Polícia afirma que pais confessaram agressão e morte de bebê em Cuiabá
Casal foi preso após levar filho sem vida até hospital nesta segunda.
Criança foi agredida pelo pai durante briga do casal, na sexta-feira (3).
Mãe disse em depoimento que mordidas eram de
"brincadeira" (Foto: Denise Soares/G1)
André Luiz Pinto de Souza, de 22 anos, e Tainara Cardoso de Araujo, de 19, presos nesta segunda-feira
(6) suspeitos de matar o próprio filho de 1 mês, confessaram à Polícia
Civil que agrediram e mataram a criança. De acordo com a Delegacia
Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o menino Josué
Araújo de Souza foi arremessado pelo pai durante uma briga do casal na
sexta-feira (3). A criança teve febre e convulsão por três dias e só foi
levada a um hospital particular na madrugada desta segunda-feira. No
entanto, Josué chegou sem vida ao hospital.
Segundo a delegada que decretou a prisão do casal, Anaíde Barros, os
pais vão responder por homicídio qualificado doloso (quando há intenção
de matar). O menino, único filho do casal, iria completar dois meses
nesta quarta-feira (8). André Luiz Pinto trabalha como auxiliar de
entrega em um supermercado e a esposa é dona de casa. Eles estavam
casados há cerca de um ano.
A família morava em uma casa no Bairro Ribeirão do Lipa, em Cuiabá.
O casal prestou depoimento de forma separada e contou a mesma versão à
polícia. “Eles relataram que na sexta-feira tiveram uma briga. O pai
tomou o filho do colo da mãe e o jogou em cima de um colchão que estava
no chão. A partir dessa data a criança apresentou problemas de saúde,
teve princípios de convulsões, além da mãe perceber que ele tinha um
ferimento na cabeça”, disse ao G1 Anaíde.
A criança também apresentava diversas mordidas profundas pelo corpo,
principalmente na barriga, no rosto e na bochecha. “Por essa razão [as
mordidas], eles alegaram que não levaram ao médico por medo de perder a
guarda da criança. Eles alegaram ainda que as mordidas foram feitas por
brincadeira. Mesmo assim, isso se enquadra como maus tratos”, completou a
delegada.
As diversas mordidas no corpo de Josué teriam sido feitas pelos dois em datas diferentes, segundo a polícia.
Pai arremessou filho em colchão durante briga com a
mulher em Cuiabá. (Foto: Denise Soares/G1)
Crime
Na noite de domingo (5), Josué teve a saúde debilitada, mesmo com os
pais dando remédio contra a febre. Nenhum parente da família foi chamado
e nem socorro médico solicitado até a noite de domingo. Depois da
criança não querer mamar e apresentar crises convulsivas, ela veio a
óbito por volta de meia-noite.
"A mãe contou que, quando o filho estava muito ruim, ligou para um
pastor de uma igreja e pediu para ele orar pelo filho. Só depois que a
criança já estava em óbito, eles a levaram para o pastor. Josué agonizou
por três dias”, detalhou Anaíde Barros.
O menino foi levado até o pastor, que percebeu que a criança já estava
morta. Foi ele quem levou os pais e a criança até um hospital particular
do Bairro Santa Helena. Uma enfermeira que recebeu Josué desconfiou das
marcas de mordidas e acionou a Polícia Militar.
De acordo com a delegada, mesmo sendo o pai o suposto autor da ação, a
mãe vai responder como coautora do crime, já que teve a omissão do
socorro da criança. Conforme a DHPP, em depoimento, a mãe pareceu estar
mais sensibilizada e jogava a culpa no marido. Já o pai só esboçou
reação e chorou quando foi informado que estava sendo preso em
flagrante. O pastor e a enfermeira também foram ouvidos pela delegada.
Um documento preliminar do Instituto Médico Legal (IML) da capital
aponta a morte da criança por traumatismo craniano. Contudo, a delegada
descartou que os pais tenham abusado sexualmente do menino. O casal
deverá ser encaminhado para unidades prisionais da capital ainda nesta
segunda.
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