Perigo: Um quarto dos brasileiros sofre de pressão alta
O risco de pressão alta também aumenta com a idade
Silenciosa, a pressão alta é
uma doença perigosa e que vem crescendo entre os brasileiros. De acordo
com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças
Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada pelo Ministério
da Saúde em 2012, 24,3% da população têm hipertensão arterial, contra
22,5% em 2006, ano em que foi realizado o primeiro estudo. Foram
entrevistadas 45.448 pessoas em todas as capitais dos 26 estados
brasileiros e no Distrito Federal. Como é um problema de saúde grave,
mas ao mesmo tempo muito comum, foi criada uma data para lembrá-lo: 26
de abril é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial.
É importante frisar que um dos principais fatores de risco para a
hipertensão é a hereditariedade. Quem tem pai ou mãe com a doença, tem
30% mais chances de vir a ter pressão alta. Se os dois genitores têm o
mal, esse percentual bate na casa dos 50%. "E mesmo quando um avô ou tio
possui a doença, existe o risco maior de desenvolvê-la", fala o
cardiologista Nabil Ghorayeb, chefe da seção médica de Cardiologia do
Exercício e do Esporte do Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo, e
membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Apesar do forte componente genético, há muitas outras causas que podem
colaborar para o desenvolvimento da doença, como os maus hábitos de
vida. Fumar, beber, não praticar atividades físicas, estar acima do
peso, se alimentar mal e viver estressado – equação comum no cotidiano
de muitas pessoas atualmente - colaboram para que o mal atinja cada vez
mais pessoas no Brasil e no mundo, com ou sem histórico familiar da
doença.
O risco de pressão alta também aumenta com a idade. Segundo a pesquisa
Vigitel 2012, 3,8% dos entrevistados entre 18 e 24 anos disseram possuir
a doença, enquanto esse percentual sobe para 59,2% entre os com mais de
65 anos. Ela também aparece com mais frequência entre os portadores de
diabetes e em quem possui fatores de risco para as doenças
cardiovasculares, como colesterol elevado.
Quem tem um ou mais desses fatores de risco deve medir sua pressão pelo
uma vez ao ano. Já se a pessoa que tem histórico familiar da doença,
recomenda-se medir ao menos duas vezes por ano.
Sal em excesso
Outro grande vilão, bastante presente no prato do brasileiro, é o sal.
Isso porque, por um processo chamado osmose, ele aumenta a retenção de
água pelo organismo, o que pode elevar a pressão nas paredes das
artérias. Além disso, o sódio contido no sal pode causar o estreitamento
dos vasos sanguíneos ao inibir a ação do óxido nítrico, que é uma
substância dilatadora.
Como a pressão arterial nada mais é a que pressão exercida pelo sangue
na parede das artérias, o calibre e a flexibilidade dos vasos sanguíneos
estão diretamente ligados à hipertensão.
"O consumo excessivo de sal é um dos grandes vilões. Uma alimentação
rica em sódio (sal) aumenta a chance de uma pessoa se tornar hipertensa,
assim como dificulta o tratamento das pessoas previamente hipertensas",
explica o cardiologista Antonio Carlos Bacelar Nunes Filho, do Hospital
Israelita Albert Einstein, em São Paulo. "Por isso, é recomendado aos
que possuem a doença reduzir o consumo para, no máximo, 5 gramas por dia
(equivalentes a 2 gramas de sódio)", continua o médico.
Para entender melhor o mecanismo, é preciso entender o funcionamento do
coração. O órgão trabalha em dois tempos: se contrai e adota força
máxima para expulsar o sangue (processo chamado de sístole) e, logo em
seguida, relaxa e adota força mínima (processo chamado de diástole). A
pressão sobe quando há um descompasso entre esses dois processos,
causado pela maior resistência oferecida pelas artérias para a passagem
do sangue. "É como se você diminuísse o bico de uma mangueira: a água –
no caso, o sangue - acaba saindo com mais pressão", exemplifica
Ghorayeb.
Apesar de todo o potencial negativo do sal para a pressão, Ghorayeb
destaca que ele é importante para o funcionamento do corpo e não deve
ser totalmente eliminado da alimentação. "Ele é necessário para a vida.
Se uma pessoa tiver pouco sal no sangue, pode ter hiponatremia,
transtorno gravíssimo que provoca confusão mental e até derrame. Por
isso que os atletas tomam isotônicos, para repor o sódio do organismo
perdido pelo suor", explica o cardiologista.
Ele conta ainda que a digestão do sal começa já na língua, nas papilas
gustativas. "Elas se fecham como se fossem vasos para não entrar tanto
sal no organismo. Por isso, quando a pessoa tenta diminuir o consumo,
ela sente como se a comida não tivesse gosto e volta a colocar sal no
prato. É preciso aguardar um mês para que as papilas voltem ao estado
normal e o indivíduo sinta novamente o sabor dos alimentos", conta.
Outro erro grave, segundo Ghorayeb, é comer sal para aumentar a pressão,
que tende a cair nos dias mais quentes. "No verão, a pessoa que toma
remédio para baixar a pressão pode ter uma queda da mesma, pois o calor
extremo provoca a dilatação dos vasos sanguíneos. Comer sal pode gerar
um pico de alta de pressão", diz. A dica, aqui, é se alimentar
normalmente, tomar líquidos e permanecer em local fresco até se sentir
melhor.
Hipertensos ou não, é importante também evitar choques térmicos, como
fazer sauna e tomar uma ducha gelada, ou mesmo sair do sol escaldante e
entrar em uma piscina ou mar de águas frias. "Isso pode gerar uma crise
de pressão alta em qualquer pessoa, mas em especial em que já é
hipertenso, pois há uma contração dos vasos pela mudança brusca de
temperatura", aponta.
Uol
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