Sudema registra 64 ocorrências de peixe-leão e intensifica combate no litoral da Paraíba

A Superintendência de Administração do Meio Ambiente registrou 64 ocorrências de peixe-leão no litoral paraibano, sendo 52 capturas e 12 avistamentos. Os dados são da Divisão de Fauna (DIFAU) e reforçam o alerta para a presença da espécie invasora, considerada uma ameaça à biodiversidade marinha devido à sua alta taxa de reprodução, ausência de predadores naturais e comportamento altamente predatório.

A maior concentração de registros ocorre em João Pessoa, responsável por cerca de 75% dos casos. Em seguida aparecem Pitimbu e Conde, com aproximadamente 8% das ocorrências cada. Também há registros em Cabedelo e Baía da Traição.

A presença do peixe-leão compromete o equilíbrio ecológico, afetando diretamente os recifes de coral e diversas espécies nativas. O problema não se restringe à Paraíba e já é tratado como uma preocupação nacional. Em 31 de março deste ano, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis publicou uma instrução normativa com regras para o combate à bioinvasão da espécie em todo o litoral brasileiro. A medida reforça e padroniza ações que já vinham sendo executadas pela Sudema no estado.

Desde 2023, equipes especializadas de mergulhadores realizam ações de busca ativa e captura em áreas estratégicas, incluindo unidades de conservação estaduais. O trabalho também conta com o apoio de pescadores e empresas de mergulho, que colaboram com a entrega de espécimes. Todas as informações coletadas são integradas ao sistema do Ibama, fortalecendo o monitoramento em nível nacional.

Para 2026, está prevista a ampliação dessas operações, com a contratação de novas equipes de mergulho. A estratégia busca conter a população do peixe-leão, reduzindo seus impactos ambientais e evitando sua disseminação em maior escala no litoral paraibano.

Segundo o biólogo José Igor da Silva, o controle contínuo é essencial. “A disseminação de espécies invasoras como o peixe-leão pode causar desequilíbrios ecológicos importantes, afetando a biodiversidade e atividades como a pesca e o turismo”, destacou.

Orientações à população

Em caso de avistamento, a recomendação é manter distância do animal, registrar o local com o máximo de precisão e comunicar à Sudema. O contato pode ser feito por telefone, e-mail ou formulário eletrônico.

Além dos impactos ambientais, o peixe-leão também representa risco à saúde humana. A espécie possui espinhos venenosos na região dorsal, que podem causar dor intensa e febre. Em caso de contato, a orientação é procurar atendimento médico imediato.

A Sudema reforça que o enfrentamento da espécie depende da atuação conjunta entre poder público, pesquisadores e sociedade, seguindo as diretrizes nacionais para garantir a preservação dos ecossistemas marinhos e o uso sustentável dos recursos naturais.

Blog JURU EM DESTAQUE com Polêmica Paraíba - Gerlane Neto