Foto: reprodução/Freepik
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Um levantamento feito pelo TIC Kids Online Brasil, em 2024, mostrou que cerca de 83% das crianças entre 9 e 10 anos utilizavam plataformas como WhatsApp, Instagram, TikTok e YouTube. A presença massiva do público infantojuvenil em ambientes virtuais tem sido amplamente debatida, especialmente no que diz respeito aos limites e aos riscos da exposição de imagem nas redes sociais.

Os crimes cibernéticos caracterizam-se como atividades ilícitas praticadas por meio de computadores, redes ou outros dispositivos digitais, com o objetivo de aplicar fraudes, roubar dados, praticar assédio, entre outras formas de causar danos aos usuários.

Na internet, há uma falsa sensação de liberdade, tanto pela facilidade de acesso quanto pela impressão de controle sobre as informações compartilhadas. Além disso, a globalização — fenômeno social que promoveu maior integração cultural, social e econômica entre países —, aliada à internet, redefiniu as formas de sociabilidade.

Nesse contexto, muitas pessoas percebem que estar fora das redes sociais, independentemente da idade, significa estar desconectado do mundo. Um dos motivos que poderiam justificar essa tendência que observamos ao analisar os dados.

Diante desse cenário, as plataformas digitais possuem mecanismos que podem ser flexibilizados para alcançar também o público mais jovem, ainda que as diretrizes de acesso continuem existindo.

O Instagram, por exemplo, redefiniu critérios relacionados à restrição de idade —, na prática, apesar disso, ainda é relativamente simples criar um perfil nas plataformas.

Essas brechas podem representar riscos, sobretudo para crianças e adolescentes, que utilizam as redes sociais sem supervisionamento de um adulto.

Aumento de crimes cibernéticos e exploração infantil

De acordo com a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, da organização não governamental SaferNet Brasil, no ano passado foram recebidas 87.689 denúncias desse tipo de crime. O número representa um crescimento de 28,4% em relação a 2024, com 19.403 registros a mais.

O dado mais alarmante das denúncias registradas pela SaferNet em 2025 esteve relacionado a imagens de abuso e exploração sexual infantil, totalizando 63.214 notificações. Trata-se da segunda maior marca da série histórica da entidade, superada apenas em 2023, quando foram contabilizadas 71.867 denúncias.

Rede de pedofília

No início desta semana, um caso com repercussão nacional envolveu a prisão realizada de um piloto da companhia aérea Latam, suspeito de integrar uma rede de pedofilia na cidade de São Paulo. A 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), realizou a prisão.

Segundo as autoridades, o homem participaria do esquema há mais de oito anos. Durante as investigações, a polícia identificou que o suspeito, Sergio Antônio Lopes, mantinha contato com crianças de 8 a 12 anos. Uma das formas de aproximação era justamente por meio das redes sociais. De acordo com a polícia, ele se relacionava com mulheres adultas para ter acesso às menores. Após receber fotos e vídeos das vítimas, realizava pagamentos às responsáveis, com valores que variavam entre R$ 30 e R$ 100.

No ano passado, o influenciador paraibano e seu marido, Isarel Santos, conhecido como Euro, tornaram-se réus por tráfico de pessoas para exploração sexual e condições análogas à escravidão. O caso ganhou destaque após o influenciador Felca divulgar, nas redes sociais, imagens de crianças e adolescentes que participavam de conteúdos produzidos por Ítalo Santos de forma sexualizada.

À época, o episódio reacendeu o debate sobre a “adultização” de crianças e adolescentes em ambientes virtuais e as consequências desse fenômeno para esse público, especialmente diante da crescente exposição nas redes sociais.

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