Por Nonato Guedes
Filho do deputado estadual Antonio Hervázio Bezerra Cavalcanti e recentemente investido na titularidade como prefeito de João Pessoa, Capital da Paraíba, com a renúncia de Cícero Lucena
(MDB) para concorrer ao governo do Estado, Leo Bezerra integra uma linhagem
familiar que já se projetou nos quadros estaduais de poder. Em 1946,
Odon Bezerra Cavalcanti, nascido em Bananeiras em 20 de maio de 1901,
governou a Paraíba
como interventor, de 13 de fevereiro a 20 de setembro. Formado em
Direito pela Faculdade do Recife, foi vice-prefeito e prefeito de
Bananeiras entre 1928 e 1929, mas depois fixou-se na Capital, João
Pessoa, onde substituiu José Américo de Almeida como advogado do Banco
da Parahyba. Em 1930, participou diretamente do assalto ao Quartel do
Vigésimo Segundo BC, em que perdeu a vida o general Lavanere Wanderley,
Comandante da Segunda Região, que ali pernoitava.
Dois outros grandes nomes
destacaram-se na genealogia dos Bezerra na representação política da
Paraíba: os ex-deputados Waldir Bezerra Cavalcanti e Afrânio Bezerra.
Waldir, que também era jurista e pai da desembargadora Fátima Bezerra
Cavalcanti Maranhão, morreu aos 87 anos no dia quatro de junho de 2013,
após complicações que o levaram a internação em hospital privado de João
Pessoa. Natural de Guarabira, no Brejo, nasceu em 28 de dezembro de
1926, foi filiado ao MDB e integrou a Assembleia Estadual Constituinte
que promulgou a Constituição de 1989.
Já o deputado estadual
Afrânio Bezerra Cavalcanti, com origens em Bananeiras, disputou sua
primeira eleição à Assembleia Legislativa do Estado em 1978, sendo
vitorioso. Ao todo, ocupou quatro mandatos legislativos até 1994. Filho
do ex-governador Clóvis Bezerra Cavalcanti, deixou a atividade política e
passou a atuar como empresário conceituado no ramo dos postos de
combustíveis na Capital paraibana. Ele ganhou notoriedade por causa de
um incidente no plenário da Assembleia Legislativa, em que atirou no
então deputado Marcus Odilon Ribeiro Coutinho, que reagiu mordendo-lhe o
nariz. Os dois haviam se desentendido em virtude da polêmica sobre
assuntos tratados na tribuna da Casa de Epitácio Pessoa.
O
relato a respeito da sua trajetória é descrito no livro “Governantes da
Paraíba – Colônia, Império, República”, assinado por Hélio Nóbrega
Zenaide e Marcos Cavalcanti de Albuquerque. Na Revolução
Constitucionalista de São Paulo, em 1932, Odon Bezerra
foi enviado àquele Estado comissionado como comandante do Segundo
Batalhão da Polícia Militar da Paraíba e, no ano seguinte, eleito
deputado para a Assembleia Nacional Constituinte pelo Partido
Progressista. Eram seus companheiros de bancada Heretiano Zenaide, José
Pereira Lira, Ruy Carneiro, José Gomes da Silva, Matias Freire e Samuel
Duarte. Nas eleições de 19 de fevereiro de 1947, foi eleito deputado
estadual pelo Partido Social Democrático (PSD), integrando na Assembleia
Constituinte a Comissão incumbida de instrumentar a Constituição
promulgada a 11 de junho daquele ano. Acometido de grave
enfermidade, faleceu em 12 de agosto de 1949. Foi durante o governo do
interventor Odon Bezerra Cavalcanti que o presidente Eurico Gaspar Dutra
forçou a cassação do registro do Partido Comunista Brasileiro. No dia
10 de janeiro de 1948, a Mesa da Câmara declarou cassados os mandatos
dos parlamentares eleitos pelo PCB. Por outro lado, Clóvis Bezerra
Cavalcanti, que foi prefeito de Bananeiras em 1946 por nomeação do
interventor Severino Montenegro, iniciou trajetória política nos quadros
da UDN. Em 1947, elegeu-se deputado estadual, tendo, a partir de então,
exercido o mandato por seis vezes e ocupando a presidência da
Assembleia Legislativa em pelo menos seis legislaturas. Uma dessas
legislaturas ocorreu em plena deflagração do movimento militar de 1964,
que Clóvis apoiou, incontinenti. Assumiu eventualmente o governo do
Estado por vezes, uma delas em 1967, quando o vice-governador de João
Agripino, Severino Cabral, perdeu o mandato. Ele se investiu, então,
devido à sua condição de presidente da Casa de Epitácio Pessoa.
A ascensão de Clóvis Bezerra e o legado político
Clóvis
Bezerra foi escolhido para ser vice-governador na gestão de Ernani
Sátyro, sendo empossado em março de 1971. Mais uma vez foi alçado ao
posto no primeiro governo de Tarcísio de Miranda Burity, em 1979. Em
1982, com a renúncia de Burity para disputar um mandato à Câmara dos
Deputados, Clóvis torna-se efetivamente governador da Paraíba, tendo
transmitido o cargo ao primeiro governador eleito pelo voto direto na
chamada redemocratização pós-regime militar, Wilson Leite Braga. Em
ensaio para o livro “Poder & Política na Paraíba”, editado pela
Associação Paraibana de Imprensa, o professor João Trindade define o
perfil de Clóvis como o de um político conciliador, sendo,
ideologicamente, conservador. No governo de Ivan Bichara Sobreira, foi
Secretário de Saúde do Estado.
Leo Bezerra: continuidade e novos desafios na prefeitura de João Pessoa
Empossado
no dia 02 de abril de 2026 como prefeito de João Pessoa, o então
vice-prefeito cumprirá mandato até o final de 2028, com direito à
reeleição. Ele ainda é filiado aos quadros do PSB e foi vice de Cícero
Lucena em dois mandatos consecutivos, a partir das eleições municipais
de 2020. Nascido em dois de agosto de 1983 em João Pessoa, Leopoldo de
Araújo Bezerra Cavalcanti (seu nome de registro) é filho da servidora
pública Fátima Araújo e do deputado estadual e ex-secretário de Estado Hervázio Bezerra.
Leo é formado em gestão pública e bacharel em Direito. Sua vida
política começou quando ele se candidatou à Câmara Municipal de João
Pessoa pela primeira vez no ano de 2012, obtendo 3.302 votos. Em 2016, Leo Bezerra
novamente apresentou seu nome para a Câmara e foi o vereador mais
votado de João Pessoa. Ele deixou claro que sua marca é a continuidade
das gestões do ex-prefeito Cícero Lucena.
Blog JURU EM DESTAQUE com Polêmica Paraíba - Suedna Lima
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