Marcos Maivado Marinho
A surpresa do pleito municipal de Campina Grande em
2012, que atende pelo nome de uma das mais tradicionais iguarias do
Nordeste – Buchada -, eleito pelo PTN na chamada “rebarba” do quociente
eleitoral com 1.838 votos, partido que logo abandonou para filiar-se ao
noviço PROS, é hoje um cidadão milionário.
Seu Buchada, sacramentado na pia batismal como Cícero
Rodrigues da Silva, é sexagenário (nasceu em Campina Grande em 09 de
janeiro de 1953) e trabalha, além da vereança, na construção civil. No
currículo ele anota ser casado, agricultor e diz que cursou o ensino
fundamental completo.
Desconhecido para a grande maioria da população
campinense, que dele somente veio ouvir falar durante a campanha
eleitoral, e exatamente pelo nome folclórico registrado para receber os
votos, Buchada se apresentou como homem humilde da periferia, um
trabalhador como outro qualquer que retira do suor da testa o sustento
familiar.
Dono de uma construtora, a Empreiteira Tavarense
Ltda., Buchada na realidade nunca foi o que se poderia identificar como
“um pobre”. Consta até que para acudir aos gastos da campanha ele teria
vendido um caminhão, além de ter quitado dívidas enormes que contraíra
junto a fornecedores de material de construção, onde adquirira doações
para amigos e vizinhos de Bodocongó e cercanias que se dispunham a
sufragar seu nome para vereador. Seria, no caso, um cidadão “remediado”.
Bem na vida.
Mas, exercido apenas um ano e três meses de mandato,
Buchada já passou de REMEDIADO para MILIONÁRIO. Com dois detalhes
importantes: não recebeu nenhuma herança e também não ganhou prêmio
nenhum das loterias da Caixa.
Milagre? Não. Trabalho!
Milagre? Não. Trabalho!
Pela sorte de ter conquistado um mandato na Câmara
Buchada lhe viu ofertada de pronto a mão amiga do prefeito que ajudou a
eleger em 2012 – Romero Rodrigues (PSDB). Sua pequena empresa passou a
ser empreiteira da prefeitura desde o primeiro dia de julho do ano
passado, habilitada legalmente no contrato nº 2.14.018/2013 para fazer
reposição de asfalto e paralelepípedos em diversas ruas e avenidas da
cidade – a chamada operação tapa buracos -, bem como confeccionar em
concreto armado tampas para galerias de águas pluviais.

Pelo contrato, a Empreiteira Tavarense se habilitou a
receber R$ 1.163.715,35 (Hum Milhão, Cento e Sessenta e Três Mil,
Setecentos e Quinze Reais e Trinta e Cinco Centavos), dinheiro que
começou a pingar nos bolsos de Buchada a partir de 30.07.2013, já tendo
sido pagos R$ 1.002.901,77, restando-lhe portanto R$ 160.813,58, valor
provavelmente já liberado, eis que os dados do Sagres do Tribunal de
Contas do Estado em relação ao Município de Campina Grande só registram
movimentações até março.
BUCHADINHA, O GERENTE QUE SALVA O PAI DAS COBRANÇAS INDESEJÁVEIS
Reza a Lei Orgânica do Município (Art. 41, itens I e
II) que o vereador, desde o momento da sua diplomação, não pode firmar
nem manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia,
fundação pública, empresa publica, sociedade de economia mista, empresa
concessionária ou permissionária de serviço público municipal, nem ser
proprietário, controlador ou diretor de empresa que goze de favor
decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, sob pena
de imediata perda do mandato.
Seria o caso de Buchada. Dono de empresa que
contratou com a PMCG, seu mandato estaria liquidado. Mas, com certeza
ele não estaria correndo esse risco e é provável que a empresa tenha
mudado de dono, o que pode ser conferido a partir da simples solicitação
de uma certidão na Junta Comercial de Campina Grande, tarefa para o
suplente do edil ou para o partido por onde se elegeu e abandonou (PTN).
Aliás, o filho do vereador, que atende pelo nome de
CRISTIANO BUCHADINHA (É assim que grafa nas redes sociais), é quem em
tese gerencia hoje os negócios de Buchada. Pelo menos é assim que ele se
apresenta no perfil pessoal do Facebook: “Administrador na empresa
Empreiteira Tavarense Ltda.).
Buchadinha é estudante de Direito na UNESC e
ultimamente tem mostrado que leva realmente uma outra vida, mais abonada
do que outrora. No Facebook ele tem postado registros fotográficos
desses novos bons momentos, alguns deles em hotéis na beira-mar.
É também de Buchadinha a tarefa de salvar o pai das
cobranças agora indesejáveis dos eleitores. Esta semana mesmo um desses
postou foto da sua rua, que Buchada prometeu calçar e tornar um colosso,
alagada por conta das últimas chuvas. Rápido no gatilho, o jovem jogou a
bola e a culpa para o prefeito Romero, tirando a responsabilidade do
pai. “Sejamos sinceros, um vereador não tem poder nem recurso financeiro
para sanear e pavimentar ruas. Devemos reconhecer que a parte do
representante foi feita e mais, nos encontros com o prefeito sempre é
cobrada essas melhorias. A responsabilidade agora é do poder executivo,
no caso o prefeito executar a obra”, fulminou.
NA CÂMARA A ATUAÇÃO DE BUCHADA É RAZOÁVEL E DEIXA MUITO A DESEJAR
Se na iniciativa privada o desempenho de Buchada é
notável, tanto que já virou milionário em curtíssimo espaço de tempo, o
mesmo não pode ser dito sobre a sua ação parlamentar.
“Meus projetos são na área da Saúde, Educação,
Infra-estrutura, Segurança, Esporte e Lazer, Meio Ambiente e Serviço
Social, expandindo por toda a cidade”, define assim Buchada a sua ação,
conforme estampado no portal oficial do Legislativo campinense.
Contraditando o vereador o mesmo portal elenca os
projetos apresentados por ele, que são apenas cinco. Um foi aprovado,
determinando a colocação de lixeiras orgânicas nas feiras livres da
cidade; dois – construção de praça perto do canal do Severino Cabral e a
obrigatoriedade de exames de vista para alunos da rede escolar – foram
arquivados por má técnica legislativa; e outros dois ainda tramitam na
Casa, um pedindo creche para o bairro do Velame e outro pedindo escola
profissionalizante para o Distrito de São José da Mata.
Fonte:Blog do Tião Lucena
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