Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa
Foto: Reprodução/Prefeitura de João Pessoa

O aumento no preço do petróleo, impulsionado pela escalada de tensões no Oriente Médio, já impacta o custo das passagens aéreas no Brasil. Entre os destinos mais afetados está João Pessoa, que registrou alta de até 16% no valor dos bilhetes em março, segundo levantamento da empresa Decolar.

A pesquisa comparou preços de voos de ida e volta saindo do Rio de Janeiro para cerca de 20 destinos, nacionais e internacionais, entre fevereiro e março. Apesar das variações, a capital paraibana aparece entre as maiores altas, ao lado de destinos internacionais como Paris.

Embora a maioria dos voos registrem alta na comparação entre os dois meses, há casos de queda no preço. Isso ocorrer porque o preço das passagens aéreas é definido pelas companhias de acordo com o combustível, variação cambial, oferta e demanda de voos e assentos, sazonalidade e antecedência de compra.

Voos nacionais

  • Salvador: -8%
  • São Paulo: 4%
  • Porto Alegre: 6%
  • Fortaleza: 7%
  • Brasília: 8%
  • Belo Horizonte: 9%
  • Curitiba: 10%
  • São Luís: 15%
  • João Pessoa: 16%

Voos internacionais

  • Assunção: -12%
  • Santiago: 0%
  • Orlando: 0%
  • Lisboa: 1%
  • Buenos Aires: 3%
  • Bariloche: 4%
  • Roma: 6%
  • Montevidéu: 10%
  • Nova York: 12%
  • Paris: 16%

O encarecimento está ligado ao aumento do querosene de aviação (QAV), que acompanha a valorização do petróleo no mercado internacional. Nesta segunda-feira (13), os preços voltaram a subir após o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã para conter o conflito, após o presidente dos EUA, Donald Trump, bloquear a passagem de navios que tenham portos iranianos como origem ou destino ao Estreiro de Ormuz.

“O combustível é um dos componentes relevantes na estrutura de custos das companhias aéreas. Cenários como esse (de guerra) costumam trazer um elemento importante: a incerteza, que pode levar parte dos viajantes a postergar decisões enquanto acompanham a evolução do contexto”, informou a diretora de produtos aéreos da Decolar, Juliane Castiglione.

Especialistas afirmam que o reajuste no preço das passagens aéreas é inevitável por causa da incerteza em relação a quanto tempo irá durar a guerra no Irã e como isso vai impactar a oferta de petróleo. As empresas aéreas vendem bilhetes com até um ano de antecedência e, por isso, adequam a tarifa ao risco trazido por este conflito.

O movimento de aumento nos preços já é observado globalmente. Companhias aéreas têm reajustado passagens e outras taxas, como para despacho de bagagens, como fizeram as americanas Delta Air Lines e United Airlines. Na última sexta-feira (10), os aeroportos da União Europeia informaram que, caso o Estreiro de Ormuz não esteja 100% aberto em três semanas, podem enfrentar escassez de combustível de aviação.

“Em momento assim, os mercados regionais sofrem mais. Fica apenas o fluxo menos sensível a preço. E as companhias acabam se concentrando nos mercados mais densos”, disse o especialista do Instituto Tecnológico da Aeronaútica (ITA), Alessandro Oliveira.

Mesmo com o cenário de alta, Juliane Castiglione destaca que ainda é possível encontrar oportunidades em diferentes rotas e períodos, especialmente para quem planeja com antecedência ou tem flexibilidade. “Nosso papel é ampliar acesso a essas oportunidades, com soluções como pacotes, que podem gerar economia de até 35%”, afirmou.

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