247 – No País em que o ano começa no
pós-Carnaval, o primeiro grande fato político ainda está para ser
definido. Como será, afinal, a convivência entre a presidente Dilma
Rousseff e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha?
Que eles nunca se deram lá muito bem, isso é de
domínio público. O problema é que, nas primeiras medições de força, na
fase pré-Carnaval, Cunha e seu rolo compressor aprovaram todas matérias
que lhes interessavam. E ficou claro que, ao trombar de frente com o
piloto e sua máquina, o Palácio do Planalto estarão sempre em
desvantagem. Em nome da governabilidade, Dilma recebeu conselhos,
inclusive do ex-presidente Lula, de buscar uma aproximação com Cunha. E
foi o próprio Cunha quem fez um primeiro gesto, ainda que tímido, nessa
direção, ao declarar que o PT deve, sim, ter uma cadeira na CPI da
Petrobras a ser instalada. Entende-se, agora, que a bola desse jogo está
no campo de Dilma.
Em tese, caso assuma uma posição subserviente, o
Planalto estará de bem com a Câmara. Mas é claro que, nessa posição, não
haveria acordo. Ocorreria uma simples capitulação. Dilma,
ex-guerrilheira de fibra, como se sabe, não é política de capitular. Ela
terá de mostrar, agora, seu melhor lado de negociadora.
Em meio a dificuldades na economia e risco de
racionamento energético, a posição da presidente não é das mais fáceis. O
próprio Cunha, no entanto, sabe que não deve radicalizar contra o
Palácio do Planalto, sob o risco de criar uma crise que, a depender do
elemento povo na rua, pode resultar numa desestabilização de graves
consequência.
Dentro desse espaço de responsabilidade institucional
está a margem de entendimento entre Dilma e Cunha. A presidente já sabe
que terá de abrir mão de grande parte da agenda que planejara para seu
governo, enquanto Cunha deverá entender que o regime de governo ainda é o
presidencialismo – e não o parlamentarismo, ainda que todos tenham entendido que este será um ano de parlamento extremamente forte. Começar
por um frente a frente para aparar o que for possível de divergências
pode ser um primeiro gesto positivo. Depende, neste momento, mais de
Dilma do que de Cunha.
Brasil 247
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