
Natural de João Pessoa, Luis Alberto Guedes é Bacharel em Jornalismo pela UFPB. Atualmente é acadêmico da faculdade de Direito é pós-graduado em Gestão Pública na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Aluno Marista por nove anos, conheceu política no Pio X, onde foi eleito por três vezes presidente do Grêmio Estudantil. É conhecedor de Marketing e Consultoria política. Passou pelo Jornal A União e pelo Portal PB Agora. Atualmente é editor do MaisPB e apresentador do programa ´Tribuna do Povo´, dá Rádio Sanhauá.
A chapa com Cássio e Veneziano

Em resposta a meus leitores e companheiros de debates, que há dias me
questionam sobre as especulações de um pacto entre Cássio Cunha Lima e o
PMDB de Veneziano, dedico essa minha análise de hoje.
Quando achava que a ideia absurda havia morrido e que as fofocas sem
sentido haviam cessado, eis que sou procurado por um “admirador” (como
simpaticamente se apresentou) buscando ter de mim uma opinião antecipada
do assunto. Segundo o médico (muito conceituado no sociedade paraibana,
inclusive), corre pelos restaurantes requintados da Capital o boato que
está quase fechada a chapa encabeçada por Cássio, tendo com seu vice o
prefeito Veneziano. Boquiaberto com tão criativo cenário, questionei-o
se não havia algum equívoco em suas palavras e se a presença de
Veneziano na chapa não seria ao menos como senador (já que tal absurdo
havia escutado semanas antes). Sem pestanejar, sacramentou o doutor:
“Ele será vice de Cássio, Luis. Em poucas semanas vai ser anunciado”.
Tentando livrá-lo dessa ‘certeza’ que o afasta da realidade (ou da
lógica), questionei em quais fatos estaria ancorado para propagar tal
delírio. Novamente sem titubeios, em cima da bucha, disparou: “Não soube
do jantar entre Maranhão e Cássio?”. Antes de debulhar meu rosário de
contra-argumentos, consegui fazê-lo engolir no seco: “Não lembra que
Maranhão também rezou ao lado do caixão de Ronaldo Cunha Lima? Que mal
haveria então encontrar Cássio para um bate papo cordial, principalmente
em meio a uma nova disputa eleitoral?”. Diante do atônito amigo,
aproveitei o silêncio que se seguiu para apresentar minha leitura do
grotesco cenário por ele desenhado, sedento a por fim a essa tese de
pacto entre dois tão ferrenhos rivais: o meninão e o cabeludo.
Já no início de minhas ponderações, destaquei que o atual clima da
relação política de ambos não permitiria qualquer aproximação nesse
sentido. Mesmo assim, caso insistisse em acontecer, não seria digerido
de forma alguma pelo eleitorado, principalmente o de Campina Grande (tão
apaixonado), que se sentiria traído por ambos. Lembrariam os
campinenses o quanto se digladiaram pelos interesses de cada um deles,
em uma disputa municipal que resultou tanto na vitória do cassista
Romero Rodrigues, como na execração do cabeludo por parte dos tucanos,
que o tatuaram a alcunha de “o homem do lixo”.
Contudo, se a ideia que fundamenta tal parceria (colocando para debaixo
do tapete tanta rinha) seria o de unir a oposição contra Ricardo
Coutinho (como, para destronar Zé, fez Cássio em 2010) em nada
favoreceria a moral de Vené diante da opinião pública, tendo em vista
que há semanas tenta imprimir nos eleitores paraibanos a certeza que
apenas ele representa a oposição verdadeira. Unindo-se a Cássio,
sabotaria seu maior argumento e a si mesmo, ao admitir (implicitamente)
que o ex-governador Cunha Lima sempre esteve do lado oposicionista. A
Paraíba engoliria de que forma uma contradição dessa do cabeludo?
Com cara de quem agora parecia confuso, meu leitor permaneceu calado, me
dando chance de continuar minhas reflexões. Destaquei que mais um
motivo impediria Veneziano fechar acordo com Cássio: sua lógica. Para
Vené, nada está perdido. E por que se render a um adversário que ainda
pode ser abatido? Há semanas (buscando driblar a imprensa do “a preço de
hoje”) Vené tenta rememorar no eleitorado cenários vividos no passado,
mas relegadas ao esquecimento. Lembra ele que, historicamente, chegam
invariavelmente ao segundo turno dois grupos: o da situação (ou quem a
ele está próximo ou comungou de sua gestão – segundo o cabeludo, seria
Cássio esse personagem) e o da oposição, representada unicamente por
ele. Daí sua certeza que estará no segundo turno. Reforça ainda sua
crença a aposta em seu crescimento gradativo com o passar das semanas,
já que, na sua leitura, seu discurso será mais fácil que o de Cássio
para combater Ricardo ou mesmo pela apropriação da estigma do “o novo”,
que o coloca em vantagem sobre os dois.
