Eleições são prejudicadas por conta dos votos nulos e brancos
Democracia sofre com o desencanto do eleitor pelo processo eleitoral
Por Geraldo Luiz
Os votos nulo, branco e as abstenções
ainda representam um grande problema para o processo eleitoral
brasileiro. Nas últimas eleições, eles corresponderam a quase 30% dos
votos dos eleitores de todo o país. De um total de 135 milhões de
eleitores, 34 milhões acabaram não tendo seus votos considerados nas
eleições majoritárias que elevaram Dilma Rousseff à Presidência do
Brasil. Estes e outros dados foram discutidos na última sexta-feira (16), na
palestra 'Votei em Maria, elegi João – uma nova visão sobre o sistema
eleitoral brasileiro', realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral da
Paraíba (TRE-PB), em João Pessoa.
A ausência dos eleitores e o desencanto
com o processo eleitoral são os grandes problemas que a democracia
enfrenta hoje no Brasil. A falta de conhecimento sobre o funcionamento
do sistema eleitoral só contribuiria para essas ausências.
Tem muita gente que acredita que se houver mais de 50% de votos
nulos as eleições terão que ser refeitas, mas isso é fruto da
incompreensão sobre um artigo da lei eleitoral brasileira que, se
interpretado superficialmente, dá esta margem. Na internet, todo dia se vê pessoas distribuindo correntes em que se alega que este artigo
fala sobre a anulação dos votos nas urnas, mas não é isso.
O artigo 224 do Código Eleitoral fala sobre nulidade das eleições,
mas não em relação aos votos dados pelos eleitores. Na verdade, o
que está em questão são candidatos que têm suas eleições
cassadas pela Justiça Eleitoral. No caso dos candidatos terem recebido
mais de 50% dos votos válidos naquela eleição, então aqueles votos
são anulados e uma nova eleição precisa ser marcada. Ou seja,
apenas no caso de uma candidatura ser anulada e ela representar mais de
50% dos votos em uma cidade, Estado ou país é que as eleições precisam
ser remarcadas.
O número de pessoas defendendo a nulidade dos
votos este ano cresceu e esta ideia só colabora para a permanência
de poucos grupos políticos no poder. A gente percebe que muitas vezes é
justamente aquele que reclama da alternância de dois grupos no poder
que não participa do pleito. Não faltam pessoas ligadas a grupos
políticos e são essas pessoas que garantem as reeleições destes
grupos.
Desinteresse altera resultado
As últimas eleições são um bom exemplo da diferença que estes votos fariam no resultado final, especialmente na escolha da atual presidente.
É esta inversão que os defensores do voto nulo não consideram na hora de anular seus votos em tempos de urnas eletrônicas, onde não é possível escrever na cédula que o voto vai para "Macaco Tião" ou para o "Rinoceronte Cacareco".
Desinteresse altera resultado
As últimas eleições são um bom exemplo da diferença que estes votos fariam no resultado final, especialmente na escolha da atual presidente.
É esta inversão que os defensores do voto nulo não consideram na hora de anular seus votos em tempos de urnas eletrônicas, onde não é possível escrever na cédula que o voto vai para "Macaco Tião" ou para o "Rinoceronte Cacareco".
Em todo o Brasil, segundo dados do TRE-PB, foram 34 milhões de votos
nulos, brancos e ausências. Para se ter ideia, Dilma venceu o
primeiro turno com 47 milhões de votos. Serra recebeu 33 milhões.
Ou seja, mais pessoas anularam, não foram ou votaram em branco
do que votaram no segundo colocado das eleições.
O resultado poderia ter sido bem diferente. E se parte destes votos tivessem sido dados a Marina Silva, por exemplo? Será que ela não conseguiria seguir para o segundo turno? Na Paraíba, de um total de 2,7 milhões de eleitores, 844 mil ou não foram às urnas, anularam ou votaram em branco.
Pequena diferença
Se nas eleições nacionais esses números fazem diferença, nas eleições municipais o caso é ainda mais sensível. Na Paraíba, 96% das cidades contam com menos de 30 mil habitantes.
Apenas onze cidades na Paraíba são maiores do que isso, ou seja, geralmente são dois candidatos disputando os votos dos eleitores e a diferença no número de votos entre os candidatos é mínima.
É o caso do município de Água Branca, aqui bem pertinho da gente, onde a diferença de votos entre o primeiro e o segundo colocados nas últimas eleições, Tarciso Firmino e Tom, respectivamente, foi de apenas 85 sufrágios. Água Branca conta com cerca de 10 mil habitantes e 7.065 eleitores. Mais de 1,6 % não estiveram presentes às eleições. Imagine se 86 eleitores que se abstiveram de participar do pleito tivessem votado no segundo colocado. A situação teria sido totalmente diferente.
O resultado poderia ter sido bem diferente. E se parte destes votos tivessem sido dados a Marina Silva, por exemplo? Será que ela não conseguiria seguir para o segundo turno? Na Paraíba, de um total de 2,7 milhões de eleitores, 844 mil ou não foram às urnas, anularam ou votaram em branco.
Pequena diferença
Se nas eleições nacionais esses números fazem diferença, nas eleições municipais o caso é ainda mais sensível. Na Paraíba, 96% das cidades contam com menos de 30 mil habitantes.
Apenas onze cidades na Paraíba são maiores do que isso, ou seja, geralmente são dois candidatos disputando os votos dos eleitores e a diferença no número de votos entre os candidatos é mínima.
É o caso do município de Água Branca, aqui bem pertinho da gente, onde a diferença de votos entre o primeiro e o segundo colocados nas últimas eleições, Tarciso Firmino e Tom, respectivamente, foi de apenas 85 sufrágios. Água Branca conta com cerca de 10 mil habitantes e 7.065 eleitores. Mais de 1,6 % não estiveram presentes às eleições. Imagine se 86 eleitores que se abstiveram de participar do pleito tivessem votado no segundo colocado. A situação teria sido totalmente diferente.
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