O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), classificou como “equivocada” a decisão do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), do vice-prefeito Leo Bezerra (PSB) e do deputado estadual Felipe Leitão (MDB) de deixarem sua base política. A declaração foi dada na manhã dessa quarta-feira (04), durante entrevista.

Azevêdo relatou surpresa com o movimento do grupo que integrou seu arco de alianças nas eleições de 2020 e 2022. “Depois de tudo que construímos, não esperava esse gesto”, pontuou o governador, acrescentando que a ruptura ocorreu “principalmente pelos aliados que Cícero passou a ter hoje”.

Apesar da decepção, o socialista afirmou não se arrepender do apoio oferecido no passado. Ele enfatizou que não faz política “passando na cara” favores ou compromissos assumidos. “Apoiei porque quis, coloquei a cara na rua porque entendi ser o melhor caminho naquele momento. Por isso, não me sinto no direito de cobrar nada agora”, reforçou.

Ao analisar a postura do vice-prefeito, Azevêdo contou ter comunicado previamente que não faria exigências a Leo Bezerra até eventual posse em novo cargo. O governador declarou que pretende manter diálogo institucional, caso Bezerra assuma a Prefeitura. “Conversarei com ele como prefeito, pois a cidade não pode ser prejudicada”, observou.

Questionado sobre os motivos apresentados para a saída, o chefe do Executivo estadual afirmou que não se convenceu. “Cícero escolheu o próprio caminho. Os argumentos apresentados não me convenceram. Quando alguém diz que quer ser candidato a governador porque é a última oportunidade, isso não sustenta decisão tão séria”, criticou.

João Azevêdo ainda deixou claro que, apesar das divergências, pretende manter a gestão estadual aberta a parcerias institucionais com João Pessoa. Entretanto, reiterou que a forma como se deu o afastamento não contribui para o ambiente político que considera adequado. “Política não pode ser feita desse jeito”, finalizou.

Os três ex-aliados ainda não reagiram publicamente às declarações do governador nessa quarta-feira. Nos bastidores, contudo, o movimento é visto como prenúncio de novos arranjos para as eleições municipais de 2028, especialmente na disputa pela prefeitura da capital paraibana.

Com a ruptura, o cenário político da Paraíba passa a ter novo reordenamento de forças, abrindo espaço para negociações entre partidos e lideranças em busca de alianças para o próximo pleito.

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