Nesse instante do papo, sou interrompido por meu atento leitor com o
questionamento: “Mas Luís, e por qual motivo Cássio foi procurar o
PMDB?”. A resposta veio rápida de minha parte. Expliquei que o tucano
agiu como qualquer bom estrategista agiria: primeiro, podia sair do
jantar mais do que satisfeito com a boa comida, mas com um acordo (mesmo
ciente das chances remotas); segundo (e mais importante) para
sabiamente desestabilizar o adversário que mais o ameaça no momento: o
governador Ricardo Coutinho. Construir (mesmo que virtualmente) esse
acordo com o PMDB prejudica frontalmente o projeto ricardista, pois cria
uma impressão incontestável: “Estando juntos Veneziano, Maranhão e
Cássio, Ricardo não vencerá nunca!”. E qual o resultado prático disso? A
proliferação da incerteza de sucesso de Coutinho na mente das
lideranças pelo Estado, que hesitariam em fechar com o ‘já derrotado’
(por antecipação) governador. Prova que a intenção seria essa –
expliquei ao perspicaz doutor – foi a rápida reação da comunicação
governista, que não demorou para emplacar a manchete: “Mais um prefeito
do PMDB adere a Ricardo Coutinho”.
“Mas e qual foi a intenção de Maranhão com esse jantar, Luis, já que só
favoreceria a Cássio?”. Muito simples. Maranhão, por outro lado, estaria
quebrando a suposta estratégia cassista/ricardista, revelada por ele na
semana anterior. Segundo o ex-governador Zé, as propagadas ‘troca de
farpas’ dos ex-aliados seriam uma forma de polarizara a disputa entre
eles, deixando Veneziano relegado ao esquecimento (o que enfraqueceria a
empolgação de sua militância e de possíveis novos apoiadores). Sentar
com Cássio inverteria o jogo, pondo novamente o projeto Veneziano em
evidência diante do eleitorado, quebrando a hegemonia de apenas dois
nomes na imprensa.
Antes de apresentar o maior dos argumentos contra a (insisto) grotesca
tese, expliquei que a situação política em âmbito nacional também impede
a comunhão entre Cássio e Vené, ou melhor dizendo, entre o PSDB e o
PMDB. Agir assim seria encarado como uma violenta punhalada nas costas
do aliado PT por parte dos peemedebistas, que há poucos dias recorreram à
cúpula nacional trabalhista para que transformasse o favoritismo de
Lucélio Cartaxo em presença efetiva como senador na chapa de Veneziano.
Assim feito, qual sentido teria um membro importante do partido do
vice-presidente Michel Temer; o irmão de Vitalzinho (peça fundamental no
projeto petista no âmbito Federal) agora dar as costas a Dilma,
deixando-a órfã de palanque na Paraíba? Pior: pedindo voto no palanque
de quem quer eleger como presidente alguém que tiraria do próprio PMDB a
vice-presidência da República?
Mesmo parecendo já ter convencido meu novo amigo, decidi ir até o fim
com minha tese, tirando-o de uma vez dessa névoa que o cegava a razão.
De início, lancei o questionamento: “Uma coisa é certa, amigo: um ou
outro vai perder a eleição, ou mesmo os dois. Com a vitória de um, qual
será o futuro do derrotado?”. Como a resposta dele não veio, decidi
então responder por ele: “Cássio voltará ao Senado e Veneziano tentará
arrancar das mãos de Romero (e dos Cunha Lima) a prefeitura de Campina”.
Sendo assim, não te parece um suicídio político para Veneziano aceitar
ser um coadjuvante do poder de Cássio, no mesmo instante em que perderá
todo o discurso oposicionista quando focar suas forças na briga para
voltar ao Paço Municipal campinense? O que dirá Veneziano aos eleitores
da Rainha da Borborema em seu discurso ‘oposicionista’, depois de dar as
mãos e dividir sorrisos com Cássio?
“Doutor, no máximo Cássio e Maranhão concordaram em deixar portas
abertas para um novo diálogo quando chegar o segundo turno. Nem mais,
nem menos”, confortei-o.
Em silêncio, mas agora com um sorriso no canto da boca, o médico se
levanta, me estende a mão, aperta a minha com força e conclui: “Você
está certo, meu caro, não passa de fofoca sem sentido. Só uma coisa
tenho certeza agora: será a mais épica batalha eleitoral já vista nesta
Paraíba”. Respondo o fim do agradável bate-papo com um sorriso,
satisfeito pela “missão cumprida”.
Ele se despede, vira as costas e vai... Alguns passos depois, já
distante, volta-se novamente pra mim e com quase um grito, não se
contém: “Mas no segundo turno, Luis, será que Veneziano e Cássio se
juntam?”.
Hehehehe... Essa minha Paraíba é mesma incansável. Eita povo inquieto! Deus preserve...
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