Nascem 5,7 mil bebês cardiopatas em 3 anos
'Círculo do Coração' tem contribuído no tratamento da doença na Paraíba
Givaldo Cavalcanti
Quando Patrícia Rayanne, de 18 anos, deu à
luz Pedro Rian no último mês de fevereiro, ela não imaginou que o
significado do nome do filho daria provas das dificuldades que ele
precisava superar já nos primeiros meses de vida. Além de bíblico, o
significado do nome Pedro remete a "pedra", "rochedo", característica de
quem não entrega sua vida facilmente.
Valendo-se disso, o menino, que é um dos cerca de 5.700 bebês
paraibanos cardiopatas nascidos nos últimos 3 anos segue lutando contra a
doença que atinge até dez crianças para cada mil nascidas vivas no
Estado. A informação é da Organização Não Governamental Círculo do
Coração, do Recife, que tem parceria com a Secretaria de Estado da Saúde
(SES).
Também mãe de uma menina com pouco mais de 2 anos, a estudante que
mora no bairro do Monte Santo, em Campina Grande, nem imaginava que um
recém-nascido poderia ter um problema de coração. Mas, foram os seguidos
sintomas de cansaço que a fez procurar um hospital para que o
diagnóstico não viesse a tardar.
“Eu tive uma gestação sem problemas, fiz o pré-natal todo, já era
minha segunda gravidez e Pedro nasceu normal, com 52 centímetros e 3,8
quilos. Só que logo nos primeiros dias ele ficava muito cansado. Então
eu fui para o hospital, a doença foi diagnosticada e ele ficou internado
um mês”, contou.
O desconhecimento de Patrícia sobre a incidência da doença é muito
comum, segundo explica Sandra Mattos, presidente do 'Círculo do
Coração', parceira da Secretaria de Estado da Saúde, que capacita
profissionais, realiza exames e faz cirurgias nos casos mais graves de
cardiopatia. De acordo com ela, a Paraíba segue a média nacional de
nascimento de cardiopatas, mas tem apresentado um crescimento
considerável nos últimos anos no que diz respeito ao exame, diagnóstico,
tratamento, unidades hospitalares que recebem os pacientes e
principalmente nas cirurgias.
“Há 3 anos, na Paraíba, apenas o Hospital Arlinda Marques, em João
Pessoa, identificava a doença, mas transferia os pacientes para Estados
vizinhos. Isso gerava um custo muito alto para o Estado, além de não
atender à demanda. Hoje, além desse hospital que já pode realizar
cirurgias cardíacas em crianças, temos 20 maternidades espalhadas no
Estado que realizam exames de oximetria (mede a quantidade de oxigênio
do sangue), têm profissionais capacitados para o tratamento, tecnologia
para termos contato através de videoconferência, e uma cobertura ampla.
Somente os casos mais graves é que operamos no Hospital Português no
Recife”, explicou Sandra Mattos.
A realização dessa parceria foi determinante para que a assistência
aos bebês cardiopatas mudasse. De acordo com a Secretaria de Estado da
Saúde, nos últimos dois anos foram feitas quase 250 cirurgias, enquanto
que todas as outras crianças identificadas com a doença seguem em
tratamento na Paraíba. “Este projeto tem um impacto enorme em saúde
pública e digo sempre que paciência, persistência e boa vontade são as
chaves do sucesso. Após a realização do exame de oximetria, se for
detectada alguma anomalia, nós realizamos os exames de ecocardiograma
funcional para investigarmos o caso”, enfatizou Sandra Mattos.
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