Maioria no Supremo absolve Collor de desvio de dinheiro
A maioria dos ministros do Supremo
Tribunal Federal votou nesta quinta-feira, 24, pela absolvição do
ex-presidente Fernando Collor, hoje senador pelo PTB de Alagoas, do
crime de peculato (desvio de dinheiro cometido por funcionário público)
no período em que ele governou o País, de 1990 até 1992.
Na ação penal oferecida pelo Ministério
Público Federal em 2000, Collor é acusado de desviar dinheiro público
por meio de contratos de publicidade "fraudulentos, desnecessários e
onerosos", segundo a denúncia do MPF. A relatora do processo, ministra
Carmen Lúcia, contudo, alegou ausência de provas e votou pela absolvição
do ex-presidente, acusado de peculato, corrupção passiva e falsidade
ideológica.
Seguiram o voto da relatora os ministros Dias
Toffoli, Luiz Roberto Barroso, Luiz Fux e Ricardo Lewandowski. Os
ministros Teori Zavascki, Rosa Weber e Joaquim Barbosa, presidente da
Corte, também votaram pela improcedência da ação no que diz respeito ao
crime de peculato, mas votaram pela prescrição dos crimes de corrupção e
falsidade ideológica. O ministro Marco Aurélio Mello, primo do
ex-presidente, se declarou impedido de participar do julgamento.
Esta ação penal, conforme o próprio MPF, não
guarda relação com o julgamento ocorrido em 1994, quando Collor foi
absolvido das denúncias de corrupção no escândalo que acarretou seu
impeachment.
A passagem do tempo e a demora para o
julgamento levaram à prescrição de algumas das penas. Como Collor não
exercia mandato eletivo depois da sua saída da Presidência, a
investigação ficou a cargo da Justiça de primeira instância. Depois, com
a eleição de Collor para o Senado, o processo foi remetido ao STF, o
que já provocou certo atraso.
Em 2009, a ação foi distribuída para a
ministra Cármen Lúcia, que deveria relatar o processo. Somente quatro
anos depois ela liberou os autos para o revisor, o ministro Dias
Toffoli. Este, por sua vez, liberou o processo para julgamento um dia
depois de receber o caso, pois via risco de prescrição. O processo
estava pronto para ser julgado, portanto, desde novembro do ano passado,
mas só foi incluído na pauta do plenário pelo presidente do STF,
ministro Joaquim Barbosa, nesta semana. Do Estadão
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