Em carta enviada ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, Flávio Bolsonaro agradece classificação de PCC e CV como grupos terroristas
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| A carta foi enviada após visita recente do parlamentar a Washington, onde se reuniu com autoridades norte-americanas, incluindo o presidente Donald Trump - (crédito: Reuters) - X |
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou nessa terça-feira (02/06) uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na qual pede que o governo norte-americano não imponha as tarifas comerciais ao Brasil e também agradece à recente decisão de Washington de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
No documento, o parlamentar afirma que a medida contra as facções criminosas foi recebida com entusiasmo pela maioria da população brasileira, embora, segundo ele, não tenha agradado ao atual governo federal.
"A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério", escreveu.
A carta também trata das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Flávio manifesta preocupação com uma recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que abriu procedimento para avaliar possíveis medidas comerciais contra o Brasil.
Embora reconheça que nenhuma tarifa tenha sido aplicada até o momento, o senador argumenta que eventuais sobretaxas poderiam agravar a situação econômica brasileira. Para sustentar o pedido, ele cita indicadores como o aumento da dívida pública, o crescimento da inadimplência entre famílias e empresas e o número recorde de recuperações judiciais registradas no país.
"Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro, justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como parceiro e amigo", afirmou.
Na parte final da correspondência, Flávio Bolsonaro faz uma referência direta às eleições presidenciais previstas para outubro. O senador diz estar "confiante" de que será eleito presidente da República e afirma que, caso isso ocorra, colocará sua equipe de transição à disposição do governo norte-americano para negociar um amplo acordo de comércio e investimentos entre os dois países.
"Estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à disposição para que possamos concluir, o mais rápido possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações", escreveu.
A carta foi enviada após visita recente do parlamentar a Washington, onde se reuniu com autoridades norte-americanas, incluindo o presidente Donald Trump.
Ainda nesta terça mais cedo em suas redes sociais, Flávio afirmou que é contra a imposição das novas tarifas para compra de produtos importados que os EUA planejam adotar contra o Brasil.
"Sempre defendi as empresas brasileiras e, em qualquer oportunidade que tiver, vou continuar a defender nosso setor produtivo. Pedi expressamente ao presidente Trump para não taxar nossas empresas. Tarifa não é solução. Precisamos sentar de maneira séria na mesa de negociação, não com bravatas, como faz Lula", disse Flávio nas redes sociais.
Investigações comerciais e organizações terroristas
Em julho de 2025, o governo norte-americano abriu essa investigação comercial com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos.
O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), pode resultar em medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras.
Isso também surge em paralelo à declaração, por parte do governo estadounidense, das facções PCC e CV como organizações terroristas internacionais.
Na prática, segundo analistas, isso abre uma série de brechas para intervenções dos EUA no Brasil — não apenas militares, o que os especialistas consideram improvável, mas financeiras, que são vistas com preocupação por parte da administração petista.
Leia a carta na íntegra:
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre as empresas criminosas mais violentas do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro vão muito além de nossas fronteiras — chegando também ao seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, mesmo que ela não tenha agradado ao nosso atual governo. É um passo decisivo para a proteção de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, no entanto, com preocupação em relação à recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Embora compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta ainda — visto que a determinação abre um processo de consulta pública e etapas técnicas que levam a um prazo legal em julho —, creio ser meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas que o povo brasileiro enfrenta neste momento.
O Brasil vive uma grave deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida pública bruta geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, atingindo *R$ 10,4 trilhões* em abril — e as projeções de mercado a situam em um recorde de 83,7% até o final do ano. As contas públicas continuam a apresentar deficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida subiram para níveis recordes. O fardo sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros estão inadimplentes atualmente — quase metade da população adulta —, com compromissos de dívida consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar.
No setor empresarial, as recuperações judiciais — o equivalente brasileiro ao Chapter 11 — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes corporativos (empresas) estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.
Respeitosamente,

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