Arte: Carlos Lyra
Arte: Carlos Lyra

A Arquidiocese da Paraíba, sediada em João Pessoa, é uma das mais importantes circunscrições eclesiásticas do Nordeste brasileiro. Sua história remonta ao fim do século XIX, quando foi criada a Diocese da Paraíba, desmembrada da Diocese de Olinda e Recife, consolidando a organização da Igreja Católica na região.

A Diocese da Paraíba foi erigida em 27 de abril de 1892, por meio da bula Ad Universas Orbis Ecclesias, do papa Leão XIII. A instalação canônica ocorreu em 4 de março de 1894, com a chegada do primeiro bispo, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques.

Natural de Areia (PB), Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques governou a Igreja local por mais de quatro décadas — primeiro como bispo (1894-1914) e depois como arcebispo (1914-1935). Foi responsável por uma ampla organização estrutural da diocese, fundando o Seminário Arquidiocesano, o Colégio Pio X, 13 colégios, 19 paróquias e o jornal A Imprensa. Ordenou 140 padres e realizou cerca de 200 visitas pastorais. Em 6 de fevereiro de 1914, a Diocese foi elevada à Arquidiocese pelo papa São Pio X, por meio da bula Maius Catholicae Religionis Incrementum, tornando-se Sede Metropolitana.

Mesmo após a mudança do nome da cidade de Parahyba do Norte para João Pessoa, em 1930, a circunscrição manteve o título de Arquidiocese da Paraíba.

Sucessão episcopal

Após a morte de Dom Adauto, assumiu o governo arquidiocesano Dom Moisés Sizenando Coelho. Nascido em Cajazeiras (PB), foi arcebispo de 1935 a 1959, após atuar como coadjutor. Seu lema episcopal era Dominus iluminatio Mea. Durante sua gestão, fortaleceu associações leigas como a Congregação Mariana e o Círculo Operário São José.

Em 1959, tomou posse Dom Mário de Miranda Vilas-Boas. Natural do Rio Grande do Sul, ele governou a Arquidiocese até 1965. Antes, atuou em Garanhuns (PE) e Belém (PA) e participou da fundação da CNBB, em 1952. Renunciou em 1965, recebendo a sé titular de Gibba.

Ainda em 1965, iniciou seu pastoreio Dom José Maria Pires, que permaneceu até 1995. Mineiro de Córregos (MG), destacou-se pela atuação pastoral voltada às questões sociais e pela defesa da alegria cristã, que chamava de “oitavo sacramento”. Após a renúncia, tornou-se pregador itinerante.

Na sequência, assumiu Dom Marcelo Pinto Carvalheira, que já havia sido bispo auxiliar da Paraíba e bispo de Guarabira. Durante seu governo, concedeu à Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves o título de Basílica Menor, em 1997.

Liderança e legado recente

De 2004 a 2016, esteve à frente da Arquidiocese Dom Aldo Pagotto, membro da Congregação do Santíssimo Sacramento. Em sua gestão, enfatizou a valorização da família, o fortalecimento da Renovação Carismática Católica e parcerias entre Igreja e poder público para políticas sociais.

Desde 2017, o governo arquidiocesano está sob a responsabilidade de Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, religioso capuchinho nascido na Bahia. Transferido da Diocese de Campina Grande, tomou posse em João Pessoa em 20 de maio de 2017. Também já atuou como vice-presidente do Regional Nordeste brasileiro 2 da CNBB.

Estrutura atual

Hoje, a Arquidiocese da Paraíba compõe a Província Eclesiástica da Paraíba, que inclui ainda as dioceses de Natal, Cajazeiras, Campina Grande, Patos e Guarabira. Ao longo de mais de um século, a instituição consolidou sua presença religiosa, social e educacional, sendo marcada pela atuação de seus arcebispos, que ajudaram a moldar a história da Igreja Católica no estado.

Blog JURU EM DESTAQUE com Polêmica Paraíba - Adriany Santos