Joaquim Barbosa diz que fala de Lula é muito grave
O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, repudiou
as críticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao julgamento do
mensalão. "Lamento profundamente que um ex-presidente da República
tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a
lisura do trabalho realizado pelos membros da mais alta Corte de Justiça
do País", disse.
Para o ministro, "a desqualificação do Supremo Tribunal Federal, pilar essencial da democracia brasileira,
é um fato grave que merece o mais veemente repúdio. Essa iniciativa
emite um sinal de desesperança para o cidadão comum, já indignado com a
corrupção e a impunidade, e acuado pela violência. Os cidadãos
brasileiros clamam por justiça".
Relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa disse que a tramitação
do processo foi "absolutamente transparente". "Pela primeira vez na
história do tribunal, todas as partes de um processo criminal puderam
ter acesso
simultaneamente aos autos, a partir de qualquer ponto do território
nacional uma vez que toda a documentação fora digitalizada e estava
disponível na rede."
O ministro acrescentou que as cerca de 60 sessões consumidas com o
julgamento foram públicas, com transmissão ao vivo pela TV Justiça. "Os
advogados dos réus acompanharam, desde o primeiro dia, todos os passos
do andamento do processo e puderam requerer todas as diligências e
provas indispensáveis ao exercício do direito de defesa."
Joaquim Barbosa disse ainda que todos os réus e o Ministério Público
puderam indicar testemunhas. "Foram indicadas, no total, cerca de 600." O
presidente do STF afirmou que a acusação e a defesa tiveram mais de
quatro anos para trazer ao STF as provas de seus interesses. "Além da
prova testemunhal, foram feitas inúmeras perícias, muitas delas
realizadas por órgãos e entidades situadas na esfera de mando e
influência do presidente da República, tais como Banco Central do Brasil, Banco do Brasil, Polícia Federal, Coaf."
"Portanto, o juízo de valor
emitido pelo ex-chefe de Estado não encontra qualquer respaldo na
realidade e revela pura e simplesmente sua dificuldade de compreender o
extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma
democracia verdadeiramente digna desse nome."
Estadão
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