Oito cuidados para a doença celíaca
Deslizes na dieta podem favorecer osteoporose, infertilidade e até câncer

Câncer e diabetes
"Quando a pessoa tem doença celíaca, o organismo reage ao glúten
formando substâncias nocivas que atrofiam a mucosa intestinal", explica o
gastroenterologista Eduardo Berger, do Complexo Hospitalar Edmundo
Vasconcelos. Se a pessoa continuar a ingerir glúten, essa atrofia ganha
tanta intensidade que pode prejudicar diversas outras funções do
organismo e favorecer a ocorrência de outras doenças, como câncer,
diabetes e problemas na tireoide.
Infertilidade
A relação entre doença celíaca e infertilidade é comprovada por
estudos. "Ainda não se sabe a causa direta disso, mas acreditamos que
possa ser a ação das citocinas - substâncias químicas que podem lesionar
as células - ou a falta de absorção de ácido fólico", afirma a
gastroenterologista Vera Lúcia. Se a pessoa realmente excluir o glúten
da dieta, não terá problemas de fertilidade. Se houver deslizes,
entretanto, é importante consultar um médico para realização de exames.
Osteoporose
Anemia ferropriva
Quanto o intestino está atrofiado pelas substâncias químicas que
reagem ao glúten, tem dificuldade de absorver nutrientes, incluindo
ferro, podendo desencadear uma anemia. "O combate a esse problema tem
que ser feito com a exclusão do glúten e com uma alimentação equilibrada
e rica nesses nutrientes que faltam ao organismo, como carne vermelha e
folhas escuras", afirma o gastroenterologista Celso Mirra, membro da
Federação Brasileira de Gastroenterologia.
Falta de nutrientes
Além de cálcio, vitamina B12 e ferro, o intestino de quem tem doença
celíaca e consome glúten pode ter dificuldade de absorver diversos
outros nutrientes importantes, como vitamina D e K. ?Essas deficiências
podem causar anemia macrocítica (deficiência da vitamina B12 e de ácido
fólico), déficit de fixação de cálcio e problemas de coagulação no
sangue, entre outras complicações?, alerta Celso Mirra. Em alguns casos,
o gastroenterologista Eduardo comenta que é preciso entrar com
suplementação além da restrição ao glúten em pessoas que demoraram a ser
diagnosticadas.
Intolerância à lactose
De acordo com o nutrólogo Andrea Bottoni, coordenador da equipe de
nutrologia do Hospital Vila Lobos, se o intestino estiver muito afetado
pela reação ao glúten pode desenvolver aos poucos uma intolerância à
lactose. Isso agrava os sintomas da doença celíaca, como flatulência e
diarreia. "Para tratar, é preciso excluir tanto a lactose quando o
glúten da dieta em um primeiro momento, podendo voltar a ingerir a
lactose após a mucosa intestinal se recuperar", explica o médico.
Cuidado com medicamentos
"Há uma lei desde 2003 para que todos os medicamentos que possuem
glúten apresentem no rótulo o alerta para quem tem doença celíaca",
afirma a gastroenterologista Vera Lúcia. Ela explica que o glúten pode
estar presente no excipiente do remédio, ou seja, na parte que ajuda dar
massa ou volume à medicação. "Apesar de serem poucos os medicamentos
que possuem glúten, é preciso ficar sempre de olho nos rótulos antes de
ingeri-los", recomenda a especialista.
Exames periódicos
Celso Mirra conta que é preciso fazer - pelo menos uma vez por ano -
uma consulta ao médico para realizar exames rotineiros e testes
sanguíneos específicos da doença celíaca. "Quando o quadro clínico e
laboratorial estiver normalizado, em geral após dois anos, serão feitos
os exames de endoscopia e biópsia duodenal", comenta.
O médico da Sociedade Brasileira de Gastrenterologia também recomenda
o acompanhamento constante de um nutricionista e, se necessário, um
psicólogo para ajudar a seguir a restrição total de glúten. "Esse
tratamento rigoroso é fundamental para evitar que a doença se torne
muito grave e cause as mais diversas complicações", adverte.
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