‘Veja’: doleiro diz que Dilma e Lula sabiam de tudo
O Globo
Em
depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público em Curitiba,
segundo a revista "Veja", o doleiro Alberto Youssef teria dito que a
presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
"sabiam de tudo" sobre o esquema de corrupção na Petrobras. Ainda
conforme a revista, que antecipou, nesta quinta-feira à noite, trecho da
reportagem a ser divulgada nesta sexta-feira na íntegra, a revelação
teria sido feita por Youssef na última terça-feira.
Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro teria afirmado:
- O Planalto sabia de tudo!
Perguntado pelo delegado que colhia o depoimento a quem ele se referia, Youssef teria respondido:
- Lula e Dilma.
Veja Também:
- CVM exige que Petrobras envie ao órgão resultados de investigação interna sobre a Lava-Jato
- Lava-Jato: Doleira flagrada com dinheiro na calcinha é condenada
- Youssef nega ter feito negócio com o PSDB, diz advogado do doleiro
O
advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, confirmou que o doleiro
prestou depoimento à Polícia Federal de Curitiba na última
terça-feira, mas disse não ter conhecimento da informação citada pela
revista.
- Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso (que Lula e
Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras). Não conheço esse
depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso - afirmou Basto.
ADVOGADO ALERTA PARA "ESPECULAÇÃO"
Ele disse que Youssef prestou muitos depoimentos no mesmo dia e que o doleiro estava acompanhado de advogados de sua equipe.
-
Conversei com todos da minha equipe e nenhum fala isso. Estamos
perplexos e desconhecemos o que está acontecendo. É preciso ter cuidado
porque está havendo muita especulação.
Basto também disse que a defesa não possui cópia do que foi falado por Youssef à Polícia Federal.
-
Nós não temos como pegar em mãos e não ficamos com cópia de nada.
Então, não nego nem confirmo se esse depoimento é verdadeiro, se essa
informação foi dada ou não e se sim, em quais circunstâncias.
O
depoimento citado pela revista não tem relação com os que foram
prestados à 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, cujo teor já foi
divulgado anteriormente.
O doleiro está preso em Curitiba desde
março e é acusado de ser um dos chefes do esquema que teria desviado
cerca de R$ 10 bilhões desde 2006. Seria a primeira menção de Youssef
ao nome de Dilma nas investigações. Ele já havia citado Lula em
depoimento prestado à Justiça Federal no dia 8 deste mês. Na ocasião,
Youssef disse que Lula teve que ceder aos políticos de partidos
acusados de participar das fraudes na Petrobras e empossou Paulo
Roberto Costa na diretoria de Abastecimento. Ele afirmou que "agentes
políticos" ameaçaram trancar a pauta do Congresso.
- Tenho
conhecimento que, para que o Paulo Roberto Costa assumisse o posto,
esses agentes trancaram a pauta no Congresso por 90 dias. Na época, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco e teve de ceder e
empossar Paulo Costa na diretoria de Abastecimento - afirmou, de acordo
com vídeo do depoimento disponibilizado pela Justiça Federal.
O
doleiro ainda disse que o PT, PMDB e PP estavam envolvidos num esquema
de corrupção na Petrobras que consistia na cobrança de propinas de
empreiteiras pelo tesoureiro petista João Vaccari e pelo peemedebista
Fernando Soares. As obras da estatal eram escolhidas por um cartel de
dez empresas, que superfaturavam os preços em algo em torno de 20%,
dinheiro que era dividido para políticos e diretores da estatal.
No
trecho da reportagem divulgado ontem à noite, "Veja" faz um relato da
chegada de Youssef na sala para o interrogatório. "A temporada na
cadeia produziu mudanças profundas em Youssef. Encarcerado desde março, o
doleiro está bem mais magro, tem o rosto pálido, o cabelo raspado e
não cultiva mais a barba. O estado de espírito também é outro. Antes
afeito às sombras e ao silêncio, Youssef mostra desassombro para
denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que
assaltou durante quase uma década os cofres da Petrobras", descreve a
reportagem.
PEDIDO PARA ADIAR DEPOIMENTO À CPI
Youssef
vai pedir à CPI da Petrobras que remarque seu depoimento, previsto
para a próxima quarta-feira, para depois que seu acordo de delação
premiada for homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que não
tem data marcada para acontecer. O advogado de Youssef, Antônio
Figueiredo Basto, disse que o doleiro permanecerá em silêncio se o
depoimento for mesmo confirmado para semana que vem.
- Meu cliente
vai permanecer calado na quarta-feira. Por conta do acordo de delação
premiada que ele fez com a Justiça, ele tem que permanecer em silêncio.
Ele está disposto a falar à CPI, mas só depois da homologação do
acordo com o STF. Por isso, é melhor que a CPI redesigne o depoimento
para outra data. Até para evitar o deslocamento para Brasília, escolta e
todos os gastos decorrentes da viagem - disse Basto.
Basto
aguarda que o juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro, despache seu
pedido de anulação do depoimento do testa de ferro Leonardo Meirelles,
diretor presidente da Labogen, no qual ele diz que Youssef tinha
negócios com o PSDB.
Segundo o advogado, Youssef nega ter tido
negócios com o PSDB e quer uma acareação com Meirelles para
desmenti-lo. De acordo com o advogado, o juiz só deve despachar seu
pedido na segunda-feira. Em depoimento de Meirelles ao juiz Moro, na
última segunda-feira, o diretor do Labogen disse que Youssef fazia
negócios com o PSDB e com o ex-presidente do partido Sérgio Guerra.
Ao tomar conhecimento do depoimento de Meirelles, Youssef pediu que seu advogado desmentisse a informação oficialmente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário