Lideranças no Congresso Nacional entendem que não é o momento de buscar culpados e reforçam relação "republicana" com Davi Alcolumbre
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| O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) • Foto: Carlos Moura/Agência Senado |
A reprovação de Jorge Messias no Senado levantou a suspeita de "traição" dentro da base governista no Congresso, depois que senadores de partidos da sustentação do governo votaram contra o advogado-geral da União. No entanto, lideranças do PT e do governo no Congresso trataram de botar panos quentes na situação e rejeitaram a ideia de "caça às bruxas" nesse momento.
Nos cálculos do governo, Jorge Messias seria aprovado com cerca de 45 votos. O resultado surpreendeu o Planalto, que passou a entender que houve uma mudança de postura de senadores tidos como aliados.
A deputada e ex-ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que pode ter havido traição daqueles que disseram que votariam a favor e, no final, votaram contra. O voto para a aprovação de um nome ao STF é secreto.
Mesmo assim, lideranças no Legislativo tentaram apaziguar a situação. O primeiro a evitar a "caça às bruxas" foi o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT). Ele afirmou que esse não é o momento de buscar culpados e tratou de dizer que o governo respeita a prerrogativa do Senado de vetar uma indicação ao STF.
"Vencer ou perder faz parte do jogo democrático. Aceitamos. Não vamos fazer de qualquer resultado uma caça às bruxas. A atribuição de indicar ao STF cabe ao presidente. A rejeição ou aprovação cabe ao Senado. Não é de bom tom fazer caça às bruxas, procurar para ver se houve traição. Não faz parte do jogo democrático", disse.
A tentativa de responsabilizar senadores pela "traição" também foi rechaçada pelo líder do PT na Câmara, Pedro Uczai. Ele entende que o governo se descuidou de um grande acordo que estava em andamento, esperou para ver e acabou sendo derrotado. No entanto, ele entende que é preciso fazer mudanças na representação do governo no Congresso porque há um "desgaste" natural.
"Mapear traições não resolve nada, aprofunda os conflitos. Podia ser uma tática, mas o caminho é recompor a base do governo no Senado, recolocar o papel das lideranças, se coloca outras lideranças ou não. Tem que dialogar. Certamente alguns já se desgastam", afirmou.
Ele também reforçou a necessidade de uma conversa “republicana” com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e que a melhor resposta é continuar governando.
O "desgaste" até esse momento tem sido direcionado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e um dos principais canais de negociação entre opositores e governo. Na leitura de aliados, houve uma falha na articulação, especialmente no caso de Messias.
Para os parlamentares da base governista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa garantir a prerrogativa de indicar um novo ministro e pode fazê-lo ainda no primeiro semestre.
Há pressão pela indicação de uma mulher. Uczai e Gleisi reforçaram o interesse de aumentar a representatividade no STF, algo cobrado por movimentos sociais da base desde o começo da gestão de Lula. Até agora, o mandatário indicou três homens para a Suprema Corte: Cristiano Zanin, Flávio Dino e Jorge Messias.
Blog JURU EM DESTAQUE com CNN Brasil - Lorenzo Santiago e Aline Becketty, da CNN

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