poder com unhas e
dentes
Aécio em nenhum momento questionou as eleições. Ele ligou. Mas se
questiona aspectos. Vocês estão no governo há 12 anos e ainda insistem
em jogar nas costas do PSDB? A crise é muito grave.
Suspender decreto presidencial, que aumentou o PIS/Cofins, sem
respeitar a noventena. Em alguns estados, aumento foi de 40 centavos.
Respeitou a noventena para a Cide, mas, de forma ilegal, aumentou a
cobrança do PIS/Cofins, impactando no preço do combustível. Toda
sociedade brasileira está pagando pelo aumento ilegal, porque a
noventena não foi respeitada.
O Globo
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